Polêmica, Ferrari Luce repercute nas redes e derruba ações da marca italiana
Primeiro carro elétrico da marca tem 1.035 cv, quatro motores e visual minimalista; papado também entrou na história
A Ferrari revelou seu primeiro carro totalmente elétrico, a Luce, em um evento em Roma na terça-feira (26), e a reação do mercado e do público foi imediatamente negativa. As ações da montadora italiana chegaram a cair mais de 8% na bolsa de Milão e mais de 5% em Nova York no dia do lançamento, enquanto as redes sociais se dividiam entre críticas ferrenhas e elogios ao design inovador.
A Luce é um 'grand tourer' de quatro portas e cinco lugares — uma novidade absoluta para a marca conhecida por seus esportivos de dois lugares. O carro foge completamente do visual tradicional da Ferrari, com linhas fluidas e superfícies lisas que priorizam a aerodinâmica. O coeficiente de arrasto é o menor da história da marca. O design é assinado pela LoveFrom, agência fundada por Sir Jony Ive, ex-chefe de design da Apple, e Marc Newson, que apostou em um estilo retrô que inclui até um relógio analógico no painel.
Com 5.026 mm de comprimento, 1.999 mm de largura e 1.544 mm de altura, a Luce é maior que o Purosangue, até então o maior Ferrari, e pesa 2.260 kg. A distância entre-eixos é de 2.961 mm. O porta-malas tem 597 litros, superando o de um Mercedes Classe S.
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O trem de força é composto por quatro motores elétricos independentes, um em cada roda, que entregam potência combinada de 1.035 cv e e cerca de 101 kgfm de torque. O sistema opera com arquitetura de 800V e bateria de 122 kWh, desenvolvida e fabricada internamente em parceria com a sul-coreana SK On. A autonomia declarada no ciclo WLTP é superior a 530 km.
O desempenho coloca a Luce entre os carros mais rápidos da marca: aceleração de 0 a 100 km/h em 2,5 segundos, de 0 a 200 km/h em 6,8 segundos e velocidade máxima de 310 km/h. O carro aceita recarga rápida de até 350 kW, capaz de adicionar 70 kWh em 20 minutos.

As primeiras entregas do Luce estão previstas para o final de 2026 na Europa, com outros mercados a partir de 2027. O preço de lançamento é de 550.000 euros (aproximadamente R$ 3,3 milhões).
Ações caíram
A recepção à Luce foi polarizada. Nas redes sociais, um perfil no X afirmou: "A Ferrari acabou de matar sua marca, assim como a Jaguar fez. Isso é lixo direto para o ferro-velho." Outra publicação, por outro lado, chamou o modelo de "aula magistral em design" e "divisor de águas".

O diretor de design da Ferrari, Flavio Manzoni, reconheceu que o conceito é "polarizador", mas afirmou que o público aprenderá a apreciá-lo nos próximos meses. Apesar da queda das ações no dia do lançamento, a Ferrari segue sendo a montadora mais valiosa da Europa, ainda que acumule desvalorização superior a 30% no último ano, em linha com a desaceleração do mercado de luxo global.
Em um gesto simbólico que também repercutiu, o CEO Benedetto Vigna apresentou o Luce ao Papa Leão na terça-feira. O pontífice se acomodou no carro e recebeu um volante de presente.
