Fabricantes chineses saem na frente na eletrificação de carros no Brasil
Marcas como GWM, CAOA Chery, BYD e JAC têm apostado em veículos elétricos enquanto rivais tradicionais ainda dão passos tímidos nesse sentido
Pode se dizer que as montadoras de veículos da China foram as últimas a chegar ao Brasil, a partir do final dos anos 2000, mas ao menos em relação à eletrificação de seus veículos, essas empresas parecem que irão tomar a dianteira em nosso mercado.
Enquanto as fabricantes tradicionais ainda têm se mostrado reticentes quanto a investir na tecnologia em nosso país empresas como a JAC já apostam nos veículos elétricos há bastante tempo.
Embora seus emplacamentos sejam modestos, a marca dirigida por Sérgio Habib já vende três vezes mais modelos elétricos que a combustão. Em 2022, por exemplo, foram 262 carros ‘plugados’ contra apenas 93 poluentes. O destaque tem sido o pequeno E-JS1, com 189 unidades vendidas até o mês passado.
Mas são as outras três montadoras chinesas que mais impressionam. A BYD, uma das maiores fabricantes de baterias de íon de lítio do mundo e que investe na eletrificação em várias áreas, já comercializa ônibus elétricos a bateria no Brasil e acaba de lançar seus primeiros automóveis sustentáveis no mercado.
Por enquanto, a iniciativa é restrita a modelos de luxo e que estão sendo importados, mas não será surpresa se a BYD resolver ampliar sua presença nos próximos anos com uma linha mais acessível.
Já Great Wall Motors promete chegar fazendo barulho (não em seus carros) a partir de 2023. A fabricante focada em SUVs e picapes adquiriu a fábrica da Mercedes-Benz em Iracemápolis e montará no local modelos híbridos com grande autonomia com eletricidade apenas. As marcas previstas para estrear por aqui serão a Poer (picapes), Haval (SUVs) e Tank, com, pegada 4x4.
Fábrica em transformação
O mais recente anúncio em direção à eletrificação veio da CAOA Chery. Montadora chinesa de maior sucesso no Brasil após a associação com o grupo brasileiro, a empresa decidiu fechar a unidade de Jacareí (SP) por três anos para transformá-la numa linha de montagem de veículos elétricos.
Além disso, a meta é ter um portfólio apenas de veículos híbridos e elétricos até o final de 2023.
O panorama entre elas, portanto, é bem mais alinhado à tendência mundial de redução brutal da produção e venda de veículos a combustão.
Algo bastante diferente de concorrentes já há muito estabelecidos no Brasil. Uma das exceções é a Toyota, que hoje vende um grande volume de veículos híbridos na linha Corolla e Corolla Cross. Ou da Volvo que, embora ainda preserve a posição de importadora, já confirmou a intenção de eletrificar todos os seus modelos.
A aposta chinesa nos veículos sustentáveis pode ser uma jogada de mestre dentro de alguns anos. Com menos a perder, essas marcas têm tudo para conseguir uma transição mais rápida para o mercado 100% de elétricos. Se der certo, o cenário daqui a alguns anos será bem diferente do atual. Para o bem do meio ambiente e da nossa saúde.
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