Chery Tiggo 2 tira zero no Latin NCAP e pega fogo durante teste de colisão; veja vídeo
Já aposentado no Brasil, o compacto chinês foi o primeiro reprovado no novo protocolo do Latin NCAP
O Chery Tiggo 2 tirou uma daquelas notas que ninguém quer tirar. O modelo recebeu zero estrela de segurança no Latin NCAP, o programa que avalia carros novos vendidos na América Latina e no Caribe. O modelo foi o primeiro a passar pelo protocolo atualizado, que começou a valer agora em 2026.
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A avaliação vale para todas as versões do SUV fabricadas na China e vendidas na região, Tiggo 2, Tiggo 2 Pro e Tiggo 2 Pro Max, além do Chirey Tiggo 2 Pro com quatro airbags oferecido no México (por lá, a marca usa o nome Chirey).
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O preço é baixo, mas a que custo? Na Argentina, o Tiggo 2 Pro Max tem preço de tabela de US$ 23 mil (aproximadamente R$ 124 mil) e é o modelo mais barato da Chery no país.
Para o Brasil, o nome não é estranho. O Tiggo 2 já foi vendido por aqui e chegou a ser uma das portas de entrada da marca no país, mas saiu de linha e hoje não faz mais parte do catálogo daqui. Mas unidades avaliadas são as chinesas, atuais, e não exatamente iguais às que rodaram no mercado brasileiro.
Risco de incêndio

Imagem: Divulgação
Durante o teste de colisão frontal, o carro registrou um pequeno incêndio. Segundo o Latin NCAP, esse risco de fogo poderia colocar em perigo não só quem está dentro do veículo, mas também as equipes de resgate que chegam para socorrer as vítimas.
Esse problema, somado à fraca proteção do tórax do motorista, foi decisivo para que o Tiggo 2 zerasse a categoria de ocupantes adultos.
- Proteção de ocupantes adultos: 0%
- Proteção de ocupantes infantis: 0%
- Proteção de pedestres e usuários vulneráveis da via: 48,89%
- Sistemas de assistência à segurança: 45,45%
O carro passou por testes de impacto frontal e lateral, avaliação de chicote cervical nos bancos dianteiros e traseiros, proteção de pedestres, controle de estabilidade e o famoso teste do alce, que simula um desvio repentino de obstáculo.
Crianças sem proteção adequada

Imagem: Divulgação
A proteção infantil foi classificada como alarmantemente ruim e o carro não marcou nenhum ponto, nem nos testes dinâmicos, nem na parte de instalação das cadeirinhas.
O boneco que representa uma criança de 10 anos registrou valores elevados de impacto no pescoço e na cabeça durante a batida frontal, e novamente na cabeça na colisão lateral.
Com o boneco de 3 anos, a situação foi ainda mais delicada, a cabeça ficou exposta e houve risco de ejeção no impacto lateral.
Para completar, os pontos de fixação i-Size, padrão usado para prender as cadeirinhas com mais segurança, não atenderam às exigências do Latin NCAP e recebeu zero também na capacidade do carro de permitir a instalação correta desses dispositivos.
Na batida de frente, a carroceria do Tiggo 2 se mostrou instável e a região dos pés do motorista ficou comprometida. Junto com a alta compressão no tórax, quem dirige estaria mal protegido em um acidente desse tipo.
Outro ponto que pesou foi que o SUV não oferece de série nenhuma proteção lateral para a cabeça, como os airbags de cortina. Por isso, o teste de impacto lateral contra poste nem chegou a ser feito, o que derrubou ainda mais a pontuação.
Os problemas seguem no banco traseiro. Os cintos de lá não têm pré-tensionadores nem limitadores de carga, recursos que ajudam a segurar o corpo no momento certo e a reduzir a pressão sobre o peito.
Em batidas traseiras, a estrutura também não teve desempenho aceitável, e a proteção para o pescoço foi considerada insuficiente ou marginal em todos os assentos.
Novo protocolo, régua mais alta

Imagem: Divulgação
Parte desse resultado tem a ver com as novas regras do Latin NCAP. A partir de agora, os testes incluem a avaliação de crianças de 10 anos e de adultos de baixa estatura no banco de trás, representados por um boneco que simula uma mulher mais baixa.
No caso do Tiggo 2, esse boneco feminino não recebeu proteção alguma durante a colisão frontal, o que mostra que crianças maiores e adultos menores ficam vulneráveis na segunda fileira do SUV.
O Tiggo 2 não tem quase nada de tecnologia de segurança. Vem de série com quatro airbags e controle eletrônico de estabilidade (ESC), mas para por aí. Não há nenhum sistema avançado de assistência ao motorista, os chamados ADAS, nem como opcional.
O carro não tem frenagem autônoma de emergência, alerta de ponto cego, assistente de permanência em faixa nem controle de cruzeiro. Na categoria de assistência à segurança, ele só levou pontuação máxima no alerta de cinto afivelado e conseguiu alguns pontos pelo ESC, já que nem limitador de velocidade está disponível.
Tiggo 2 já chegou a ser vendido no Brasil

Imagem: Divulgação
O Caoa Chery Tiggo 2 foi lançado no Brasil em março de 2018, marcando a estreia da parceria entre o Grupo Caoa e a fabricante chinesa Chery. Produzido na fábrica de Jacareí (SP), o SUV compacto derivava do hatch Celer e apostava no visual aventureiro, no espaço interno e no preço competitivo para conquistar consumidores. Na época, chegou ao mercado com preços a partir de R$ 59.990.
O modelo era equipado com motor 1.5 flex aspirado de até 115 cv e 14,9 kgfm de torque, combinado a um câmbio manual de cinco marchas ou automático de quatro velocidades. Ao longo de sua trajetória, foi oferecido em versões como Look e ACT, com diferenças de equipamentos e acabamento. Entre os destaques estavam a posição de dirigir elevada e o porta-malas de boa capacidade para a categoria.
O Tiggo 2 deixou de ser produzido em 2021 e saiu definitivamente do mercado brasileiro em 2022. Além das vendas em queda após a chegada do Tiggo 3x, seu conjunto mecânico não atendia às novas exigências de emissões do Proconve L7, em vigor desde janeiro daquele ano. O modelo teve papel importante na primeira fase da Caoa Chery, mas acabou substituído na gama pelo Tiggo 3x, que trazia visual atualizado e motor 1.0 turbo flex, em junho de 2021. Saiu de linha logo depois, em maio de 2022, com a suspensão da produção na fábrica de Jacareí (SP), anunciada pela Caoa Chery.
