Fabricantes pedem igualdade e criticam BYD às vésperas de decisão da Camex
Volkswagen, Stellantis, GM e Toyota enviaram comunicado alertando sobre riscos de rever investimentos no Brasil
As fabricantes Volkswagen, Stellantis, GM e Toyota se manifestaram a respeito do pleito da marca chinesa BYD que pediu ao governo redução dos impostos de importação dos kits SKD (peças semidesmontadas) para 10% e 5% para os CKD (completamente desmontadas) para modelos híbridos e elétricos.
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O pedido e outras questões ligadas à indústria automotiva serão analisados e uma decisão vai ser anunciada depois da reunião marcada para amanhã (30), com o Gecex (Comitê Executivo de Gestão da Camex) e a Câmara de Comércio Exterior, que fazem parte do governo federal.
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No comunicado enviado pelas fabricantes consta que a possível concessão da redução de imposto pedida pela BYD representa um grade retrocesso e coloca em xeque décadas de investimento, compromete empregos qualificados e ameaça a competitividade de quem de fato produz no País.
Por sua vez, a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) disse que a possível redução de tarifas para importação de kits SKD e CKD, como pleiteado, favorecerá a revisão dos R$ 180 bilhões de investimentos anunciados até 2030. “Esses recursos não são apenas números, representam empregos, inovação, adensamento tecnológico e soberania produtiva. Compromete-se o futuro da indústria automotiva brasileira e sua capacidade de competir globalmente com justiça e equilíbrio”, relatou o presidente da Anfavea, Igor Calvet.
Ontem (28), durante entrevista coletiva à imprensa, o Vice-Presidente da República, Geraldo Alckmin, chegou a falar sobre o assunto, citando que uma possível solução seria atender pleitos das duas partes: o da Anfavea, que deseja a retomada imediata dos 35% do imposto de importação para veículos montados, e o da BYD, criando cotas para importação de CKD e SKD de eletrificados.
Fábrica da BYD ainda não está operando

Imagem: Divulgação
No dia 1º de julho, no mesmo dia em que as alíquotas de importação sobem de 18% para 25% para carros totalmente elétricos e de 20% para 28% no caso dos híbridos plug-in, a BYD fez um grande evento para marcar o início da operação da fábrica em Camaçari (BA), onde ficava a Ford.
Mas, a produção dos veículos ainda não estava acontecendo. Como admitiu Alexandre Baldy, vice-presidente sênior, faltava ainda a licença de operação a ser obtida em algumas semanas. Também foi confirmado que no primeiro ano haverá apenas a remontagem de veículos importados no regime primário de semidesmontados (SKD).
Nacionalização plena está prevista para as próximas fases, quando a fábrica passará a operar com produção integral daqui a um ano. Por enquanto, apenas os pneus virão da Continental, instalada no mesmo município. Há tratativas em curso com outros 160 fornecedores.
A capacidade instalada inicial é de 150 mil veículos por ano, cerca de duas vezes o que a marca chinesa vendeu no ano passado por meio de 180 concessionárias, que podem chegar a 240 até o fim de 2025.
O pleito da BYD que será decido se será concedido ou não envolve a redução das tarifas de importação de kits de veículos em CKD e SKD de 18 a 20% para 5 e 10%. Segundo a fabricante chinesa, há a geração de empregos para a sua montagem em Camaçari (BA).
