Polo e Virtus GTS: esportivos condenados ao fracasso nas vendas?

Modelos com desempenho esportivo têm decepcionado no Brasil, mas Volkswagen parece convencida que vale a pena resgatar sigla usada há 30 anos
Primeira foto oficial dos novos Polo e Virtus GTS

Primeira foto oficial dos novos Polo e Virtus GTS | Imagem: Divulgação

Se depender do histórico dos últimos modelos do tipo vendidos no Brasil, lançar uma versão esportiva deveria ser algo proibido, barrado ainda antes de virar um mero protótipo. A razão é simples: praticamente todos fracassaram, mas mesmo assim a Volkswagen parece certa de que esse fenômeno não irá atingir o Polo GTS e o Virtus GTS, versões com moto 1.4 TSI de 150 cv que chegarão ao mercado em 2020 após uma longa gestação.

É, sem dúvida, uma jogada de risco. Embora a intenção das versões esportivas esteja mais associada a uma estratégia de enaltecer o produto em vez de atrair muitos interessados, é de se levar em conta que um mínimo de emplacamentos é preciso. No mundo ideal, a versão topo de linha deve ser vista nas ruas com alguma frequência para instigar a venda dos modelos mais simples.

Ou seja, se ele não vende não aparece e toda a mística que carrega não funciona. Pegue-se um caso clássico, o Civic Si. Na primeira vez que ofereceu o modelo por aqui, a Honda decidiu fabricá-lo no Brasil, com um preço mais realista. O resultado funcionou de princípio, mas acabou provocando um efeito colateral por conta da opção em lançá-lo como sedan e não cupê, como ocorria no exterior. Com isso, logo se viram Civic Si “fakes” circulando por aí, nada mais do que versões básicas com adereços idênticos aos do esportivo.

No entanto, quando corrigiu isso com a segunda geração, a Honda passou a importá-lo com preços proibitivos e aí ver um Civic Si virou uma tarefa difícil. Para se ter uma ideia das vendas inexpressivas da versão, em outubro apenas dois foram emplacados num universo total de 2.536 unidades.

A própria Volks sentiu isso na pele com o Golf GTI, versão bastante famosa do hatch médio, mas que não teve uma aceitação nem perto do razoável, embalada pela decadência da categoria, é verdade. Mas se a vida é difícil entre os modelos de médio porte o que dizer dos compactos, onde o Polo e o Virtus se posicionam?

Sim, achar um comprador para um esportivo compacto é como a piada antiga, mais difícil que vender geladeira para esquimó. E os preços nem são assim tão proibitivos, mas a sensação é de que eles não trazem consigo o status pelo que custam.

A Hyundai achou que o emblema R-Spec seria capaz de tornar o HB20 um ‘hot hatch’, mas acabou desistindo na nova geração – ao menos por enquanto. Já a Renault, apoiada em seu envolvimento com o automobilismo, decidiu criar um Sandero com desempenho à altura, o R.S, com motor 2.0 e ajustes para uma condução esportiva. Só que a versão não vende nada: foram 33 exemplares em outubro em meio a 4.288 carros emplacados – 0,8% do total.

 

Renault Sandero R.S. em série especial com pintura amarela
Renault Sandero R.S. em série especial com pintura amarela
Imagem: Divulgação

 

Olhos no passado

Mas se nem com preço em torno de R$ 70 mil, um esportivo compacto encontra um público fiel o que podemos esperar do Polo e Virtus GTS, que devem custar quase R$ 100 mil, aproximadamente? Não há dúvida que a Volks é capaz de criar dois carros divertidos de dirigir e com visual atraente, mas resta saber se a sigla GTS ainda significa algo.

Quando foi usada pela primeira vez no Brasil, no final da década de 80 no Gol com motor 1.8, o GTS foi uma evolução do GT 1.8 e que já gozava de certo prestígio. Mas era uma época em que a proibição de veículos importados transformava qualquer acessório em novidade. O termo pode trazer boas lembranças em que hoje transita entre os 40 aos 60 anos, mas não deve significar grande coisa para gente mais jovem.

O efeito na imagem do Polo e Virtus também pode não ser tão grande assim, afinal os dois carros vendem bem pelo que custam. Talvez a Volkswagen possa esperar das novas versões esportivas um efeito parecido com o que tem ocorrido com o mexicano Jetta.

O sedan médio tem atraído um bom número de clientes que optam pelas versões mais caras e de caráter esportivo, o R-Line e o mais recente GLi, que conta com motor 2.0 de 230 cv. Em outubro, as duas versões tiveram 294 unidades emplacadas, ou 43% do total do carro. São números impressionantes para automóveis que custam muito caro – o R-Line custa R$ 120 mil e o GLi não sai por menos de R$ 145 mil, preço de modelos de luxo.

Se repetirem a boa recepção do Jetta, Polo e Virtus GTS serão figurinhas relativamente fáceis nas ruas, caso contrário vão se juntar a longa lista de esportivos que não aceleraram nas vendas.

 

Volkswagen Gol 1987
O Gol GTS da década de 80: será que sigla ainda vende carro?
Imagem: Divulgação

 

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