Passat Pointer Vermelho Fênix surge com raro pacote de equipamentos; saiba quanto vale

Clássico de 40 anos está em perfeito estado, como se estivesse acabado de sair da fábrica
VW Passat GTS Pointer

VW Passat GTS Pointer | Imagem: Herik Alves/Agência HKCD

O Volkswagen Passat foi lançado no Brasil no final de 1974 até 1988 e agradou a todos logo de cara. Vendido graças às linhas indiscutivelmente charmosas no estilo fastback, uma obra assinada pelo designer italiano Giorgetto Giugiaro, conhecido por assinar obras como Golf, Uno, além de esportivos da Alfa Romeo, Ferrari, Lancia e Lamborghini.

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Cada vez mais desejados e até mais difíceis de serem encontrados do que os Volkswagen Gol GTS/GTi, o Passat GTS Pointer, um fastback de linhas tipicamente esportivas, tem um espaço especial na memória dos entusiastas. 

Afinal, o primeiro carro refrigerado a água vendido no Brasil foi fabricado em menor escala que os da versão mais ‘endiabrada’ do hatch, o que faz dele um modelo especial e mais barato do que os valores hiperinflacionados dos GTis.

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O renomado e conhecedor de carros clássicos dos anos 1980 e 1990, Alex Fabiano, da GG World Premium Classic Cars, vendeu o Passat GTS Pointer Vermelho Fênix das fotos por um valor bem abaixo do de um Gol GTi quadrado, cujo preço ‘normal’ é de R$ 200 mil. O maior encontrado ultrapassa a casa dos R$ 500 mil! 

VW Passat GTS Pointer
VW Passat GTS Pointer em perfeito estado, como se estivesse 0 km e com todos os itens originais de fábrica
Imagem: Herik Alves/Agência HKCD

A unidade acima do Passat esportivo, segundo o empresário, estava equipada com o raro conjunto com ar-condicionado de fábrica e teto solar, dois dos itens mais desejados para quem não se contentava em ter apenas um Pointer ‘comum’. Até hoje, é um modelo extremamente desejado por colecionadores excêntricos. 

“Eu vendi há alguns anos este exemplar para um colecionador e, hoje em dia, um veículo de concurso como este está avaliado em torno de R$ 180 mil”, explica GG.   

VERSÕES ESPORTIVAS

VW Passat TS
VW Passat TS foi a primeira versão esportiva do modelo da marca alemã, com motor 1.6 refrigerado a água
Imagem: Divulgação

No ano de 1976, surgiu a série esportiva TS, conquistando logo de cara o público jovem. Trazia quatro faróis redondos (quatro altos e dois baixos) e uma faixa preta que vinha do para-lama dianteiro, ficando mais larga à medida que corria a carroceria e se elevando até a coluna traseira. No topo estava a sigla TS, de Touring Sport.

Por dentro, a esportividade era destacada pelo conta-giros, manômetro de óleo, voltímetro e relógio analógico, além do volante esportivo de três raios. Bons tempos esportivos nacionais! Os bancos, por sua vez, eram reclináveis e possuíam encosto integral para a cabeça.

Mas o mais atraente estava debaixo do capô: um motor 1.6 de 80 cv. Tornou-se referência para os amantes de velocidade e fez muito sucesso por aqui, competindo até na concorrida 500 Milhas de Interlagos, Rali do Brasil e Mil Milhas, obtendo ótimos resultados em todas as provas.

Sua velocidade final era de 160 km/h e alcança 100 km/h em cerca de 14 s. Com pneus radiais 175/70 SR 13 e a suspensão traseira de eixo de torção de toda a linha, era o mais rápido em sua categoria em velocidade final, aceleração e também nas curvas.

PRIMEIRA MUDANÇA ESTÉTICA 

O Passat com 4 portas não era páreo para o de 2 portas
O Passat recebeu a primeira mudança mais significativa no visual em 1979 no mercado brasileiro
Imagem: Divulgação

Três anos depois, em 1979, o Passat sofria a sua primeira modificação, contando com novos faróis quadrados, polainas plásticas nas pontas dos para-choques, luzes, direção nas extremidades, na cor âmbar. Na versão TS, havia uma pequena faixa preta sob os vidros laterais e o logotipo da versão no para-lama dianteiro, acima do novo friso de borracha que percorria toda a lateral.

Em 1983, trazia quatro faróis retangulares, enquanto a mecânica adotava o eficiente motor MD 270 e opção do câmbio 3+E (E de marcha econômica), com efeito overdrive, de marchas mais espaçadas. Além disso, o Passat ganhou nova frente, grade de perfil mais baixo e refletores nas extremidades dianteiras, realçando ainda mais sua vocação esportiva.

O motor tinha maior taxa de compressão, novo comando de válvulas, ignição eletrônica de série, carburador de corpo duplo, filtro de ar com válvula termopneumática, retorno de combustível e pistões de liga mais leve.

O TS acabava perdendo a sua identidade, graças à adoção do motor 1.6 das demais versões do Passat. Foi então que a Volkswagen resolveu colocar, em 1984, um motor 1.8, igual ao do Santana. Surgia assim o GTS (Grand Touring Sport). O GTS era um novo carro em termos de desempenho.

Sua missão, em substituição ao TS (ainda sem a denominação "Pointer"), estava cumprida. O Passat esportivo não demorou muito para se tornar um dos esportivos mais cobiçados do país. Possuía bancos Recaro, câmbio de 5 marchas, conta-giros e console com voltímetro e manômetro de óleo.

Como opcional, poderia vir equipado com ar-condicionado e teto solar.  No mesmo ano, as versões de acabamento eram batizadas novamente como Special (básica, com molduras pretas nos faróis), LS Village, LSE Paddock e GTS Pointer. O novo Pointer tinha rodas esportivas de alumínio com um desenho chamativo e aro de 14 polegadas, calçando pneus 185/60 HR 14.

Tinha vidros verdes e para-brisa com faixa degradê, encostos de cabeça para quatro passageiros e descanso de braço no banco traseiro. Os bancos dianteiros e Recaro, com regulagem de altura e contorno envolvente, e o teto solar continuavam na lista de opcionais do modelo.

ÚLTIMA MUDANÇA 

VW Passat
VW Passat da últma leva que saiu da fábrica em São Bernando do Campo (SP), no início de 1989
Imagem: Divulgação

A última atualização no Passat teve alguns retoques na aparência, como para-choques envolventes em plástico injetado, lanternas traseiras frisadas e painel de desenho mais atual, inspirado no do Santana, incluindo um grande conta-giros e termômetro de óleo no console.

Outro grande e esperado ganho era o câmbio de cinco marchas. Em 1986, o Passat reagia com os novos motores AP (Alta Performance) de 1,6 litro e 1,8 litro, de bielas mais longas, adotados um ano antes nos Gol GT e nos Santana. Andava muito bem! Para se ter uma ideia em termos de desempenho na tarefa de 0 a 100 km/h, o esportivo — que rendia 99 cv graças aos ajustes no conjunto mecânico — cravava apenas 10,9 s, atingindo a velocidade final de satisfatórios 170 km/h.

Fernando Garcia

Especialista em análises do mercado de veículos usados, Fernando Garcia tem passagens por revistas automobilísticas e no AUTOO traz vários artigos especiais com curiosidades, serviços e dicas.