Etanol está no foco da Fiat Chrysler para tecnologias de propulsão no Brasil

Fabricante trabalha para reduzir o ''gap'' energético entre etanol e gasolina
Combustível

Combustível | Imagem: Reprodução internet

A Fiat Chrysler já vem dando sinais há um bom tempo de que procura realçar as vantagens do etanol como uma grande vantagem estratégica do Brasil. Um bom exemplo foi visto no motor chamado pela fabricante de E4, até o momento um estudo baseado no propulsor 1.3 turbo e que foi concebido para um uso otimizado do combustível de origem vegetal.

Mais detalhes sobre a estratégia da FCA para estimular o uso do etanol no Brasil foram apresentados por João Irineu Medeiros, diretor de assuntos regulatórios e compliance da montadora, na 19ª Conferência Internacional Datagro sobre açúcar e etanol. Segundo o executivo, “as perspectivas para a ampliação do uso do etanol são promissoras, devido ao esforço conjunto dos produtores do combustível e de veículos. Quando considerado o conceito well-to-wheel (no caso, do campo à roda), o uso do etanol é altamente eficiente do ponto de vista de emissões. Isto porque a cana-de-açúcar em seu ciclo de desenvolvimento vegetal absorve de 70% a 80% do CO2 liberado na produção e queima do etanol combustível”.

O que é muito interessante no caso da Fiat Chrysler aqui no Brasil, é que a empresa trabalha para uma grande conquista no caso do uso do etanol como combustível, que seria eliminar a diferença de aproveitamento energético em relação à gasolina. Certamente isso ajudaria a popularizar ainda mais o etanol por aqui, sobretudo em regiões onde seu preço é semelhante ao do combustível obtido do petróleo.

“O gap energético entre o etanol e a gasolina gira em torno de 30%, mas estamos trabalhando para reduzir esta lacuna, empregando novos conceitos e novas tecnologias, algumas com patente própria. Estamos aprimorando calibração, partida a frio, razão ar/combustível, injeção direta, turboalimentação e melhoria termodinâmica. Com isto, o etanol será viável mesmo nos níveis rigorosos de regulamentação previstos para a próxima década. O etanol também é um combustível competitivo para veículos híbridos das categorias HEV e PHEV (híbrido plug-in) e pode tornar-se a base de células de combustível eficientes”, destaca Medeiros.

Vale a pena citar que a Toyota saiu na frente e lançou neste ano o primeiro híbrido flex do mundo, no caso o Corolla em sua 12ª geração produzido aqui no Brasil. A Nissan, por sua vez, estabeleceu parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para explorar a tecnologia de célula de combustível de óxido sólido, que pode trabalhar com etanol para a geração de energia elétrica e, com isso, movimentar os automóveis de uma maneira completamente isenta de poluentes.

Na opinião do executivo da Fiat, contudo, ainda existem muitos pontos que precisam ser aprimorados na cadeia do etanol nacional. “Um exemplo é a necessidade de melhorar a especificação do combustível, com redução do conteúdo de água no etanol. Outra vertente é o desenvolvimento do etanol de segunda geração. Com isto, será possível ampliar a utilização do etanol na matriz energética da mobilidade, melhorar em cadeia o consumo dos veículos e, consequentemente, reduzir o nível de emissão de CO2”.

“O Brasil tem quatro décadas de acúmulo de tecnologia na produção do etanol combustível e de veículos que o utilizam. Intensificar a opção pelo etanol é uma decisão inteligente, que leva em conta a imensa plataforma produtiva, logística e de distribuição já implantada no país. Temos que tirar disto as vantagens comparativas que representam na busca de uma mobilidade com menos carbono e de um balanço mais favorável de emissões. Temos que investir tempo, dinheiro e inteligência. E só o Brasil pode fazer isto. Nenhum outro país tem um ativo desta importância e magnitude. Para isto nós precisamos de uma agenda estratégica compartilhada entre governo, empresas, universidades e sociedade”, conclui João Irineu Medeiros, da FCA.

Acima o motor 1.3 turbo já usado pela Fiat Chrysler na Europa
Novos motores turbo da FCA fabricados no Brasil deverão potencializar a eficiência no uso de etanol
Imagem: Divulgação

 

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