Fiat Palio, a primeira geração

Nascido para assumir o lugar do antigo Uno em 1996, modelo tornou-se o veículo mais importante da Fiat

Fiat Palio lançado em 1996 | Imagem: Divulgação

Um dos mais importantes automóveis nacionais ganhou um novo capítulo em sua história, quando a Fiat lançou a 2ª geração do Palio numa grande festa em Belo Horizonte, MG. Mais esportivo e sofisticado, o novo hatch terá uma missão diferente de seu predecessor, lançado há 15 anos com a difícil e equivocada tarefa de assumir o lugar do Uno.

Na época, a marca italiana passava por uma fase de crescimento causada pelo surgimento do carro popular, com motor 1.0. O Uno foi o grande protagonista desse período, mas já acumulava mais de dez anos no mercado e a Fiat imaginou que fosse hora de aposentar o modelo por um projeto mais atual.

Na Europa, a montadora trocou o Uno pelo Punto, um modelo maior e mais sofisticado, mas que, para países subdesenvolvidos, custaria caro. A solução foi utilizar a base do modelo europeu, porém com mecânica simplificada e robusta, para passar a sensação de produto durável e confiável.

Começava ai a história do Fiat Palio. Clinicas foram feitas, testes realizados, desenhos apresentados até que finalmente em 1996 o novo hatch compacto apareceu. O projeto foi tocado no Brasil com ajuda da matriz e possuía um design inovador com formas arredondadas, faróis afilados com leve inspiração no Punto e nos irmãos maiores Brava e Marea, lanternas traseiras com desenho irregular que invadiam o vidro traseiro, pára-brisa bastante inclinado e interior com formas suaves.

O Palio teve a primazia entre os modelos nacionais de oferecer airbag duplo e também surpreendeu por ter sido lançado simultaneamente em versões de três e cinco portas. De início, o compacto tinha duas versões, a EL com motor 1.5 e a versão 16V com propulsor 1.6 16V. Está última era a estrela da linha porque tinha 106 cv e fazia de 0 a 100 km/h em 9,5 segundos com máxima de 188 km/h. Embora não fosse considerada pela Fiat como esportiva, ela era sempre comparada às versões GTi e GSi de Gol e Corsa, respectivamente.

Pouco tempo depois, o compacto ganhou o motor 1.0 e duas novas versões, a ED e a EDX. O intuito da marca era substituir o Uno de vez com elas, o que não aconteceu devido aos bons números de vendas da “botinha ortopédica”. Como era de se esperar, o Palio deu origem a uma família inteira com sedã compacto (Siena), perua (Palio Weekend) e picape (Strada).

Em 1998 a versão EL abandona o motor 1.5 e adota o 1.6 8V de 82 cv fabricado na Argentina. Um ano depois, todas as versões foram renomeadas, passando a fazer parte do catalogo a EX 1.0 três portas, a ELX 1.0 quatro portas e a ELX 1.6 8V. Surgia também a versão Citymatic, baseada na ELX com motor 1.0. Ela era equipada com embreagem automática e não custava caro na época (diferença de R$ 800 da versão sem o sistema), mas, como não teve grande aceitação no mercado, a Fiat acabou por descontinuar sua produção.

Em 2000 chegaram ao mercado os motores Fire. De início, oferecido apenas na configuração 1.3 16V de 80 cv, o motor equipava apenas a versão ELX, que era uma intermediária entre as versões populares e mais equipadas. Mas mesmo com tanta inovação o modelo já estava sentindo o peso da idade chegar - parte disso era causado pela renovação visual do Gol, que ocorreu em 1999.

Com a mão de Giugiaro

Ao contrário da primeira fase, desta vez a Fiat optou por escalar o eficiente estúdio Italdesign, do mago Giorgetto Giugiaro, para repensar as linhas do compacto. Com inspiração novamente na linha Brava e Marea, mudaram faróis, lanternas traseiras, para-choques, capô, retrovisores e parte do interior. Com essa revisão de estilo também vieram críticas, pois o modelo ficou muito semelhante ao seu rival Gol, principalmente na dianteira, onde os faróis ganharam recortes retos e capô com dois vincos acentuados semelhantes aos encontrado no modelo alemão.

Na traseira, as lanternas passaram a ter cortes mais arredondados e a disposição das luzes foram alteradas, mas nada de tão dramático. No interior apenas o painel mudou, com a parte central em plástico na cor cinza e o restante em plástico preto e ganhando novos comandos. Mas aquele desenho básico da versão anterior continuava.

No entanto, a grande mudança estava debaixo do capô. A primeira reestilização do Palio estreava o novo motor 1.0 Fire que substituía o Fiasa 1.0 vendido anteriormente. Esse novo propulsor era mais moderno, leve e econômico e ainda tinha duas variações, o 8V de 55 cv e o 16V de 70 cv. Entrava também em cena a versão Young, que carregava a carroceria do modelo lançado em 1996. Essa versão de entrada permaneceu no mercado até 2002, quando a Fiat lançou o Palio Fire, versão que viria a ser a mais vendida da linha nos dias atuais.

