Gasolina poderá ter 35% de etanol no Brasil; saiba detalhes da proposta
Testes vão medir efeitos em motores, consumo e emissões antes de decisão final
Já pensou em abastecer com gasolina e, mesmo assim, estar usando ainda mais etanol sem nem perceber? Pois é exatamente isso que o governo está estudando e agora com um passo a mais, os testes.
A ideia em discussão é elevar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina dos atuais 30% para até 35%, o chamado E35. A proposta faz parte da Lei do Combustível do Futuro (14.993/24), que busca aumentaro uso de fontes renováveis e reduzir as emissões no setor de transportes.
VEJA TAMBÉM:
Como irá funcionar

Imagem: Agência Brasil
Isso quer dizer que o etanol teria ainda mais participação no consumo do país, mesmo que você escolha outro combustível na bomba.
Hoje, muita gente ainda deixa de abastecer com etanol hidratado quando o preço ultrapassa cerca de 70% do valor da gasolina, uma conta já conhecida por quem roda com carro flex. Com a mistura maior, o biocombustível passa a estar mais presente mesmo quando a opção for pela gasolina.
Receba notícias quentes sobre carros em seu WhatsApp! Clique no link e siga o Canal do AUTOO.
Mais de 80% dos carros leves vendidos no país são flex, ou seja, já estão preparados para lidar com diferentes proporções de etanol sem grandes dificuldades.
Mas antes de qualquer decisão, ainda serão feitos muitos testes. O Ministério de Minas e Energia (MME) está coordenando a criação de uma rede nacional de pesquisa para testar, na prática, se essas misturas mais altas funcionam. A ideia é comprovar cientificamente que dá certo.
Tudo isso contará com um investimento de cerca de R$ 30 milhões ao longo de três anos e vai colocar à prova não só a gasolina E35, mas também o diesel com até 25% de biodiesel (B25). Os estudos incluem desde análises laboratoriais até avaliações em motores e veículos em condições realmente de uso.
A coordenação é do centro de pesquisas da ANP, mas o projeto une instituições como UFMG, IPT, Instituto Mauá, INT, LACTEC, UFG, UFRJ e UFRN.
O que será avaliado

Imagem: Agência Brasil
Entre os pontos avaliados estão consumo de combustível, desempenho, eficiência energética e emissões de poluentes. Afinal, a ideia é diminuir a dependência de combustíveis fósseis e tornar a energia do Brasil mais sustentável.
Ao mesmo tempo, o MME também trabalha na definição dos testes com o Comitê Técnico Permanente do Combustível do Futuro, unindo montadoras, fabricantes de motores e representantes do setor de combustíveis.
No caso do biodiesel, o plano já foi colocado em consulta pública, permitindo que especialistas e empresas enviem sugestões, isso ajuda a dar mais transparência e base técnica às decisões.
Vale lembrar que não seria a primeira vez que a gasolina brasileira passa por mudanças. A mistura E27, por exemplo, também passou por testes e validações antes de chegar às bombas.
