Primeira Ferrari elétrica é vendida por valor recorde de R$ 209 milhões
Exemplar especial de produção da Luce custaria cerca de R$ 3,3 milhões em condições normais; modelo elétrico provocou polêmica ao romper com tradições da Ferrari
A primeira Ferrari totalmente elétrica já tem dono — e por um preço difícil de comparar até mesmo com outros carros da marca italiana. O primeiro exemplar de produção da Luce foi arrematado por US$ 40 milhões, ou cerca de R$ 209 milhões em conversão direta.
A venda ocorreu em um leilão beneficente da RM Sotheby's na Califórnia, nos Estados Unidos, e estabeleceu um novo recorde para um automóvel novo vendido em leilão. Todo o dinheiro será destinado aos programas educacionais da Ferrari Foundation.
Receba notícias quentes sobre carros em seu WhatsApp! Clique no link e siga o Canal do AUTOO.
A cifra fica ainda mais impressionante quando comparada ao preço da própria Luce. O elétrico parte de aproximadamente 550 mil euros, ou cerca de US$ 640 mil (R$ 3,3 milhões). O comprador, cuja identidade não foi divulgada, desembolsou mais de 60 vezes esse valor.
Há, naturalmente, uma grande diferença entre comprar uma Luce nas condições normais e levar justamente o primeiro carro produzido. O exemplar também recebeu acabamento exclusivo na cor branca, rodas específicas, freios personalizados e outros detalhes que não estarão nos carros comuns.

O resultado supera com folga o recorde anterior entre automóveis novos. Em 2025, uma Ferrari Daytona SP3 feita sob encomenda alcançou US$ 26 milhões em outro leilão beneficente.
Mesmo os US$ 40 milhões, porém, ficam muito distantes do recorde absoluto de um automóvel em leilão. Esse pertence ao Mercedes-Benz 300 SLR Uhlenhaut Coupé de 1955, vendido em 2022 por US$ 142 milhões.
A Ferrari que provocou uma discussão
A ironia é que o recorde foi estabelecido justamente por uma das Ferrari mais controversas dos últimos anos. Apresentada em maio, a Luce abriu uma discussão que vai muito além de trocar um motor a combustão por baterias e motores elétricos.

É o primeiro elétrico da história da empresa e também uma Ferrari de cinco lugares, combinação bastante distante da imagem tradicional da fabricante de Maranello.
O projeto ainda tem participação de Sir Jony Ive, conhecido principalmente por seu trabalho como chefe de design da Apple e por produtos como o iPhone. O resultado recebeu críticas logo depois da apresentação, inclusive na própria Itália.
Entre os críticos está Luca di Montezemolo, que comandou a Ferrari durante mais de duas décadas e afirmou que o modelo poderia colocar em risco a identidade construída pela empresa. O vice-primeiro-ministro italiano Matteo Salvini também atacou o carro.
A repercussão chegou ao mercado financeiro. As ações da Ferrari recuaram no dia seguinte à apresentação do Luce.
Flavio Manzoni, chefe de design da fabricante, respondeu às críticas argumentando que a resistência faz parte do processo de introdução de algo novo e que a percepção sobre o carro poderia mudar com o tempo.

Ferrari entra tarde no mundo dos elétricos
Existe outro contraste curioso nessa história. A Ferrari demorou muito mais que fabricantes generalistas e várias marcas de luxo para colocar um elétrico puro no mercado.
Quando a Luce finalmente apareceu, a indústria já estava bem diferente daquela que recebeu os primeiros carros elétricos modernos. A Tesla transformou o segmento na década passada e fabricantes chineses passaram a ocupar uma parcela crescente do mercado mundial, inclusive entre modelos mais sofisticados.
A Ferrari não divulgou quantas Luce pretende fabricar. Segundo o Financial Times, porém, a empresa já teria alcançado sua meta de vendas para 2026, com procura especialmente elevada na China.

O leilão obviamente não serve como termômetro para saber quanto consumidores estão dispostos a pagar pelo modelo. Um primeiro exemplar, personalizado e vendido para levantar recursos para caridade segue uma lógica completamente diferente daquela de uma concessionária.
Mas os US$ 40 milhões colocam uma curiosidade na curta história da Luce: antes mesmo de sabermos se o primeiro elétrico da Ferrari será aceito pelos clientes mais tradicionais da marca, ela já se tornou o carro novo mais caro já vendido em um leilão.
