Os automóveis europeus estão a cada dia que passa mais longe do mercado brasileiro. Se antes a receita do velho continente agradava ao consumidor daqui, agora os dois mercados se descolaram. Não apenas pelo fator estilo – verdadeiro em alguns casos -, mas, sobretudo, por questões de custo. Na Europa, o público exige modelos mais equipados e de tamanho cada vez maior – um ritmo que o brasileiro não acompanha.

É só reparar como alguns carros bem vistos aqui como o Golf e o Astra simplesmente ficaram inviáveis de serem feitos no país – o Astra até veio mas como um “Vectra tupiniquim”, sinal de seu upgrade.

Como não dá para acompanhá-los, a saída é buscar outras fontes mais baratas, a maior delas o mercado sul-coreano. A General Motors foi a primeira a mudar a procedência de seus modelos. Antes baseada na Opel, agora a linha vem da Daewoo coreana. O Captiva é o exemplo mais nítido disso e o sedã Cruze, sucessor do Vectra, é o próximo da lista. Bem construídos, porém, menos equipados, eles mostram mais força na hora de encarar os japoneses e seus conterrâneos da Hyundai e da Kia.

Foi esse caminho que a Renault percorreu. Mesmo sócia da Nissan a montadora francesa preferiu utilizar sua subsidiária Renault-Samsung para criar o Fluence, um sedã médio que usa a base do Mégane III, mas tem conteúdo mais em conta.

As linhas dos dois carros até se confundem, mas o Fluence é menos exótico, outro aspecto que a Renault parece ter percebido – o de que outros mercados nem sempre aceitam as linhas inusitadas de algumas de suas criações. O Mégane II, feito no Brasil, é o exemplo mais claro. Trata-se de um bom carro, mas sem apelo visual para enfrentar Honda e Toyota.

Câmbio CVT

O Fluence é uma versão do SM3, sedã que a Samsung criou sobre a plataforma do Mégane III. Maior que atual Mégane, o modelo oferece ótimo espaço interno graças ao entre eixos de 2,70 m e a largura de 1,81 m. O porta-malas também é generoso: são 530 litros de capacidade.

Ele será fabricado inicialmente na Turquia para abastecer o mercado local e também a Romênia e a Rússia. Mas sua chegada à América do Sul já tem até data para ocorrer – 2011. O governo argentino assinou acordo com a Renault para produzir o Fluence lá, ou seja, a unidade de São José dos Pinhais, no Paraná, perderá o modelo para se concentrar em carros baratos, inclusive num inédito compacto da Nissan.

O Fluence deve manter os dois motores do Mégane II, um 1.6 Flex e um 2.0 a gasolina, mas receberá o câmbio CVT semelhante ao usado no Nissan Sentra no lugar da transmissão de 4 velocidades atual.

Carlos Ghosn, o presidente do grupo Renault-Nissan, deverá anunciar o Fluence e outros produtos no novo plano Shift para a região nas próximas semanas.

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Ricardo Meier

Publisher do AUTOO, é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

Ricardo Meier | http://www.jcceditorial.com.br/

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