Toyota SW4 justifica a fama, mas economiza onde não deveria

SUV de sete lugares é robusto e confortável, mas fica devendo equipamentos que modelos mais baratos oferecem
Toyota SW4

Toyota SW4 | Imagem: Guilherme Silva

Vendido no Brasil há mais de 30 anos, o Toyota SW4 pode ser considerado o Corolla dos SUVs, pois desfruta de alguns atributos do sedã para dominar com folga o seu segmento: a ótima reputação da marca e a fama da mecânica confiável, que garantem ótima liquidez e valor de revenda praticamente inabalável.

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Apesar da rusticidade e da ausência de equipamentos presentes em carros mais baratos, o Toyota SW4 é capaz de emplacar cerca de 1.500 unidades mensalmente, mesmo custando o mesmo que modelos mais sofisticados de marcas premium – o Toyota parte de R$ 408.090, na versão SRX Platinum de cinco lugares, e chega a exagerados R$ 465.190, na topo de linha Diamond.

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Passamos uma semana com o Toyota SW4 na configuração intermediária SRX Platinum de sete lugares (R$ 414.890) para entender por que o SUV derivado da picape média Hilux detém uma legião de fãs e clientes fiéis.

Bruto, mas gentil

Toyota SW4
Toyota SW4 SRX Platinum vem bem equipado e se mostra valente em trechos de terra, além de ser espaçoso
Imagem: Guilherme Silva

Fabricado com chassi de longarinas sob a carroceria e movido por um forte motor turbodiesel combinado a um sistema de tração 4x4, o Toyota SW4 é capaz de levar até sete ocupantes a lugares onde SUVs feitos com estrutura monobloco não cogitam chegar – e ainda suporta o peso extra de uma blindagem sem comprometer muito o desempenho.

O motor 2.8 turbodiesel de 204 cv de potência e 50,9 kgfm de torque, aliás, se mostra competente para empurrar as mais de duas toneladas do SW4, uma vez que a sua proposta não é focada em alto desempenho. A aceleração de 0 a 100 km/h acontece em aproximadamente 12 segundos, mas a força do propulsor fica mais evidente em retomadas e, principalmente, no fora-de-estrada.

Se o motorista precisar de mais disposição do propulsor numa ultrapassagem, por exemplo, pode optar pelas trocas manuais ou acionar o modo Sport do câmbio automático de seis marchas, que passa a priorizar relações mais baixas para subir o giro do motor e entregar mais desempenho.

Longe do asfalto, o SUV parece se sentir mais à vontade ao aproveitar o torque disponibilizado plenamente a 2.800 rpm para superar ladeiras enlameadas, estradas de terra, entre outros obstáculos, como se estivesse passeando na cidade a caminho do shopping center (uso muito comum de boa parte dos donos do SW4 que vivem em grandes centros urbanos).

A tração 4x4 com acionamento eletrônico e reduzida, mais o bloqueio do diferencial traseiro e o assistente de velocidade em descida, estão à disposição, mas o Toyota SW4 dá conta de passar pela maioria dos terrenos acidentados tracionando apenas as rodas traseiras no modo 4x2.

Diferentemente da Hilux, dotada de tração traseira com eixo rígido e feixe molas semielípticas, o SW4 utiliza molas helicoidais, como os automóveis. O resultado é um rodar suave a maior parte do tempo, embora a traseira mostre tendência a sacolejar um pouco em pisos acidentados.

Rodando sobre asfalto bem conservado, o “SUVão” parece levitar de tão macio, característica que agrada em cheio quem prioriza o conforto, mas pode provocar queixas de quem espera uma dinâmica mais afinada em curvas pelo fato de a carroceria inclinar demasiadamente se o condutor abusar da velocidade nessa condição. Porém, graças à sua construção mais parruda, o SW4 mal toma conhecimento na hora de transpor obstáculos típicos de cidade, como buracos, lombadas e valetas.


