Carros elétricos exigem menos manutenção? Entenda o que dizem as fabricantes

Com menos peças e mais tecnologia, elétricos e híbridos mudam a rotina de manutenção do brasileiro
carro elétrico

carro elétrico | Imagem: Reprodução/ Shutterstock

À medida que os veículos elétricos e híbridos ganham espaço no Brasil, cresce também a curiosidade dos motoristas sobre o ponto de como funciona a manutenção desses modelos? A eletrificação trouxe não só uma nova forma de dirigir, mas também um novo jeito de cuidar do carro e isso ainda causa dúvidas até entre quem já fez a migração para um modelo eletrificado.

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Segundo a Osten Motors, uma das principais redes do segmento premium, a maior parte das perguntas dos proprietários gira em torno de três temas: intervalo das revisões, itens que realmente precisam ser trocados e custos envolvidos. E a verdade é que, quando falamos em carros eletrificados, o cenário muda bastante em relação aos veículos a combustão.

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Começando pelos 100% elétricos, são menos peças mecânicas, menos desgaste e, consequentemente, menos idas à concessionária. Caroline Rocha, Gerente Regional de Pós-Venda da Osten Motors, explica que esses modelos têm um volume muito menor de componentes sujeitos a desgaste. Resultando em revisões mais espaçadas, tempo reduzido no box e despesas até 50% menores do que as de um carro tradicional.

Um bom exemplo vem da BYD

Modelos elétricos têm apresentado queda nas vendas em vários países do mundo
Modelos elétricos exigem menos manutenção que os movidos apenas a combustão, segundo especialistas
 Imagem: Divulgação

Modelos como o Dolphin Mini, têm revisões programadas a cada 12 meses ou 20 mil quilômetros, o dobro do intervalo recomendado para um veículo a combustão.

E, quando o carro entra no pós-vendas, a rotina também é enxuta, nas revisões ímpares, apenas o filtro do ar-condicionado é substituído. Nas pares, somam-se apenas os fluidos de freio e transmissão. ?Com menos itens para inspecionar, o cliente normalmente pega o carro de volta em cerca de 2h30?, comenta Eduardo Santos, Gerente de Pós-Vendas da BYD Osten.

Já os híbridos da marca chinesa, casos do Song, King e Shark, exigem um pouco mais de atenção. Eles seguem revisões anuais ou a cada 12 mil km, e o tempo de serviço acaba sendo semelhante ao de um carro a combustão, justamente pelo maior número de componentes envolvidos.

Nem toda montadora segue uma agenda fixa


Carregador doméstico facilita bastante a vida de quem tem um carro elétrico e costuma usá-lo no dia a dia
Carregador doméstico facilita bastante a vida de quem tem um carro elétrico e costuma usá-lo no dia a dia
Imagem: Divulgação

Na BMW, por exemplo, quem decide o momento da manutenção é o próprio carro. A marca utiliza o sistema Condition Based Service (CBS), que analisa o uso real do veículo, tipo de trajeto, trânsito, intensidade de frenagens e só então indica a necessidade de revisão.

Ou seja, dois proprietários de um mesmo modelo, rodando 50 km por dia, podem receber alertas de manutenção em momentos completamente diferentes. ?Em média, os elétricos da BMW param a cada dois anos. Já os híbridos costumam passar pelo menos uma vez ao ano?, explica Marcelo Tavares, Gerente de Pós-Vendas da unidade da Barra Funda.

Esse monitoramento também define quanto tempo o carro ficará parado. Há casos de motoristas de híbridos da BMW que praticamente não abastecem, rodando quase sempre no modo elétrico. Isso prolonga a vida útil das peças ligadas ao motor a combustão e, claro, reduz o tempo de oficina. Mais uma vez, tudo comandado pelo software.

Se por um lado a manutenção tende a ser mais simples, por outro surge um novo tipo de dúvida: como mexer nas configurações do carro. E esse é, hoje, um dos motivos mais comuns para que clientes procurem o pós-vendas. Eduardo Santos compara os elétricos a smartphones, no dia a dia, usamos o básico, e só quando tenta acessar funções específicas surgem as incertezas.

Pode ser uma luz que não acende da forma esperada, o travamento das portas, o controle do ar-condicionado ou um recurso integrado à central multimídia. As fabricantes atualizam constantemente as interfaces, mas nem todo mundo se adapta ao mesmo ritmo e aí o suporte da concessionária se torna essencial.

Crescimento dos eletrificados 


JAC iEV 40 2020
De janeiro a outubro, 81,6% dos 168.798 eletrificados vendidos são modelos plug-in
Imagem: Divulgação

O aumento das dúvidas sobre manutenção não acontece por acaso,  ele acompanha a expansão acelerada dos eletrificados no Brasil. Segundo dados do Tupi Mobilidade/ABVE Data, os veículos elétricos plug-in se consolidaram como o principal motor desse avanço.

De janeiro a outubro, 81,6% dos 168.798 eletrificados vendidos são modelos plug-in, mais de 138 mil unidades. Ou seja, enquanto o consumidor aprende a lidar com novas tecnologias no dia a dia, como o CBS da BMW ou os ciclos de revisão mais longos da BYD.

Esse crescimento é impulsionado por um cenário de investimentos que o Brasil não via há anos. Em 2025, a BYD iniciou operações industriais em Camaçari (BA) e a GWM fez o mesmo em Iracemápolis (SP).

O resultado desse movimento aparece nos emplacamentos. O Brasil registrou 21.369 veículos eletrificados leves em outubro, praticamente repetindo o volume de setembro, mas alcançando mais de 147 mil unidades no acumulado de 2025, segundo a ABVE.

Os híbridos plug-in (PHEV) lideram com 44% das vendas no mês, seguidos pelos elétricos puros (37%). E dentro desse universo, o destaque continua sendo o BYD Dolphin Mini, que voltou a ultrapassar 2,6 mil unidades mensais, acompanhado por Dolphin e Yuan Pro entre os mais vendidos.

Projeções da Anfavea e do BCG indicam que esse movimento tende a se acelerar. A expectativa é que os eletrificados representem 50% das vendas do setor até 2030, superando os veículos a combustão ainda nesta década e podendo alcançar 90% de participação até 2040.

E se existe um laboratório prático da eletrificação brasileira, esse lugar é São Paulo. O Estado viu sua frota de eletrificados saltar de 4.307 unidades em 2019 para mais de 59 mil em 2025, um crescimento de 1.278% em seis anos, segundo o Detran-SP.

Hoje, 7,4% dos novos emplacamentos paulistas envolvem algum tipo de eletrificação, com expectativa de chegar a 77 mil veículos até o fim de 2025. Entre os 100% elétricos, o salto é ainda maior, sendo de 429 para mais de 16,6 mil unidades no período.

Stephanie Gomes

Estudante do 2º ano de comunicação, Stephanie escolheu a profissão por acreditar no poder transformador do jornalismo.