Caso de trabalho escravo em obra da BYD resulta em acordo de R$ 40 milhões com Ministério Público

Força-tarefa resgatou 224 trabalhadores em condições análogas à escravidão durante a construção da fábrica em Camaçari
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BYD | Imagem: Divulgação

A BYD vive, ao mesmo tempo, dois capítulos bem distintos em sua operação no Brasil ambos tendo como palco a fábrica de Camaçari, na Bahia, instalada no antigo complexo industrial da Ford.

De um lado, a montadora chinesa comemora resultados na linha de produção. Recentemente, a BYD alcançou a marca de 10 mil veículos produzidos no Brasil, de onde saem três modelos para o mercado nacional, o Dolphin Mini, King e Song Pro que já abastecem concessionárias em diversas regiões do país.

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Para sustentar o ritmo, a empresa iniciou recentemente o segundo turno de produção, com cerca de 120 colaboradores no período noturno. O complexo industrial tem metas ambiciosas. Na primeira etapa, a capacidade instalada é de 150 mil veículos por ano, com previsão de alcançar 300 mil unidades na fase seguinte.

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Investigação trabalhista 

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BYD Imagem: Divulgação

Paralelamente a esse avanço industrial, a mesma fábrica foi alvo de uma investigação trabalhista que terminou em um acordo judicial de R$ 40 milhões. O desfecho foi anunciado na última sexta-feira (26) pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), após apuração que identificou condições análogas à escravidão durante a fase de construção da planta.

O acordo envolve as empreiteiras China Jinjiang Construction Brazil e Tecmonta Equipamentos Inteligentes Brasil, responsáveis pela contratação dos trabalhadores que atuavam de forma exclusiva na obra.

Do valor total, R$ 20 milhões serão destinados à indenização individual de 224 trabalhadores, enquanto a outra metade será depositada em conta judicial para compensação por dano moral coletivo, com destinação a fundos ou instituições indicadas pelo MPT. 

Inauguração da unidade em julho de 2025 quando foi apresentado um Mini Dolphin
Inauguração da unidade em julho de 2025 quando foi apresentado um Mini Dolphin Imagem: Divulgação

A BYD não fará o pagamento direto, mas assumiu o compromisso de garantir o valor caso as empreiteiras descumpram o acordo. Procurada, a montadora informou que não irá se manifestar.

Além da compensação financeira, as empresas assumiram obrigações relacionadas à proteção do trabalho em todos os seus estabelecimentos. O descumprimento pode gerar multa de R$ 20 mil por trabalhador prejudicado, aplicada a cada nova irregularidade constatada. O MPT diz que a assinatura do acordo não representa reconhecimento de culpa, e houve divergência interna no órgão um dos procuradores considerou o desfecho uma vitória jurídica para a BYD.

A investigação teve início em novembro de 2024, quando o MPT da Bahia abriu inquérito para apurar denúncias sobre saúde, segurança e condições de trabalho no canteiro de obras.

Em dezembro, uma força-tarefa envolvendo MPF, Defensoria Pública da União, Ministério do Trabalho e Emprego, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Federal resgatou 163 trabalhadores chineses ligados à Jinjiang e outros 61 funcionários da Tecmonta, todos encontrados em situação caracterizada como trabalho análogo à escravidão e vítimas de tráfico de pessoas.

Como eram as condições de trabalho, segundo o Ministério Público

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BYD Imagem: Divulgação

As apurações apontaram falta de condições mínimas de higiene e conforto, vigilância armada, retenção de passaportes, contratos com cláusulas ilegais, expedientes exaustivos sem descanso semanal, exigência de caução e retenção de até 70% dos salários. Em junho deste ano, a Inspeção do Trabalho registrou mais de 60 autos de infração.

O acordo também prevê o pagamento do FGTS, com multa de 40%, inclusive para 61 trabalhadores que retornaram à China sem receber as verbas rescisórias após o resgate.

Stephanie Gomes

Estudante do 2º ano de comunicação, Stephanie escolheu a profissão por acreditar no poder transformador do jornalismo.