Marcas mudam planos e voltam seus recursos para os SUVs
Salão de Detroit deixou clara a tendência dos utilitários esportivos como o foco da indústria para os próximos anos
Atendendo ao clamor popular pela procura cada vez maior de utilitários esportivos não só nos EUA, um tradicional mercado consumidor desse tipo de veículo, como também no restante do mundo, as principais fabricantes deixaram claro no Salão de Detroit que esse tipo de carro será o foco dessas empresas nos próximos anos.
Executivos de Mercedes-Benz e BMW já fizeram um pedido para atender uma reivindicação cada vez mais forte de seus concessionários nos EUA solicitando mais SUVs e crossovers. Além das gigantes alemãs de luxo, a Toyota, Ford, GM e Volkswagen também seguirão a mesma linha. O motivo é fácil de entender: algumas projeções dão conta de que a venda de picapes e SUVs nos EUA deverá responder por dois terços do mercado em breve ou até mais, apontam alguns analistas. Em 2016, esses segmentos já alcançaram uma participação de 60% do mercado nos EUA.
Percebendo essa forte tendência, os próprios revendedores nos EUA estão concedendo grandes descontos para a venda de sedãs em suas lojas, abrindo espaço para mais SUVs e picapes. A Ford, inclusive, recentemente optou por cancelar seu projeto de uma fábrica no México alegando a demanda cada vez menor por sedãs.
Esse novo foco da indústria está afetando até mesmo a produção, com a flexibilização de fábricas e a adoção de projetos para os futuros veículos que proporcionem uma troca fácil entre a fabricação de carros de passeio para SUVs nas linhas de montagem. A Audi, por exemplo, já adota esse tipo de formato e sempre casa a produção de um sedã com um SUV, como ocorre em algumas fábricas que produzem o A3 Sedan e o Q2. A montadora também usou o Salão de Detroit para apresentar o Q8, SUV híbrido que será seu modelo topo de linha a partir de 2018.
O chefe de vendas global da BMW, Ian Robertson, declarou em uma entrevista recente para a Reuters de que as marcas caminham para uma situação em 50% de suas vendas recairão sobre utilitários esportivos, em especial nos EUA. A Toyota vai mais além e, na terra do Tio Sam, acredita que neste ano os SUVs fecharão com uma participação de 63% em vendas na sua gama de produtos.
Além da versatilidade, o bom espaço interno e a sensação de segurança que os SUVs conferem a seus proprietários em especial pela maior altura em relação ao solo, o fato da gasolina voltar a patamares de preço mais baixo nos EUA está animando os consumidores a comprar esse tipo de veículo. Outra tendência, após a procura por modelos da categoria com projetos mais racionais e compactos, com carroceria monobloco, é a volta dos modelos maiores, que utilizam a tradicional construção de carroceria sob chassi. Como você já conferiu aqui no AUTOO, a linha Wagoneer, da Jeep, vai se enquadrar nessa nova política.
