Na China, os 10 carros mais vendidos são eletrificados; três deles estão no Brasil

Ranking provisório de agosto mostra domínio de elétricos e híbridos plug-in no maior mercado automotivo do mundo. Geely EX2 liderou
Geely Xingyuan, o nosso EX2

Geely Xingyuan, o nosso EX2 | Imagem: Geely

Os dez carros mais vendidos no varejo chinês em agosto de 2026 são eletrificados. O levantamento provisório por modelos mostra que nenhum veículo movido exclusivamente a combustão conseguiu entrar no Top 10 do maior mercado automotivo do mundo, algo que havia ocorrido pela primeira vez em maio.

O ranking disponível neste momento é baseado nos dados de varejo divulgados na China e ainda pode sofrer alterações de posição com a consolidação das informações por modelo. Isso não muda, porém, a característica mais curiosa da lista: qualquer que seja a consolidação adotada entre as disponíveis, as dez primeiras posições são ocupadas por veículos classificados como de nova energia (NEVs) no país.

Ranking provisório de agosto de 2026

1º - Geely Xingyuan (EX2 no Brasil) - 39.651 unidades

2º - Leapmotor A10 - 30.652

3º - Tesla Model Y - 29.260

4º - BYD Yuan UP (o nosso Yuan Pro) - 22.958

5º - Tesla Model 3 - 20.787

6º - Changan Qiyuan Q05 - 17.349

7º - Li Auto i6 - 16.979

8º - BYD Dolphin - 16.829

9º - Xiaomi SU7 - 16.518

10º - Wuling Bingo Pro - 14.695

Leapmotor A10
Leapmotor A10 Imagem: Divulgação

Há uma diferença de consolidação envolvendo o Fangchengbao Tai 7. Outra base soma as versões elétricas e híbridas plug-in do modelo e aponta 23.471 unidades, volume suficiente para colocá-lo na quarta posição. Nesse caso, os modelos seguintes perderiam uma colocação e o Wuling Bingo Pro sairia do Top 10. O Tai 7 também é eletrificado, portanto a divergência não altera a ausência de modelos exclusivamente a combustão entre os dez primeiros.

Três carros conhecidos dos brasileiros

A lista chama atenção também pela presença de três automóveis comercializados oficialmente no Brasil, embora dois deles tenham nomes diferentes por aqui.

O líder Geely Xingyuan é o mesmo modelo oferecido no mercado brasileiro como Geely EX2. O hatch elétrico foi lançado no Brasil em novembro de 2025 e a própria fabricante identifica o Xingyuan como seu nome no mercado chinês. A Geely também já anunciou que o EX2 será produzido no Paraná até o fim de 2026.

O BYD Yuan UP, quarto colocado no ranking provisório, é vendido no Brasil como Yuan Pro. Trata-se do SUV elétrico compacto da BYD equipado por aqui com bateria de 45,1 kWh. Já o BYD Dolphin mantém o mesmo nome nos dois países e aparece em oitavo lugar.

Tesla Model Y e Model 3 não entram nessa comparação. Embora unidades dos dois elétricos possam existir no Brasil por meio de importadores independentes, a Tesla não comercializa oficialmente seus automóveis no país.

Tesla Model Y 2026
Tesla Model Y 2026 Imagem: Tesla

Segunda vez em 2026

A ausência completa de carros exclusivamente a combustão do Top 10 não é inédita, mas ainda é um fenômeno recente. Em maio de 2026, pela primeira vez desde o início desse tipo de levantamento, os dez carros mais vendidos no varejo chinês foram modelos de nova energia.

A mudança ocorreu rapidamente. Em janeiro, sete dos dez primeiros colocados ainda eram carros a combustão. Em março eram cinco e, em abril, apenas um, o Geely Binyue, permaneceu entre os dez primeiros. Em maio, os veículos a combustão desapareceram da lista, embora tenham voltado a ocupar algumas posições nos meses seguintes.

A participação dos eletrificados no mercado como um todo também é bem menor que os 100% observados no Top 10. Em maio, quando ocorreu a primeira lista integralmente formada por NEVs, esses veículos representaram 62,9% das vendas de varejo de automóveis de passageiros na China.

Varejo bem diferente do atacado

Os números chineses exigem atenção porque rankings aparentemente semelhantes podem medir coisas diferentes. A Passenger Car Market Information Joint Branch da China Automobile Dealers Association (CADA), entidade conhecida anteriormente como China Passenger Car Association (CPCA), divulga dados tanto de varejo quanto de atacado.

BYD Yuan UP, Pro no Brasil
BYD Yuan UP, Pro no Brasil Imagem: BYD

Para observar quais carros estão chegando ao consumidor chinês, o indicador mais apropriado é o varejo doméstico. Já o atacado registra as vendas das fabricantes para a rede de distribuição e incorpora também veículos destinados à exportação.

A diferença pode ser enorme. Em agosto, as exportações chinesas de automóveis de passageiros cresceram 77,5% sobre o mesmo mês de 2025, chegando a 894 mil veículos, enquanto as vendas domésticas recuaram 23,7%. As exportações de elétricos e híbridos plug-in avançaram 154,7% no mesmo período.

Essa distinção também ajuda a entender por que a BYD não ocupa o ranking inteiro apesar de ser a maior fabricante chinesa de veículos eletrificados. Seu volume está distribuído por uma extensa gama de automóveis e marcas, enquanto parte relevante de sua produção é destinada a outros mercados. Comparar o volume global ou de atacado da fabricante diretamente com as vendas domésticas de um único modelo produz resultados enganosos.

O fenômeno não significa que os chineses tenham abandonado os automóveis a combustão. Em agosto, o varejo somou cerca de 1,54 milhão de carros de passageiros, dos quais 1,005 milhão eram eletrificados e aproximadamente 536 mil, ou 35%, movidos exclusivamente a combustão. Para se ter uma ideia da dimensão do mercado chinês, apenas em agosto foram vendidos no país mais carros de passageiros que os 1,51 milhão de automóveis emplacados no Brasil entre janeiro e agosto de 2026.

Ricardo Meier

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