Chegou a hora do adeus aos hatches médios?

Antes símbolos de status, os hatches foram engolidos pelos SUVs compactos
Volkswagen Golf 2017

Volkswagen Golf 2017 | Imagem: Divulgação

A década de 1990 e o começo dos anos 2000 foram um divisor de águas para muitos segmentos. Até essa época, por exemplo, vivíamos um período totalmente diferente no mercado nacional, com até algumas station wagons disputando a preferência dos consumidores. Lembram da Toyota Fielder, Peugeot 307 SW, Renault Mégane Grand Tour? Pois é, foi-se o tempo em que elas eram os carros mais desejados pelas famílias brasileiras.

O mesmo ocorreu com os hatches médios. Afinal, qual jovem na casa de seus 18 a 30 anos não sonhava em ser dono de um Volkswagen Golf ou um Ford Focus, não é mesmo?

Só que talvez sequer as fabricantes iriam imaginar um segmento com uma aceitação tão grande quanto a dos SUVs compactos, modelo que praticamente engoliu desde os hatches médios passando pelas stations wagons e as minivans.

Neste ano, como você pode conferir em nosso ranking de vendas específico dos hatches médios, é nítido como a categoria por aqui está praticamente tornando-se uma segmentação de nicho. O melhor colocado deles, no caso o Chevrolet Cruze Sport6, registrou de janeiro a maio 2.562 emplacamentos, portanto uma média de 512 carros comercializados ao mês. A situação é ainda pior para o Volkswagen Golf e o Ford Focus, outrora modelos extremamente desejados, e hoje vendendo em média 427 e 338 unidades por mês, respectivamente.

Se nós voltarmos cinco anos no tempo, um Ford Focus, que foi o líder do segmento em vendas em 2012, comercializou 24.019 unidades ao longo do ano em questão, uma volume médio total de mais de 2.000 carros/mês. Em que pese diversos fatores, como a retração da economia e do mercado como um todo, estamos falando de uma assustadora redução de 83% nas vendas específicas do Focus.

Durante o lançamento do Nissan Kicks, em julho de 2016, a equipe de marketing da marca realizou um interessante estudo de mercado onde apontava que a participação dos SUVs compactos no Brasil saiu de apenas 1,7% em 2010 para 9,8% até o ano passado, sendo que os clientes que mais migravam para o segmento eram os proprietários justamente de hatches médios, monovolumes e station wagons. Parece que o único segmento que ainda mostrava-se imune à onda de SUVs é o dos sedãs, até mesmo por sua carroceria bem específica para determinados tipos de clientes.

Fato é que os projetos dos SUVs conseguem entregar uma ótima combinação entre espaço interno e versatilidade, algo fundamental para as famílias, e “de quebra” ainda tem o benefício da maior altura em relação ao solo, proporcionando uma sensação de segurança e controle ao volante que agrada muita gente.

Se eram muitas vezes as vitrines tecnológicas das marcas, cabendo a eles lançarem no mercado brasileiro muitos recursos inovadores como foi o caso do Fiat Stilo com o câmbio robotizado, por exemplo, esse papel cada vez mais vai migrar dos hatches médios para os SUVs compactos. O já citado Nissan Kicks é um bom exemplo. A partir de agora fabricado no Brasil, o modelo em sua versão topo de linha SL trará recursos como o alerta de colisão com assistente inteligente de frenagem.

Apesar da procura em queda pelos hatches médios, algo que ocorre até mesmo na Europa, o berço desse tipo de carroceria, é certo que as marcas não deverão abandonar tão cedo esse tipo de modelo sobretudo pela grande relevância de modelos como o Volkswagen Golf e o Ford Focus e toda a reputação que conquistaram ao longo dos anos. Mesmo vendendo menos inclusive na Europa, eles ainda registram uma procura considerável por lá. Segundo dados globais da consultoria Focus2move, o Focus registrou uma queda de 11,5% nas vendas entre os anos de 2016 e 2015, com 735.511 unidades emplacadas no ano passado em todos os mercados onde é vendido. O Volkswagen Golf, por sua vez, registrou uma redução menor, da ordem de 4,9%, porém foi a escolha de 1.002.840 pessoas no mundo. 

A Fiat, que procura se manter ativa no segmento de hatches médios na Europa e inclusive resgatou o Tipo para tal missão, por aqui já transpareceu uma mensagem clara com a chegada do Argo de que não pretende oferecer tão cedo outro hatch médio no mercado depois que o Bravo foi descontinuado. Pensando em oferecer algo próximo para esse cliente foram pensadas versões mais caras do Argo, como a esportiva HGT, que deverá atender esse público.

E você, prefere um hatch médio ou um SUV compacto? Vai sentir falta de mais novidades entre os hatches?

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