Fusca de 51 anos Branco Lotus tem vários acessórios originais; saiba preço da raridade

Clássico brilha como novo, anda bem e rodou muito pouco em mais de meio século de história
VW Fusca 1.600

VW Fusca 1.600 | Imagem: Reprodução/Salvajoli Veículos Antigos

O Volkswagen Fusca foi o responsável por ser um dos primeiros veículos a popularizar a produção em massa no Brasil, sendo o mais comercializado por mais de duas décadas. Em vendas, coube ao “Volks” carregar o título de carro mais vendido de 1959 a 1982, e, a partir de 1983, só perdeu o trono para o Gol.

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À venda por meio da Salvajoli Veículos Antigos, este magnífico exemplar de Fusca 1600 1975 impressiona pelo alto grau de originalidade, sobretudo por ser um carro que nunca foi restaurado. Até a pintura (Branco Lotus) nunca teve quaisquer intervenções, tendo em vista que o raro veículo tem mais de 50 anos.

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QUASE UM "BIZORRÃO"

VW Fusca 1.600
VW Fusca 1.600 com rodas da Brasilia, motor com dupla carburação e vários acessórios originais 
Imagem: Reprodução/Salvajoli Veículos Antigos

Com alegados 29.700 km, o VW 1600 traz alguns acessórios curiosos que eram vendidos nas concessionárias autorizadas. A prova é que os remates de estribos, buzinas, jogo de tapetes do tipo bandeja, alto-falantes 6x9, entre outros acessórios, constam na nota fiscal de 1975 emitida pela extinta e tradicional concessionária Volkswagen, que marcou época em Guaxupé (MG).

“O nosso Fusca 1975 é do ano em que o 1600 S ‘Bizorrão’ saiu de linha, e herda alguns itens, como freios a disco dianteiros e motor de dupla carburação”, explica Evandro Salvajoli. 

Comparado ao raríssimo Bizorrão, o qual durou só sete meses no mercado, o 1.600 convencional era mais simples, esteticamente. No entanto, mantinha apenas a mecânica 1.6 com dupla carburação (dois carburadores Solex 32) de 65 cv, além das rodas de Brasília aro 14, conforme fotos do catálogo da época.  

VW Fusca 1.600
VW Fusca 1.600 está com rádio Bosch de fábrica e em perfeito estado no interior com o máximo de equipamentos da época
Imagem: Reprodução/Salvajoli Veículos Antigos

Por dentro, o painel simples e funcional destaca-se pelo acabamento emborrachado sem trincas, e o volante de dois raios com o botão da buzina ao centro é condizente com a real quilometragem. Outra prova de originalidade da joia é o jogo de bancos no padrão cordonê (ou cordone), caracterizado por revestimento em courvim com faixas centrais listradas e costura eletrônica.

Com todos os detalhes originais e sem nunca ter sofrido nenhum tipo de restauração, o Fusca 1.600 1975 Branco Lotus está sendo oferecido pelo preço de R$ 210 mil. 

ONDE COMEÇA A HISTÓRIA DO FUSCA

Participação do Fusca no primeiro Salão do Automóvel de São Paulo, em 1960
Participação do Fusca no primeiro Salão do Automóvel de São Paulo, em 1960
Imagem: Divulgação

O Typ 1 foi um projeto simples e, ao mesmo tempo, versátil, criado pelo ditador alemão Adolph Hitler e idealizado pelo astuto Ferdinand Porsche no início da década de 30; sem dúvida, é um dos modelos de mais popularidade da indústria automobilística. 

A ideia do Typ 1, segundo as intenções do líder nazista, teria que ter propostas um tanto quanto práticas que atendessem desde pequenas famílias até serviços bélicos. Seu motor inicialmente era um VW refrigerado a ar de 1,2 litro (1.131 cc) de apenas 25 cv, que atingia a velocidade máxima de 100 km/h, suficiente para enfrentar as subidas com até 30% de elevação. 

Fora isso, o carro ainda teria câmbio de quatro marchas, sendo a primeira não sincronizada, e um sistema elétrico de 6 V, características que atendiam todas as exigências de Hitler. O espaço interno era mais do que suficiente para quatro pessoas. Assim, o projeto KDF – Kraft durch Freude – ou, traduzindo para o português, força através da alegria, estava para nascer. 

