Fiat Toro Ranch fica quase tão refinada quanto a Rampage com novo motor 2.2 turbodiesel
Picape intermediária evoluiu em conforto, consumo e desempenho com o propulsor da "prima rica"
Com mais de meio milhão de unidades produzidas em Goiana (PE) desde o seu lançamento, em 2016, e prestes a passar por mais uma atualização visual e de conteúdo, a Fiat Toro entrou na linha 2025 com uma importante novidade sob o capô: o motor 2.2 turbodiesel que também equipa a “prima” Ram Rampage e o Jeep Commander.
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Desde fevereiro, o novo propulsor é oferecido nas versões Volcano e Ranch, mais voltadas a quem necessita de autonomia maior que o das configurações equipadas com o 1.3 turboflex, focadas no uso mais urbano (Endurance e Freedom) e atividades de lazer (Volcano e Ultra).
Já adiantamos que a Fiat Toro melhorou sensivelmente em desempenho ao substituir o antigo 2.0 turbodiesel de 170 cv de potência e 35,7 kgfm de torque pelo 2.2 turbodiesel de respectivos 200 cv e 45,9 kgfm. De acordo com os dados de fábrica, a aceleração de 0 a 100 km/h caiu de 11,6 para 9,6 segundos, enquanto a velocidade máxima da picape subiu de 193 km/h para 201 km/h.
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Logo de cara, o motorista percebe que a Fiat Toro 2.2 turbodiesel é mais disposta graças ao torque 28% superior e pela resposta mais ágil do acelerador, que aparentemente sofreu uma reprogramação eletrônica.
Novo motor fez bem à picape

Imagem: Divulgação
No trânsito urbano, a picape embala rapidamente sem precisar abusar do pedal do lado direito. Na estrada, o motor aproveita essa força para trabalhar a maior parte do tempo abaixo das 2.000 rpm, favorecendo o conforto acústico e o consumo de combustível.
Por falar em consumo, mesmo ganhando por volta de 15 kg em relação ao modelo com motor 2.0 turbodiesel, a Fiat Toro 2025 está mais econômica, uma vez que a relação peso/potência caiu de 11,35 kg/cv para 9,73 kg/cv. A medição do Inmetro informa médias de 10,5 km/l na cidade e 13,6 km/l na estrada. No entanto, durante os nossos testes, o computador de bordo apontou 10 km/l em uso urbano e 16,1 km/l no trajeto rodoviário.
O câmbio automático de nove marchas fornecido pela ZF passou por uma atualização no gerenciamento eletrônico e ganhou novos componentes para “casar” com o novo motor, resultando num conjunto de funcionamento suave a maior parte do tempo.
A tração integral segue sob demanda, com acionamento automático quando o sistema detecta a perda de aderência em uma das rodas dianteiras. Porém, o motorista pode manter o recurso em funcionamento apertando uma tecla no painel, diferentemente da “prima” Rampage, que possui apenas o botão da reduzida – que em ambas as picapes, basicamente, aproveita a relação mais curta da primeira marcha para enviar mais força às quatro rodas.
Melhorias nas suspensões também foram aplicadas para a Fiat Toro lidar com o ganho de potência. O comportamento dinâmico continua sendo mais parecido com o de um carro de passeio que o de uma picape, mas é notável que o rodar está mais macio, absorvendo melhor as imperfeições do piso, porém sem comprometer a estabilidade.

Imagem: Guilherme Silva
Os freios foram aprimorados com a adoção do sistema da Rampage, que utiliza discos dianteiros maiores. Porém, a Toro fica devendo os discos nas rodas traseiras presentes na “prima rica”.
Construída a partir da estrutura monobloco Small Wide (a mesma dos modelos da Jeep fabricados em Pernambuco), a Fiat Toro tem as suas limitações em comparação com as picapes de chassi sob a carroceria, que são mais robustas e capazes no fora-de-estrada (para essas funções, a Fiat oferece a Titano).
Ainda assim, ela cumpre bem a tarefa de levar seus ocupantes com conforto e segurança a locais sem asfalto, como fazendas e praias mais afastadas, desde que não tenha de encarar uma trilha pesada.
Interior equipado

Imagem: Guilherme Silva
Mas a capacidade de carga de uma tonelada e a caçamba de 937 litros – que para a maioria dos seus usuários acaba servindo como um enorme porta-malas – evidenciam a versatilidade da Toro para tarefas cotidianas e de lazer.Quase tão refinada quanto a Rampage
Na versão topo de linha Ranch (a partir de R$ 224.990), a Fiat Toro 2.2 turbodiesel ostenta o visual “agroboy”, caracterizado pelo acabamento cromado na grade frontal, nas molduras dos faróis de neblina, nos retrovisores, nos estribos e no santantônio sobre a caçamba, que já sai de fábrica com capota marítima. As rodas de liga leve de 18 polegadas foram atualizadas.
A cabine segue com a padronagem de couro marrom, mas com um aplique no painel imitando madeira escura. De resto, é praticamente tudo igual às outras versões, incluindo a ausência de material macio ao toque sobre o painel que a Rampage possui.
Nessa configuração, a picape traz ar-condicionado digital de duas zonas, painel digital de 7”, central multimídia de 10,1” com Android Auto e Apple CarPlay (conexão sem fio), câmera de ré, carregador de celular por indução, banco do motorista com regulagem elétrica, faróis de LED com acendimento automático, retrovisor interno eletrocrômico, sensores de chuva e de estacionamento dianteiros e traseiros.
A lista de itens segurança, que já conta com seis airbags e controles de estabilidade e tração desde a versão de entrada, recebe o reforço da frenagem autônoma, do alerta de mudança de faixa e do acionamento automático do farol alto. Ficou faltando, porém, os sensores de ponto cego nos retrovisores.
Veredicto
A Fiat Toro melhorou sensivelmente com o novo motor, que a deixou ainda mais atraente para os consumidores que necessitam de um veículo com boa autonomia e conforto para viagens longas, porém, mais prático que as picapes médias, que são um tanto desajeitadas para o uso urbano.

Imagem: Guilherme Silva
