Brasilia de 45 anos congela no tempo e vale quase um T-Cross 0 km; veja preço
Clássico nunca restaurado está como novo e com todos os detalhes originais de fábrica
Tirando o Volkswagen Fusca, outro modelo que vem atraindo cada vez mais a atenção de colecionadores é a Brasilia. O carro elevado ao posto de perua só para pagar menos impostos surgiu em 1973 como uma opção mais espaçosa ao ‘irmão’ mais velho.
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Para garantir o sucesso do Fusca, a Volkswagen adotou a mesma receita simples e confiabilidade na manutenção do velho motor boxer a ar. A cereja do bolo estava no espaço interno melhor aproveitado, por conta da adoção de um chassi exclusivo.
Com isso, a Brasilia tinha argumentos de vendas contra o Chevrolet Chevette e Dodge 1800 (depois nomeado de Polara), também estreado em 1973. Apesar de o projeto ter dado muito certo, a Volkswagen Brasilia teve uma vida curta, de menos de 10 anos, mas isso não impediu a soma de mais de um milhão de unidades vendidas. Este belo exemplar de Brasilia, fabricado no penúltimo ano (1981), é um raro colecionável que foi vendido pelo Reginaldo de Campinas.
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A aparência é de um carro zero-quilômetro, com todos os vidros originais sem riscos ou manchas, tapeçaria em perfeito estado e a parte elétrica toda cuidada, 100% operacional, sem falhas. Já o motor 1600 boxer a ar de 65 cv tem um funcionamento linear e suave.
“É um modelo ‘na caixa’, sem qualquer retoque de pintura ou pneus trocados, e com seus 13 mil km de história para contar”, conta Reginaldo Ricardo Gonçalves, o conhecido e respeitado Reginaldo de Campinas.

Imagem: Reprodução/Reginaldo de Campinas
Com relação a valores, fica complicado estipular, pois sabemos que no mundo do antigomobilismo, vale o princípio econômico básico da clássica lei da oferta e da procura. O fato é que a Volkswagen Brasilia tem atraído cada vez mais a atenção, inclusive de colecionadores de fora, em especial os norte-americanos.
Um exemplar como este do Reginaldo de Campinas, que nunca sofreu nenhum tipo de intervenção que denigra a originalidade do veículo, podemos afirmar com convicção que deve valer em média entre R$ 130 mil e R$ 180 mil, o suficiente para comprar um SUV compacto T-Cross novinho em folha, da linha 2026.
“Aqui nos EUA, trabalhamos com diversos modelos, incluindo os brasileiros, e vejo que o norte-americano tem demonstrado grande interesse por estes veículos, em especial os aircooled”, comenta João Siciliano, da loja Siciliano Company.
UMA CURTA HISTÓRIA DE SUCESSO

Imagem: Divulgação
A história da Volkswagen Brasilia começou em 1973, com a missão de substituir por aqui o velho Fusca, o que não aconteceu. Mas isso não impediu de ocupar a segunda posição entre os carros mais vendidos do Brasil nos anos de 1974 a 1979.
Um caso curioso ocorreu durante a fase de testes, quando a Brasilia estava sendo testada nos arredores da fábrica da Volkswagen, em São Bernardo do Campo (SP). O fotógrafo Claudio Laranjeira, da Quatro Rodas, fez algumas fotos do segredo, provocando a ira dos seguranças. Frustrados, começaram a atirar contra o carro do profissional. O caso causou bastante comoção, o que levou a própria fabricante a pedir desculpas publicamente.
Embora o Besouro ainda fosse sucesso de vendas, a Brasilia reforçaria a briga contra os rivais, como o Chevrolet Chevette, que também havia acabado de ser lançado. Outro motivo de orgulho para ela é que, junto ao esportivo VW SP2, foi um dos primeiros veículos projetados fora da matriz alemã, ambos assinados pelo designer Márcio Piancastelli.
A Brasilia, apesar de ser menor em relação ao Fusca em 17 cm no comprimento, possuía o espaço interno muito melhor aproveitado. O truque para isso estava no motor 1600 de ventoinha vertical emprestado do VW 1600 4 portas e não o chamado “motor chato” que equipava a Variant e o TL. Com essa configuração, permitiu-se que os engenheiros pudessem posicionar o banco traseiro mais próximo do conjunto mecânico, ancorado na traseira.
As primeiras unidades da Brasilia vinham com o motor 1600 refrigerado a ar, alimentado por um carburador (Solex 30), que fornecia a potência de 60 cv e torque de 12 kgfm a 3.000 rpm, transmitidos às rodas traseiras.
Em companhia do câmbio de quatro marchas, isso representava um 0-100 km/h em longos 20,2 segundos e uma velocidade final de 130 km/h. O consumo também não era dos melhores. Fazia 8,9 km/l na cidade e 11 km/l na estrada.

Imagem: Divulgação/Volkswagen
A resposta só veio em 1976, quando passou a ser alimentado por dois carburadores (Solex 32), garantindo 65 cv brutos de potência. Na prática, ele ganhou em desempenho e, principalmente, na economia de combustível. No entanto, a versão com um só carburador ainda era ofertada até ser dizimada aos poucos por conta da baixa procura.
Em 1978, junto a algumas mudanças, como emblema, novo capô, para-choques e lanternas traseiras, veio a configuração com quatro portas, cujo mercado ficou restrito aos taxistas. Fora isso, esta versão já havia sido exportada para a África do Sul e outros países vizinhos.
Em 1980, com a crise do petróleo dominando os holofotes, a Volkswagen seguiu os passos da Fiat com o pequeno 147 movido a álcool. O motor mantinha os quatro cilindros opostos a ar, mas era estrangulado em 1.300 cc, o que rendeu apenas 49 cv de potência.
Não fosse a decisão de tirá-la de circulação, os números poderiam ter sido melhores. A atitude, inclusive, gerou controvérsia, visto que o Fusca era um projeto mais antigo e, portanto, também cotado para ser descontinuado. O VW Gol foi uma das razões do encerramento da história da Brasilia em nosso mercado.
BRASILIA NAS PISTAS

Imagem: Reprodução/Facebook
O piloto brasileiro Ingo Hoffmann chegou a correr com a Brasilia da equipe Creditum, na extinta Divisão 3, e ganhou o Campeonato Paulista de 1974 na Classe A, que tinha como regra veículos equipados com motores de até 1.600 cm³.
O carro também participou do World Cup Rally nas mãos de Cláudio Mueller e Carlos Weck, também em 1974. A partida, considerada complexa devido à alta resistência exigida, iniciou-se em Londres, passou por diversos outros países e terminou em Munique, na Alemanha.
