Novo elétrico supereficiente da VW roda 40 km com a energia de meia hora de chuveiro
Mission Efficiency consumiu apenas 6,89 kWh/100 km em teste de 1.278 km e serve de laboratório para soluções que poderão chegar aos futuros elétricos da Volkswagen
Um carro elétrico capaz de percorrer 40 km usando a mesma quantidade de energia consumida por um chuveiro elétrico de 5,5 kW ligado durante meia hora. Essa é uma forma mais familiar de dimensionar o resultado alcançado pelo Volkswagen Mission Efficiency, protótipo criado para descobrir até onde é possível reduzir o consumo de um automóvel elétrico com tecnologias próximas das utilizadas em modelos de produção.
A Volkswagen registrou consumo de apenas 6,89 kWh/100 km no veículo durante uma viagem de 1.278,36 km pela Europa. Consideradas também as perdas ocorridas durante as recargas, foram 7,51 kWh/100 km.
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O primeiro número significa que o carro percorreu cerca de 14,5 km com apenas 1 kWh. Um chuveiro de 5,5 kW funcionando durante 30 minutos consome 2,75 kWh, energia suficiente para o Mission Efficiency avançar praticamente 40 km.
A comparação ajuda a dimensionar um consumo que é difícil de interpretar para quem está habituado aos quilômetros por litro dos carros a combustão. O futuro Volkswagen ID. Polo, por exemplo, deve consumir aproximadamente 14 kWh/100 km, cerca do dobro.

Do Rio a São Paulo com pouco mais de 3 litros
Outra maneira de visualizar a eficiência é comparar a energia elétrica utilizada com aquela armazenada na gasolina. Um litro do combustível contém aproximadamente 8,9 kWh de energia.
Tomando como referência os cerca de 430 km rodoviários entre Rio de Janeiro e São Paulo, o Mission Efficiency precisaria de aproximadamente 29,6 kWh para completar a viagem nas condições do teste.
Essa quantidade corresponde ao conteúdo energético de cerca de 3,3 litros de gasolina. A comparação não significa que um automóvel a combustão conseguiria percorrer essa distância com esse combustível. Motores elétricos aproveitam uma parcela muito maior da energia recebida, enquanto motores a combustão perdem boa parte dela principalmente na forma de calor.

Aerodinâmica levada ao extremo
Boa parte do resultado aparece no formato incomum do Mission Efficiency. Com carroceria muito baixa e alongada e rodas traseiras parcialmente cobertas, o protótipo lembra estudos aerodinâmicos futuristas de décadas passadas.
O coeficiente aerodinâmico é de apenas 0,158. Para efeito de comparação, o Volkswagen XL1, modelo híbrido produzido em uma série de apenas 250 exemplares na década passada e desenvolvido com a mesma obsessão por eficiência, tinha Cd de 0,189.
As rodas são particularmente problemáticas para a aerodinâmica de um automóvel porque provocam turbulência ao girar e ao interagir com o ar que passa pelas laterais da carroceria. No Mission Efficiency, a Volkswagen utilizou carenagens e defletores para controlar melhor esse fluxo.
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O carro também possui teto solar para alimentar sistemas elétricos e outras soluções destinadas a diminuir o consumo. Em uma medição específica, realizada a 68 km/h constantes, sem aclives e com equipamentos como o ar-condicionado desligados, o protótipo chegou a apenas 6,48 kWh/100 km.
Na viagem de 1.278 km, muito mais próxima de condições reais, a velocidade média foi de 67,72 km/h e a máxima chegou a 138 km/h. O carro fez uma recarga durante o trajeto e ainda indicava 164 km de autonomia ao chegar a Viena.

Tecnologia de carros muito mais convencionais
O aspecto mais interessante do Mission Efficiency talvez esteja escondido sob a carroceria. Em vez de desenvolver uma arquitetura específica e cara para perseguir recordes, a Volkswagen utilizou componentes destinados a modelos de grande produção.
O protótipo emprega a arquitetura MEB+ com tração dianteira e tecnologias que serão utilizadas pelo ID. Polo e ID. Cross. Sua bateria tem capacidade líquida de 54,9 kWh, portanto o baixo consumo não foi obtido simplesmente com a instalação de um enorme acumulador de energia.
Segundo a Volkswagen, a diferença é tamanha que, a 140 km/h constantes, o Mission Efficiency demanda aproximadamente a mesma energia que um ID. Polo utiliza a 100 km/h.
É justamente esse ponto que diferencia o projeto do antigo XL1. O híbrido lançado pela Volkswagen em 2013 recorria a materiais leves, soluções construtivas sofisticadas e produção quase artesanal. Custava mais de €100 mil e teve somente 250 unidades fabricadas.

Mission Efficiency vai virar carro de produção?
Apesar de a Volkswagen definir o Mission Efficiency como um veículo "próximo da produção", isso não significa que o modelo mostrado nas imagens esteja a caminho das concessionárias. A fabricante não confirmou sua produção comercial.
A expressão está relacionada principalmente ao uso de componentes e tecnologias compatíveis com automóveis que efetivamente serão fabricados em grande escala. ID. Polo e ID. Cross serão dois dos primeiros elétricos de tração dianteira da nova geração MEB+.
Também seria difícil transportar integralmente o desenho do Mission Efficiency para um automóvel convencional. A carroceria extremamente baixa, as rodas traseiras cobertas e as proporções escolhidas para minimizar a resistência ao ar trazem limitações de espaço interno, praticidade e desenho que teriam peso muito maior em um hatch ou SUV.

Outras soluções são bem mais fáceis de aproveitar. O trabalho realizado em gerenciamento de energia, redução de perdas, controle do fluxo de ar ao redor das rodas e componentes aerodinâmicos pode alimentar o desenvolvimento dos próximos modelos sem exigir que eles tenham a aparência radical do protótipo.
A Volkswagen já segue esse caminho em seus elétricos de produção. Em 2025, um ID.7 Pro S percorreu 941 km em uma pista de testes em Nardò, na Itália, com consumo médio de 9,2 kWh/100 km. O sedã utilizava uma bateria de 86 kWh e permaneceu mecanicamente próximo do modelo vendido nas concessionárias.
No Mission Efficiency, a bateria menor e o consumo de 6,89 kWh/100 km mostram outra possibilidade: em vez de aumentar continuamente a capacidade das baterias para ampliar a autonomia, reduzir drasticamente a quantidade de energia necessária para mover o carro.