Assim, somente em 1936 vieram os protótipos iniciais, já prontos para serem comercializados. Os modelos vinham ausentes de para-choques e vigia traseiro, e havia uma estranha e curiosa entrada de ar. As portas possuíam uma abertura em sentido anti-horário e eram desprovidas de lanternas e quebra-ventos.

Em 1937, outros 30 novos projetos foram testados com o apoio da indústria automotiva alemã. Em 1937, foi construída uma nova fábrica em Hanover, onde seriam produzidas algumas unidades do carro. Logo depois, Hitler havia definido o nome: Volkswagen, ou Carro do Povo. Assim estava pronto um produto que viraria uma lenda no mercado automobilístico.

Considerado o primeiro carro fabricado pela VW, sendo produzido entre 1938 e 2003, o carismático carrinho conseguiu ser o carro mais vendido no mundo. Em 1972, o clássico superou o Ford Modelo T, com mais de 21,5 milhões de unidades produzidas, contra mais de 15 milhões de exemplares do carro da fábrica estadunidense.

O FUSCA NO BRASIL

Volkswagen Fusca 1984
Volkswagen Fusca 1984 já com as lanternas "Fafá" dois anos antes de ter a primeira parada na produção
Imagem: Divulgação

Se antigamente ter um Volkswagen era motivo de orgulho, hoje se tornou uma fábrica de fazer dinheiro, dada a alta lucratividade que estes carros tiveram nos últimos anos. No Brasil, a primeira aparição do modelo surgiu ainda importado, em 1950, tendo como clientes personalidades como o colecionador e empresário Eduardo Andrea Matarazzo, filho do conde Francisco Matarazzo Júnior. Nos primeiros três anos, o carro foi um sucesso. 

Em 1953, a Volkswagen alugou um pequeno galpão no bairro do Ipiranga, em São Paulo, para começar a produzir as primeiras unidades. No ano de 1957 foi inaugurada a fábrica Anchieta, localizada às margens da rodovia de mesmo nome, na cidade de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Já a partir de 1959, com mais de 50% de nacionalização, saía da linha de produção o primeiro “Fusca” nacionalizado. Com algumas leves reestilizações, mas com o seu estilo carismático, a produção do clássico durou até 1986.

Com inúmeras modificações, o Volkswagen conseguiu, ao longo de décadas, manter, basicamente, a mesma característica que o consagrou como um verdadeiro objeto de desejo.

O FUSCA ITAMAR

VW Fusca
Fusca "Itamar" marcou a segunda e última leva que foi produzida em São Bernado do Campo (SP), onde fica o museu da VW
Imagem: Divulgação

Numa tentativa de reaver o conceito dos automóveis populares de mais cilindrada, o Fusca retornou à produção na fábrica da Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP), em 1993. A ação decidida conjuntamente entre o então presidente do Brasil, Itamar Franco, e o dirigente da Autolatina, Pierre-Alain de Smedt, rende frutos até hoje, sendo um dos modelos mais valiosos.

No geral, a carroceria de estilo inconfundível era a mesma do modelo 1986, mas ganhou novas cores, ignição eletrônica, catalisador, retrovisor do lado direito, pneus radiais, para-brisa laminado, bancos com novos desenhos, novos revestimentos de portas e volantes da família Gol.

Devido ao seu projeto ultrapassado em relação à concorrência e às poucas mudanças significativas ao longo dos anos, esta série do clássico infelizmente não conseguiu se destacar, pois novos modelos populares com projetos mais promissores estavam entrando no mercado.

Com um investimento de 30 milhões pela volta do Fusca, o projeto rendeu pouco mais de 46 mil veículos comercializados até o final de sua produção, em junho de 1996. Atualmente está entre os modelos mais valorizados, especialmente a série de despedida da Série Ouro. 

Fernando Garcia

Especialista em análises do mercado de veículos usados, Fernando Garcia tem passagens por revistas automobilísticas e no AUTOO traz vários artigos especiais com curiosidades, serviços e dicas.