Declínio de um segmento: antes desejados e símbolos de status, hatches médios resumem-se a um representante

Chevrolet Cruze Sport6 segue como a única opção para quem deseja um hatch mais sofisticado
Chevrolet Cruze Sport6 2020

Chevrolet Cruze Sport6 2020 | Imagem: Divulgação

Quem era mais ligado ao universo dos automóveis na década de 1990 e começo dos anos 2000 experienciou o auge de modelos nacionais como Volkswagen Golf, Ford Focus, Fiat Stilo, entre outros hatches médios que figuraram na lista de desejos de muitos motoristas.

Símbolos de status e produtos que miravam um público mais sofisticado, os hatches médios eram os escolhidos pelas montadoras para introduzirem novas tecnologias em seus carros nacionais e muitas vezes contavam com propulsores avançados e de elevado apelo esportivo, como era o caso do VW Golf GTI, por exemplo. Na gama Fiat, coube ao Stilo estrear a transmissão robotizada Dualogic. O hatch produzido em Betim (MG) ainda trazia inovações como o famoso teto solar panorâmico, entre outros diferenciais estéticos.

Para se diferenciar dos demais compactos ou modelos de entrada, os hatches médios foram evoluindo consideravelmente do ponto de vista técnico, com a primeira geração do Ford Focus trazendo até mesmo suspensão independente nas quatro rodas, com layout multibraço no eixo traseiro, um refinamento visto apenas em modelos mais caros. Na época de sua estreia no Brasil, no fim dos anos 90, o Focus também de destacava pelo acabamento primoroso de sua versão topo de linha Ghia.

A era de ouro dos haches médios, entretanto, durou até a ascensão dos SUVs, categoria que também eclipsou outros segmentos como o das station wagons, dos monovolumes, entre outros em nosso país.

Ao contrário da Europa, onde Golf e Focus ainda contam com uma procura relevante por parte do público, aqui no Brasil a migração para os utilitários esportivos foi maciça. Todo o requinte e apelo esportivo dos hatches médios não foi suficiente para vencer a versatilidade, o apelo robusto e, em especial, a maior altura em relação ao solo dos SUVs, atributo que mais atrai clientes para esse segmento.

Depois da decisão da Volkswagen de encerrar a produção nacional da sétima geração Golf em sua fábrica no Paraná e a Ford também abrir espaço em sua linha de produção argentina para outros projetos, deixando de fabricar o Focus na região, apenas a Chevrolet se mantém firme em oferecer uma alternativa dentro da categoria. Claro que não estamos levando em conta modelos premium como o BMW Série 1 e o Mercedes-Benz Classe A. 

Fabricado na Argentina, o Cruze Sport6 chega ao Brasil nas configurações LT e Premier, ambas na faixa dos R$ 100 mil. Sozinho na categoria, o Cruze Sport6 vendeu 2.696 unidades de janeiro a setembro deste ano, uma média de 300 carros/mês. Apenas como comparação, no mesmo período o Cruze com carroceria sedan foi a escolha de 7.419 consumidores no Brasil, uma mostra de como os hatches médios perderam apelo frente ao público brasileiro. Em 2019, ano mais estável e sem os reflexos da pandemia, o Cruze Sport6 somou 3.655 unidades vendidas de janeiro a setembro. 

Mesmo com todos os predicados que os SUVs são capazes de entregar, é fato que hatches médios como o Cruze Sport6 oferecem um nível de envolvimento ao volante e esportividade na condução pouco equiparados pelos utilitários esportivos. Certamente quem busca mais prazer ao volante encontrava nesses modelos carros bem mais interessantes.

Com as vendas em declínio, é muito provável que a Chevrolet siga com a produção do Cruze Sport6 na Argentina até onde for financeiramente viável para a empresa. No caso do sedan, provavelmente a releitura do Monza será adaptada para a produção local e lançado posteriormente no Brasil e demais países da região como um sucessor natural do Cruze entre os sedans médios.

E você, sentirá saudade dos hatches médios? Na sua opinião, os SUVs compactos são capazes de substituir plenamente essa categoria? Participe e deixe seu comentário logo abaixo!

Chevrolet Cruze Sport6 2020
Chevrolet Cruze Sport6 2020
Imagem: Divulgação
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