Chevette Verde Capri de quase 40 anos congela no tempo; saiba o preço da raridade
Sedã traz motor 1.6 de carburação dupla e todos os itens originais de fábrica
O Chevrolet Chevette chegou em 1973 em resposta ao Chrysler Dodge 1800 (mais tarde rebatizado de Polara), Ford Corcel e Volkswagen Brasilia. Sua inspiração vinha do Opel Kadett alemão. O auge do sucesso veio em 1983 quando foi o carro mais vendido do Brasil, quebrando a longa hegemonia do Volkswagen Fusca.
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Em 1984, o Chevette perdeu o troféu para o Monza que se manteve no pódio por mais dois anos, 1985 e 1986. A essa altura, o Chevette parecia ultrapassado diante do Volkswagen Voyage, Fiat Prêmio e Ford Escort. Foi então que em 1987 que o sedã da GM ganhou uma reestilização junto ao fôlego extra do motor 1.6/S, nas versões a gasolina e a álcool, como o deste exemplar das fotos.
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Este raro Chevette SL 1989 com seus 30 mil km originais é uma máquina do tempo que desperta olhares curiosos por onde passa, principalmente pelo brilho do verde metálico (Verde Capri), novidade também para o Opala e do então estreante Kadett.

Imagem: Reprodução/Well´s Garage
Devido às intempéries de Florianópolis (SC), mesmo com a garagem coberta, o Chevettinho, nestes mais de 30 anos, precisou passar por um banho de tinta, conforme explica o vendedor Wellington Giordano Domingues da Well’s Garage.
“Esta raridade pertenceu a uma senhora que ganhou num sorteio e usava muito pouco, e depois passou para um amigo nosso que deixou comigo para vendê-la”, explica Domingues.

Imagem: Reprodução/Well´s Garage
Por dentro, tudo nele é original e, por fora, detalhes a exemplos dos faróis, lanternas, para-choques e o mais importante, os vidros, incluindo o para-brisa, são exatamente os que vieram de fábrica. Os pneus, por questões lógicas, acabaram não resistindo ao tempo.
Segundo Wellington, este belo exemplar de Chevrolet Chevette SL 1.6/S 1989 está disponível por sugestivos R$ 72.919,89.
O PROJETO DO CHEVETTE

Imagem: Divulgação
909. Estes foram os números de um projeto da General Motors, o qual mais tarde o público o conheceria como Chevrolet Chevette. A ideia de construir este automóvel, que a GM o considerava como “veículo de passageiros de médio-pequeno porte”, partiu ainda cedo, nos idos de 1962.
Porém, somente três anos depois, após uma forte pesquisa de mercado entre seus possíveis e futuros compradores, a GM anunciaria o seu próximo lançamento, investindo US$ 102 milhões, que incluiriam: uma nova fábrica de motores em São José dos Campos-SP, a duplicação da fundição, um novo setor de estamparia e também uma moderna linha de montagem.
Baseado no Opel Kadett alemão, o Chevette foi um sucesso de vendas no seu segmento, graças às suas linhas modernas, além da durabilidade, eficiência e rapidez no trânsito. Contavam também a seu favor o espaço interno. Conta com 4,12 metros de comprimento, 1,57 m de largura e 1,32 m de altura. O porta-malas com 323 litros de volume também não fazia feio perante o Dodge 1800/Polara com seus 306 l, mas, em compensação, perdia para o Ford Corcel, com 380 l.
As primeiras unidades do Chevette vinham com motor de 1.400 cm³ (especialmente desenvolvido para o modelo), cuja potência máxima rendia bons 68 HP a partir das 5.800 rpm.
Seu peso de 870 kg, na prática, também ajudava no desempenho. Acelerava a máxima de respeitosos 140,62 km/h e cumpria a tarefa de zero a 100 km/h em 19 segundos.
Durante a sua trajetória, o Chevette ganhou diversas opções, como Hatch, Sedan, Perua (Marajó) e picape (Chevy 500), esta última fabricada até 1995. O sedã, porém, foi comercializado de 1973 a 1993, acumulando, nestes vinte anos de sucesso, muitas vitórias e conquistas.
INOVAÇÃO MECÂNICA

Imagem: Divulgação
Considerado o primeiro carro nacional com comando de válvulas no cabeçote acionado por correia dentada, o Chevette foi comercializado inicialmente nas versões Standard e SL (Super Luxo), apresentadas à imprensa no dia 24 de abril de 1973.
Logo depois viriam as demais opções. A GP foi uma delas! A GP (Grand Prix) foi uma série especial fabricada em 1976 em homenagem ao Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 daquele ano. Vinha com faixas pretas no capô e laterais, faróis de neblina, sobre-aros das rodas.
Um ano após, surgiu a GP II, com mudanças no motor, tornando-se mais econômico, graças às mudanças no comando de válvulas, distribuidor e carburador aperfeiçoado. A mudança mais significativa ocorreria já em 1978, ganhando um visual baseado no Pontiac Firebird norte-americano. Na traseira, não houve muitas mudanças na linha, mas já apresentava novo fôlego para brigar com VW Brasília, Chrysler Dodge 1800 e Ford Corcel, seus principais concorrentes.
No ano seguinte, a novidade ficava por conta da edição Jeans, diferenciada das outras versões pelas exclusivas padronagens dos tecidos na cor azul, além de um adesivo lateral frontal. Outra novidade foi a configuração de quatro portas para o Chevette, um mercado desafiador naquela época, quando somente os taxistas o consideravam um bom negócio.
Em 1980, a General Motors trouxe a série Ouro Preto para o público. A novidade, além da cor dourada, é claro, contava com ignição eletrônica nas versões a álcool, uma tecnologia que só surgiria a partir de 1982 para as outras versões, sendo opcional nos modelos movidos à gasolina.
SUCESSO ABSOLUTO

Imagem: Divulgação
Com a comemoração de 500.000 unidades produzidas, a fábrica apostava em outros modelos, como o hatch e uma perua denominada Marajó, lançados em 1981.
Curiosamente, uma versão automática de três velocidades chegou a ser oferecida em 1984, um ano depois da segunda reestilização da linha Chevette. Porém, o Chevette automático durou até o ano de 1990, devido à pouca procura desta versão.
Em 1987 foi a vez de chegar ao mercado a luxuosa versão SE, que continha um acabamento mais primoroso e um painel mais completo, com conta-giros e luzes de controle do consumo de combustível. A variante Hatch e a Sedan, de quatro portas, saíram da linha de produção neste ano.
Um ano depois, a versão SE virou SL/E como forma de unificar o padrão de toda a gama Chevrolet, como o Monza e Opala. Ainda em 1988, estreou o motor 1.6/S (1.599 cm³) de quatro cilindros, com comando simples no cabeçote (OHC) e alimentação feita por um carburador com a potência de 73 cv e torque de 12,2 kgfm na versão a gasolina e 82 cv e torque de 13 kgfm na opção a álcool.
Com a chegada dos carros populares, a GM aproveitava o momento para lançar o Chevette Júnior, uma estratégia de aproximar o consumidor do sonho do carro 0 km. O popular da GM perdia o acabamento de tecido nas portas, tornando-o o mais simples possível.
O Chevette Júnior recebia vidros mais finos como forma de aliviar seu peso, mas, mesmo assim, surpreendeu muito devido à sua potência relativamente baixa, de econômicos 50 cv.
No dia 12 de novembro de 1993, um Chevette L de 1,6 litro na cor branca se despedia da linha de montagem da GM, acumulando um total de 1,6 milhão de unidades comercializadas.
