Kombi 'Corujinha' de 57 anos Bege Claro brilha como nova; veja preço da raridade

Cada vez mais valorizado, clássico da Volkswagen é uma espécie em extinção hoje em dia
VW Kombi

VW Kombi | Imagem: Reprodução/Lart

A Volkswagen Kombi transformou-se em uma espécie de galinhas, ou melhor, ‘corujinhas’ dos ovos de ouro. A van que ganhou o apelido da notável ave de rapina foi o primeiro veículo a sair da fábrica da Volkswagen do Brasil. Além disso, é também o pioneiro na lista dos clássicos mais desejados e valorizados hoje.

VEJA TAMBÉM:

Disputada por colecionadores, inclusive fora do Brasil, a loja de veículos clássicos Lart tem uma Volkswagen Kombi 1969 Bege Claro que preserva a maior parte dos detalhes originais. Só a pintura externa foi restaurada, mas vidros, para-choques, faróis, setas, lanternas e calotas são originais do veículo.

Receba notícias quentes sobre carros em seu WhatsApp! Clique no link e siga o Canal do AUTOO.

A van da Volkswagen, que está há mais de 15 anos com o mesmo dono, passou por intervenções pontuais, mantendo o cuidado de preservar a originalidade. Um detalhe curioso é o sistema de para-brisa escamoteável ou basculante, popularmente chamado de Safari, um acessório que nunca existiu nos modelos nacionais. 

TODA ORIGINAL

VW Kombi
VW Kombi está em raro estado de conservação e com aspecto original, para-choques e calotas na cor branca
Imagem: Reprodução/Lart

Internamente, os bancos em vinil bege e o volante branco de plástico estão bem conservados e fielmente testemunhados pela época. Toda a pintura interna do teto e das paredes laterais do salão e da parede divisória que abriga o estepe são originais.

Bem ao centro do painel, o velocímetro é grande e conta com escala até 120 km/h. Concentrado a ele, há um odômetro inferior. À esquerda, um pouco mais distante, há um medidor de nível de combustível. Até um simpático Motoradio, um acessório muito cultuado da época, dá o ar das boas-vindas a seus ocupantes.

VW Kombi
VW Kombi vem até com um raríssimo rádio original de fábrica, da Motoradio, além de para-brisa basculante e outros detalhes
Imagem: Reprodução/Lart

O motor boxer 1.5, ou 1500, como era conhecido (1.493 cm³), refrigerado a ar de quatro cilindros, rende a potência de apenas 52 cv e um torque de 9,1 kgfm, graças à ajuda do câmbio manual de quatro marchas. Dados de desempenho propiciavam ao veículo a velocidade máxima de 100 km/h, nada muito além, considerando que é um veículo pensado para trabalho e uso na cidade.

Em compensação, seus 970 kg de transporte de carga útil eram uma mão na roda para fazer pequenas mudanças ou entregas.Este grande clássico da Volkswagen está à venda por R$ 159 mil, um preço único para ter uma das Corujinhas mais preservadas da loja.

  

A ORIGEM DA KOMBI NO BRASIL

Primeira unidade da Kombi fabricada no Brasil, na unidade de São Bernardo do Campo (SP), em 1957
Primeira unidade da Kombi fabricada no Brasil, na unidade de São Bernardo do Campo (SP), em 1957
Imagem: Divulgação

O nome de batismo do Tipo 2, Kombi, vem de Kombinationsfahrzeug, que no idioma germânico significa veículo combinado ou combinação do espaço para carga e passeio, e foi assim que o público brasileiro conheceu um dos veículos mais populares da história da indústria automobilística. Por aqui, as primeiras unidades vieram importadas no ano de 1949. 

Graças ao sucesso de vendas, quatro anos mais tarde, a matriz alemã resolveu instalar uma filial no Brasil em parceria com a Brasmotor, que também foi representante da americana Chrysler e proprietária da Brastemp na época. Nela, eram montados, distribuídos e vendidos modelos da Kombi e do Fusca. Em 1956, o grupo GEIA (Grupo Executivo da Indústria Automobilística) e a Volkswagen iniciaram a construção da fábrica na cidade paulista de São Bernardo do Campo.

Em 1957, saíram as primeiras unidades da “Velha Senhora” da VW, que já contava com 100% de índice de nacionalização. Praticamente idêntica à versão alemã, a nossa Kombi contava inicialmente com motor de 1.192 cm³ e 36 cv a 3.400 rpm, contando com a velocidade máxima de 100 km/h.

Volkswagen Kombi
Volkswagen Kombi "Clipper" apareceu em 1975 quando o utilitário já somou 3 milhões de unidades produzidas
Imagem: Divulgação

Até o ano de 1975, a Kombi contava com 3 milhões de unidades produzidas, encerrando esta linha de carroceria. Até esta data, a van teve diversas versões interessantes, tanto de carroceria quanto de acabamento. Entre algumas delas: furgão, picape, standard, luxo, turismo, especial.

As opções Luxo e Standard, além da Lotação, lançada em 1967, eram as versões mais populares. Curiosamente, foram lançadas com seis portas, sendo duas para cada fileira de bancos. Este modelo ficou popularmente conhecido como Corujinha devido à sua frente estilizada, que se assemelha ao animal. Hoje um raro modelo, disputado por colecionadores. A série Corujinha da Kombi foi até 1975, pois, no mesmo ano, a Volkswagen já introduziu a Kombi renovada, conhecida como Clipper.

Fernando Garcia

Especialista em análises do mercado de veículos usados, Fernando Garcia tem passagens por revistas automobilísticas e no AUTOO traz vários artigos especiais com curiosidades, serviços e dicas.