Toyota SW4
Toyota SW4 avaliada mostrou ter bom acabamento e conforto para até sete ocupantes
Imagem: Guilherme Silva

Contudo, a cabine já demonstra os sinais da idade do projeto lançado há uma década, mas ainda acomoda bem os passageiros, embora a terceira fileira de bancos seja mais indicada para levar crianças devido ao espaço bastante limitado para as pernas de quem viaja ali. O sistema de rebatimento dos bancos, que se dobram e ficam pendurados nas laterais do porta-malas quando não estão em uso, é um indicativo de defasagem em relação a outros SUVs de sete lugares, cujos assentos extras ficam alojados no assoalho do compartimento de bagagens.

O porta-malas do Toyota SW4 tem 500 litros de bagagem, mas a capacidade cai para apenas 180 litros quando a terceira fileira de bancos está sendo usada. Para facilitar o acesso ao bagageiro, o SUV conta com abertura e fechamento elétricos por meio de botões na própria tampa, na chave e no painel.

O acabamento interno do SW4 é predominado por plástico rígido, mas desde 2023 a versão SRX Platinum traz no painel os arremates macios ao toque e que imitam couro da configuração Diamond. Apliques simulando madeira escura aplicados no volante e no console central tentam dar um ar mais sofisticado ao interior do SUV. Ah, o onipresente reloginho digital na parte superior do painel dá o toque de nostalgia ao habitáculo do SUV.

Economia boba contrasta com a tecnologia

Toyota SW4
Toyota SW4 está repleto de recursos, mas faltaram itens como carregador de celular por indução, vendido como acessório
Imagem: Guilherme Silva

A lista de segurança composta por seis airbags, controles de estabilidade e tração e assistente de velocidade em descida tem o reforço do pacote de tecnologias de condução, que adiciona frenagem autônoma emergencial, sensor de ponto cego, assistência de permanência em faixa e controle de cruzeiro adaptativo (ACC).

Apesar de todos esses recursos, os faróis full LED com acendimento automático não acionam o facho alto conforme o nível da iluminação ambiente. Os limpadores do para-brisa, por sua vez, não possuem sensor de chuva.

Enquanto a Hilux possui freios traseiros a disco somente nas versões topo de gama, o SW4 sai de fábrica com esse componente em todas as configurações. O freio de estacionamento, no entanto, ainda é acionado pela tradicional alavanca no console central, ao contrário dos concorrentes, que já possuem sistema eletrônico com função Auto Hold (mantém o veículo parado quando o motorista tira o pé do freio). A direção tem assistência hidráulica, diferentemente do sistema elétrico dos outros SUVs da categoria.

Painel digital talvez seja aplicado na próxima geração do SW4, pois a atual tem de se contentar com uma pequena tela que abriga o computador de bordo e o velocímetro. E, caso algum ocupante queira recarregar o telefone celular, terá de conectar o cabo do aparelho na porta USB ou nas tomadas 12V no painel ou no console voltado ao banco traseiro, pois o carregador por indução é vendido como acessório por R$ 2.754.

O Toyota SW4 possui dois porta-luvas, mas nenhum deles tem iluminação, uma economia injustificável para um veículo que custa tanto quanto um apartamento pequeno.

Veredicto

O Toyota SW4 está na mesma faixa de preços de SUVs de marca premium, mas justifica a sua fama com a capacidade de viajar para qualquer lugar sem passar perrengue graças à robustez de picape conferida pela mecânica reconhecidamente confiável.

No entanto, o segmento de SUVs de sete lugares oferece opções mais em conta e tão robustas quanto o SW4: Chevrolet Trailblazer (R$ 405.590) e Mitsubishi Pajero Sport HPE-S (preço promocional de R$ 385.990 em maio de 2025). Para o público mais urbano, que não precisa de um utilitário com chassi sob a carroceria, há o Jeep Commander Overland 2.2 turbodiesel 4x4 (R$ 309.990).

 

Toyota SW4
Toyota SW4 é resistente e estiloso, mas tem preço mais alto que a maioria dos rivais. Porta-malas leva 500 l com 5 lugares
Imagem: Guilherme Silva

   

 

Guilherme Silva

Jornalista do setor automotivo desde 2009