Ainda no mesmo ano, entrou em cena o motor Fire 1.3 com 8V que equipava a versão ELX. Na época possuía 67 cv e vinha como opção mais barata ao 1.3 16V. Em 2003, Fiat e GM criaram a Powertrain, empresa de motores e transmissões, e isso, no Brasil, se traduziu na substituição dos excelentes motores 1.6 16V importados da Itália pelo motor 1.8 8V de 103 cv da americana.

Meses depois volta ao mercado o motor 1.5 8V. Dessa vez, movido à álcool, esse propulsor equipava apenas as versões mais básicas do carro e era destinado, principalmente, a taxistas. Ainda em 2003, sentindo a ameaça do Fox, que chegava na época para substituir o Gol, a Fiat mexeu novamente no design do carro.

Fiat pede bis a Giorgetto

Solicitado novamente, o estúdio Italdesign fez uma nova plástica no Palio, mas desta vez a marca italiana solicitou que o bisturi fosse mais atuante. Com inspiração no Fiat Stilo, lançado em 2002, o ”novo” Palio ganhou novos faróis com dupla parábola que, em sua parte inferior, eram abaulados, lanternas traseiras verticalizadas, com mais retas angulosas e que ainda invadia parte do vidro traseiro, retrovisores maiores e capô, para-choques e maçanetas retrabalhados.

Mas foi no interior que o hatch sofreu a maior parte da mudança. O modelo ganhou linhas retas e mais elegantes, onde volante, comandos sistema de ar, porta-luvas (que era duplo), bancos dianteiros, painéis das portas e tudo o que você imaginar eram novos. Mais uma vez o Palio garantiu a primazia por ser o primeiro veículo nacional a oferecer sidebags (airbags laterais), tocador de CDs com MP3 Player e ajuste do banco com comandos elétricos, além de ser o primeiro de sua categoria a ser equipado com computador de bordo. No geral o ambiente da cabine agradava porque, em vista dos modelos daquela época, os materiais empregados o habitaculo eram de boa qualidade.

Ainda no lançamento, o carro passava a contar com a tecnologia flex para os motores 1.0, 1.3 e 1.8 todos 8V. As versões foram enxugadas e passavam a ser quatro no total – Fire, EX, ELX e HLX. Em 2005 saiu de cena o motor 1.3 para a entrada do 1.4 flex que rendia 80 cv.

O ano de 2006 marcou o retorno da versão esportiva “R”, uma reedição do clássico Uno 1.4R e 1.5R adaptada ao Fiat Palio. Equipado com o motor 1.8 da versão HLX, ela tinha uma pegada mais esportiva, embora oferecesse apenas três cavalos a mais. Neste mesmo ano o Palio Fire ganhou a carroceria da última reestilização, mas o interior permaneceu o do modelo lançado em 2001. Antes do ano acabar o compacto conseguiu se tornar por dois meses consecultivos (setembro e outubro) o líder de vendas, à frente do Gol, que que não perdia essa condição desde 1987, mas isso não duraria muito, pois uma terceira remodelação estava a caminho e mudaria a história do carro.

Rebaixado para ceder lugar ao Punto

Em 2007 aconteceu algo que não agradou nem a gregos e nem a troianos: o Fiat Palio sofreu mais um facelift. Desta vez, em vez de mudar o visual do carro para melhor, aconteceu o contrário. O modelo sofreu uma “leve” depenação, perdendo os faróis de dupla parábola, a personalidade e o design limpo para ceder lugar a linhas que lembrava os carros japoneses comercializados na década de 1990. As lanternas traseiras ficaram horizontais, o painel do motorista, na versão ELX, ficou mais básico e a HLX deixou de existir para não canibalizar as versões de entrada do Fiat Punto.

Nas laterais, as caixas das rodas ficaram mais largas e surgiu um vinco que cortava o carro de ponta a ponta na altura das maçanetas. Na dianteira o carro tinha clara inspiração nos modelos Linea e Punto lançados na Europa, mas que ainda eram desconhecidos no mercado nacional.

A resposta do mercado veio logo em seguida com a queda nas vendas do Palio e com a ascensão da versão Fire, que passou a ser a mais vendida da linha. A reação apareceu em dois estágios, o primeiro em 2008 quando a Fiat incluiu um maior número de itens de série no compacto para deixá-lo com um custo beneficio melhor que o da concorrência, já que o visual não ajudava. O segundo ocorreu em 2009, quando o hatch passou a usar a mesma frente do sedã Siena, com faróis de dupla parábola, sendo a lanterna de facho baixo elipsoidal. Junto com a mudança estreava o câmbio automatizado Dualogic na versão ELX que marcou também a volta do motor 1.8 ao modelo. Nesse mesmo ano, a versão Fire passou a se chamar Fire Economy e trazendo o mesmo painel do Mille Economy.

Em 2010 houve várias mudanças, como, por exemplo, a troca do motor 1.8 de origem GM pelo 1.6 16V E.torQ e a substituição da sigla ELX 1.4 e 1.8 pelas nomenclaturas Attractive e Essence. Mas a mudança que mais abalou o hatch foi a chegada da nova geração do Fiat Uno. O Palio, que já não andava bem das pernas, viu suas vendas despencarem, caindo de pouco mais de 204 mil unidades vendidas em 2009, para 136 mil em 2010.

Apesar do final melancólico, a primeira geração do Palio foi um passo importante para a conquista da liderança do mercado brasileiro, uma posição única para a Fiat no mundo.

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