Apesar de ser a 5ª marca mais vendida do Brasil, a Honda não ficará vendo seus rivais se aproximarem. É o recado que a direção da marca passou nesta terça-feira, durante visita da imprensa especializada à fábrica de Sumaré.

Embora neguem seus planos, a montadora anunciou que investirá US$ 1 bilhão até 2013, mas desconversou a respeito do destino desse dinheiro. Segundo seus executivos, o valor servirá para otimizar a produção com mais robôs e produção de peças e componentes “in house”. Um exemplo é a unidade de injeção e pintura plástica inaugurada em 2008 e que produz desde para-choques e paineis até peças pequenas do interior de seus modelos.

Mas está claro que a Honda partirá para a disputa do segmento de compactos. O vice-presidente da empresa, Issao Mizoguchi, primeiro negou que haja interesse em produzir carros pequenos, como fará a Toyota: “compactos só servem para ganhar participação de mercado, sem dar retorno financeiro”, disse ele na coletiva concedida ontem. Mas, depois, numa conversa com o AUTOO, o executivo reconheceu que o protótipo “New Small Concept”, apresentado na Índia no mês passado pode chegar ao Brasil. “O modelo nos interessa, mas temos de esperar a decisão da matriz”, explicou Mizoguchi.

Outro assunto mal explicado pela Honda foi a respeito da fábrica de Sumaré. Para alguns funcionários, a unidade pode produzir até 240 mil unidades/ano e será ampliada para 180 mil carros até 2013 em dois turnos – hoje a linha de montagem produz 150 mil unidades em três turnos. Já para Issao Mizoguchi, se for mesmo lançado, o compacto da Honda precisará de outra fábrica: “do mesmo tamanho que a de Sumaré”, completou.

Novo Civic em 2012

Questionado sobre a rivalidade entre o City e o Civic, Mizoguchi reconheceu que o sedã lançado em 2009 tirou mesmo vendas do irmão maior. “Mas já esperávamos isso. O Civic já está entrada na fase final da sua vida útil e é natural que perca atração”, constatou o vice-presidente da Honda.

Perguntamos a ele, então, quando se encerraria o ciclo dessa bem sucedida geração. “Normalmente, são seis anos entre as gerações, como ocorre em outros mercados”. Ou seja, a nova geração deve ser lançada mesmo em 2012. Entre o final deste ano e o começo de 2011 teremos a apresentação do conceito que dará origem ao modelo, mas novo Civic somente em dois anos. “Sabemos que não teremos mais o volume do 2º ou do 3º ano, mas vamos brigar com o Corolla com a nova versão LXL, mais competitiva”, garantiu Issao.

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Ricardo Meier

Publisher do AUTOO, é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

Ricardo Meier | http://www.jcceditorial.com.br/