Ford trabalha na nova geração da Ranger para se defender dos chineses; saiba quando chega
Picape da marca norte-americana está sendo desenvolvida primeiramente por engenheiros da Austrália
A Ford já iniciou na Austrália o desenvolvimento da próxima geração da Ranger, que tem lançamento previsto para 2030, informa o site australiano Drive. Engenheiros que trabalham no centro de desenvolvimento da marca no país já estão envolvidos no projeto e, se os planos forem mantidos, poderão acompanhar a picape até a conclusão do processo.
VEJA TAMBÉM:
O futuro do programa, porém, ainda não está totalmente assegurado. O CEO da Ford, Jim Farley, colocou em dúvida a viabilidade financeira de manter atividades de engenharia na Austrália, principalmente devido aos elevados custos de mão de obra no país. De qualquer forma a Ranger é um dos produtos globais mais importantes da Ford fora da família F-Series. Vendida em mais de 180 mercados, a picape lidera seu segmento na Europa há 11 anos e foi o veículo mais vendido da Austrália nos últimos três anos.
No Brasil, de acordo com o ranking AUTOO, a Ford Ranger é segunda picape média mais vendida no acumulado e janeiro a agosto de 2026, com 23.506 unidades vendidas atrás apenas da Toyota Hilux (30.207). A terceira colocada é a Chevrolet S10 (20.330). Mas a concorrência tem se tornado mais forte e também de prepara para o futuro.
Receba notícias quentes sobre carros em seu WhatsApp! Clique no link e siga o Canal do AUTOO.
Grande desafio

Imagem: Divulgação
Por isso, cerca de 1.500 engenheiros participam dos trabalhos relacionados à Ranger, um dos modelos de maior importância para a Ford na região. Em entrevista à publicação australiana Drive, o presidente da Ford na Austrália, Fadi Mawal, afirmou que a intenção é manter a equipe local à frente do desenvolvimento da Ranger e também do SUV Everest.
É justamente essa possibilidade que gera incerteza entre os profissionais australianos. Farley já avaliou a possibilidade de reduzir ou até encerrar parte das operações de design e engenharia da Ford no país, considerando o elevado custo para manter engenheiros na Austrália.
O executivo defende que o governo australiano ajude a reduzir essa diferença de custos para que o país consiga competir com centros de desenvolvimento localizados em mercados como China e Vietnã. Caso isso não aconteça, parte dos investimentos da Ford poderá ser direcionada para outras regiões.
Apesar das incertezas, a equipe australiana mantém uma postura otimista. Mawal destacou a experiência dos profissionais locais e o histórico de desenvolvimento de produtos competitivos.
Farley, por sua vez, reforçou que a Ford precisa encontrar uma forma de tornar a operação australiana mais competitiva. Para o CEO, a empresa precisa equilibrar os custos e a velocidade de desenvolvimento com os resultados obtidos em outros países.
Investimento em inovação
O executivo também chamou atenção para o custo elevado da mão de obra especializada na Austrália. Segundo Farley, a Ford está disposta a investir em inovação, mas o governo precisa decidir se pretende manter uma estrutura de engenharia forte no país e, nesse caso, criar condições para reduzir a desvantagem de custos.
A discussão acontece em um momento particularmente complicado para a indústria automotiva australiana. A Ford já não possui a estrutura de produção local que manteve durante décadas, quando fabricava modelos desenvolvidos especificamente para aquele mercado.
Além disso, a marca enfrenta uma concorrência cada vez maior dos fabricantes chineses. Empresas que avançaram rapidamente no mercado australiano vêm conquistando espaço com veículos de preços competitivos, dificultando a atuação de fabricantes tradicionais.
Para a Ford, portanto, controlar os custos de desenvolvimento tornou-se uma questão estratégica. Quanto maior o investimento necessário para criar um novo veículo, maior tende a ser a pressão sobre o preço final para que o projeto seja rentável.
De olho nos chineses

Imagem: Divulgação
A China, que atualmente é uma das principais fontes de veículos importados pela Austrália, também aparece como uma das alternativas mencionadas por Farley para futuras operações de engenharia.
Com isso, a próxima Ranger pode acabar tendo uma participação australiana menor do que a inicialmente planejada. O projeto começou no país e conta com uma grande equipe local, mas parte do desenvolvimento poderá ser transferida para outros centros caso a Ford conclua que os custos australianos são elevados demais.
Por enquanto, a equipe australiana continua trabalhando no projeto e a previsão é que a nova geração da Ranger seja lançada em 2030. O futuro do desenvolvimento no país, entretanto, dependerá das decisões que a Ford e o governo australiano tomarem nos próximos anos.
Ranger híbrida plug-in vem aí

Imagem: Divulgação
A Ford Ranger PHEV já está com chegada confirmada ao Brasil a partir do início de 2027. Virá importada da Argentina com o mesmo conjunto mecânico adotado na África do Sul, onde já é vendida, com a diferença que aqui contará com motor flex.
No caso da versão sul-africana, o motor é o 2.3 EcoBoost a gasolina, de quatro cilindros que funciona com motor elétrico de 102 cv em conjunto com a combustão chegando a uma potência combinada de 279 cv e brutais 71,1 kgfm de torque, o que é mais do que os 61,2 kfgm das versões V6 turbodiesel.
Na configuração mais potente, há duas tomadas de 15 ampères na caçamba. O sistema utiliza a bateria de tração para alimentar ferramentas, dispensando a necessidade de um gerador Nas Ranger PHEV sul-africanas, o consumo médio combinado (híbrido) fica entre 31,2 km/l e 34,4 km/l pelo ciclo WLTP.
