Em nova estratégia, Renault vai subir de nível no Brasil

Marca anuncia novo posicionamento onde vai privilegiar a qualidade nas vendas
Baseado no conceito Dacia Bigster, designer imagina um SUV 7 lugares com a marca Renault

Baseado no conceito Dacia Bigster, designer imagina um SUV 7 lugares com a marca Renault | Imagem: Kleber Silva/KDesign AG

A Renault realizou nesta quinta-feira (6) em sua sede global um interessante evento onde apontou as diretrizes que vão nortear suas operações no médio prazo, trazendo também dados relevantes sobre o que podemos esperar da companhia em mercados fora da Europa onde a Renault também é uma marca consolidada, como é caso de Brasil, Rússia, Turquia e Índia. 

Em linhas gerais, um bom resumo foi apresentado por Fabrice Cambolive, vice-presidente sênior de vendas e operações. De acordo com o executivo, a partir de agora o foco da Renault será na “qualidade das vendas e no posicionamento de preço”, sendo que a questão do volume de emplacamentos será encarada como uma consequência da nova política da fabricante.

Citando como exemplo o SUV-cupê Arkana lançado há pouco tempo pela Renault na Europa ocidental, Cambolive cita que o modelo posiciona a marca de forma competitiva na faixa dos 30.000 euros, enquanto o valor médio da gama Renault na Europa gravita em 15.000 euros. Logo, a premissa da marca será apostar em produtos mais sofisticados e que ofereçam maior valor agregado, colaborando também para a saúde financeira da marca ao permitirem margens de lucro superiores. 

Com isso, o foco da Renault a partir de agora será em modelos de médio porte (segmento C europeu) e veículos eletrificados ou 100% elétricos, como é o caso do Zoe já comercializado no Brasil. A fabricante anunciou nesta quinta-feira que já prepara um novo conjunto motriz híbrido, em especial para seus futuros SUVs de médio porte, que vai combinar um novo motor 1.2 com 3 cilindros a um propulsor elétrico buscando maximizar a eficiência. Ele vai estrear em 2022 em uma configuração de 200 cv e, em 2024, ganhará uma variante plugável de 280 cv oferecendo ainda tração integral.

Complementando a ênfase em carros eletrificados, a Renault adiantou que espera chegar em 2030 com 9 em cada 10 modelos vendidos contando com algum tipo de eletrificação. Até 2025, a Renault espera lançar 7 novos modelos dos segmentos C e D (médios a grandes), todos eletrificados. A conta já começa pelo Arkana e engloba a próxima geração do Mégane.

Renault Arkana 2020
Renault Arkana: SUV-cupê é um bom exemplo da nova estratégia da marca com foco em modelos mais sofisticados
Imagem: Divulgação

Buscar valor para a marca no Brasil e região 

Durante a sessão de perguntas e respostas na parte final do Renault Talk, Luca de Meo, atual CEO da Renault, apontou algumas diretrizes da companhia especificamente para o Brasil, Argentina e demais mercados da América do Sul.

Hoje com um portfólio praticamente originado da Dacia, divisão de baixo custo do Grupo Renault, o principal executivo da marca francesa reconheceu que “a estratégia de buscar apenas ganhos em participação de mercado não foi algo bom para a Renault”.

Por conta disso, adianta Luca de Meo, a meta agora é agregar valor para a marca Renault na região. “Vamos levar a Renault a um nível de mercado que ela merece”, pontuou o executivo. É fato que desde 2018 já surgiram informações de que a Renault preparava seu portfólio para se tornar menos dependente da Dacia em alguns mercados.

A guinada na estratégia da Renault para a América do Sul começará a ser vista entre 2023 e 2024, adianta Luca de Meo, quando novos produtos serão apresentados por aqui. “Ofereceremos produtos de grande qualidade. Não queremos tratar o Brasil diferente do modo como tratamos o mercado europeu”, declarou o executivo. Ainda de acordo com o CEO da Renault, a América Latina servirá como uma das bases para o desenvolvimento de novos produtos internacionais da marca.

Nos resta saber como a Renault vai procurar mudar sua imagem por aqui, migrando de uma marca vinculada a produtos acessíveis, como é o caso de Kwid, Sandero e Logan, para automóveis mais sofisticados.

Há alguns meses foi aventada a possibilidade do Arkana ser nacionalizado, porém a ideia parece ter sido cancelada pela marca. O que parece mais concreto no horizonte de médio prazo é a entrada da Renault no segmento de SUVs de maior porte talvez com um produto derivado do conceito Dacia Bigster revelado neste ano, bem como trazer para o portfólio nacional o Renault Taliant, adaptação da marca francesa para a nova geração do Dacia Logan. De qualquer forma, vamos acompanhar de perto os próximos passos da fabricante e traremos todos os detalhes aqui no AUTOO.

Tomando como base o Dacia Bigster Concept, designer Kleber Silva imaginou um SUV 7 lugares acessível para a Renault
Conceito Dacia Bigster deve se tornar realidade no Brasil sob a marca Renault: SUV ficaria posicionado acima do Duster 
Imagem: Kleber Silva