'Tarifaço' de Trump pode inundar Brasil com carros mexicanos?
Montadoras instaladas no país devem buscar mercados alternativos aos EUA para dar vazão à produção. Brasil tem acordo de isenção de impostos
O caos provocado pelo tarifaço lançado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ainda reverbera no mundo inteiro e pouca gente sabe para que lado correr.
Enquanto alguns países devolvem na mesma moeda - vide a China - outras nações, sobretudo aliadas dos EUA, correm para negociar acordos menos desvantajosos.
Entre eles está o México, que se tornou uma espécie de fornecedor de automóveis para o vizinho ao norte.
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Com várias fábricas implantadas desde o surgimento do NAFTA, o mercado comum que também inclui o Canadá, o México tem hoje unidades de diversas montadoras, incluindo as três grandes dos EUA.
A entrada em vigor das tarifas de importação, no entanto, colocou a indústria automobilística mexicana em xeque. Afinal, se vender para os norte-americanos talvez já não seja um negócio tão atraente, o que fazer com a enorme capacidade produtiva?

Destino Brasil?
É aí que entra o Brasil na história. Há quase duas décadas, nosso país e o México possuem um acordo de isenção de tarifas de importação. A despeito de um período em que alguns veículos realmente vieram em grande número para cá - tempos de Accord, CR-V e Fusion baratinhos -, logo esse fluxo esfriou e hoje a presença de veículos mexicanos é discreta.
Um dos motivos é, sem dúvida, a desproporcional demanda dos Estados Unidos, que consome (ou consumia) a maior parte da produção. Restava aos brasileiros se contentar com alguma sobra na linha de montagem.

Mas o novo cenário pode tornar a situação bem diferente. As montadoras instaladas no México devem buscar outros mercados para cobrir a potencial lacuna dos EUA e o Brasil, é claro, pode ser um deles.
Com uma produção mais eficiente que a brasileira, os carros mexicanos chegariam em condições vantajosas para suas fabricantes, apesar da dificuldade logística.
México não produz nenhum campeão de vendas no Brasil
Pesa contra uma invasão mexicana o fato que não há hoje nenhum veículo de grande sucesso no Brasil feito lá.
O modelo feito no México mais bem posicionado no ranking de vendas em 2025 é o Nissan Versa, sedã compacto que ocupa discreta 48ª posição com 3,1 mil unidades emplacadas no 1º trimestre.
Há, em vez disso, muitos veículos de nicho como a picape Ford Maverick ou os elétricos Equinox e Blazer, da GM.

Essa situação pode mudar um pouco nos próximos anos já que algumas marcas decidiram trazer modelos importantes de lá como a picape Frontier, da Nissan, e o SUV Taos, da Volkswagen.
Mas é de se duvidar se eles conseguirão disputar espaço com rivais nacionais ou argentinos como a Toyota Hilux ou o Jeep Compass e o Toyota Corolla Cross.
Ainda assim, não se pode esquecer que as fabricantes são empresas globais e que buscam custos mais baixos de produção. Por isso, nunca é demais contar com um pouco de precaução.
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