Chevrolet Meriva é um usado barato mas tem defeitos conhecidos; veja os principais
Minivan saiu de linha em 2012 e custa de R$ 20 mil a R$ 31 mil, mas donos relatam falhas no câmbio Easytronic e no motor
A Meriva, minivan da Chevrolet, foi lançada no Brasil em 2002, meses depois de aparecer na Europa com a marca Opel, que na época pertencia à GM. No começo, ela era vendida com motores 1.8 de 8 e 16 válvulas a gasolina, este último desenvolvido em parceria com a Fiat.
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O modelo usava a mesma plataforma da segunda geração do Corsa, o que deixava a manutenção conhecida e barata. Ao longo da vida, a Meriva ganhou versão flex, motor 1.4 Econoflex e até uma esportiva em 2006 e ganhou também o polêmico câmbio automatizado Easytronic. A marca apostou nesse câmbio em 2008, com resultados nada bons. Você vai entender a razão disso mais abaixo.
A Meriva ficou à venda até 2012 e foi substituída pela Chevrolet Spin. Mas mesmo fora de linha há mais de uma década, continua aparecendo em anúncios de usados. As unidades mais antigas ficam na casa dos R$ 20 mil.
Pela Fipe, os modelos intermediários giram entre R$ 25 mil e R$ 28 mil. No topo estão as últimas unidades, de 2012. A Joy 1.4 Econoflex 2012 valia R$ 30.497, e a Maxx 1.4 Econoflex 2012 chega a R$ 31.054.
O preço é atraente, mas a idade pesa. Quem compra uma Meriva hoje leva um carro com, no mínimo, 14 anos de uso. Por isso, conhecer os pontos fracos do modelo é importante.
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Reclamações dos donos de Chevrolet Meriva
Levantamos de um site de defesa de consumidor, como o Reclame Aqui, os relatos mais recorrentes de proprietários do modelo. Eles se concentram em três frentes, o câmbio automatizado Easytronic, problemas no motor e perda de aceleração.
- Câmbio Easytronic

Chevrolet Meriva com câmbio automatizado Easytronic acumula queixas em sites de defesa do consumidor
Imagem: Divulgação
É um câmbio manual comum com um “robô” que pisa na embreagem e troca as marchas sozinho. É mais barato que um automático de verdade, mas é esse sistema que acumula queixas.
Uma consumidora contou que comprou uma Meriva e depois de um tempo o carro parou no meio de uma avenida em horário de pico. A consumidora ouviu que esse defeito era comum na Meriva automatizada. Ela pagou o conserto, mas o problema voltou.
Em resposta, a marca informou que veículo não estava mais coberto pela garantia. "Durante esse período, nos comprometemos a reparar, sem ônus ao cliente, quaisquer eventuais falhas de produto, material ou manufatura. Cada caso é analisado individualmente pela área técnica, seguindo as orientações descritas nos termos de garantia.", disse a Chevrolet.
Outro consumidor relatou que já estava mais de um mês sem sua Meriva. Ele já tinha gastado mais de R$ 5 mil com a troca do conjunto de embreagem e câmbio, reprogramação e vários guinchos. Um especialista em câmbios automáticos sugeriu levar o carro à autorizada, que teria o equipamento certo para reprogramar o sistema. A resposta, segundo o relato, não foi o que esperava, a concessionária disse que não achou o problema, não sabia consertar e chamou o modelo de “o maior azarão da montadora”.
A Chevrolet agradeceu pelo relato, disse que ele ajuda a analisar atendimento, processos e produtos, e orientou o cliente a procurar a Central de Relacionamento.
Um terceiro consumidor teve o mesmo problema e segundo ele, o mecânico disse que isso era comum na Meriva. Informou que na autorizada o valor ficava em torno de R$ 6 mil.
Mais de um ano depois, a montadora enviou a mesma mensagem padrão, agradecendo o relato e indicando a Central de Relacionamento.
- Motor

Chevrolet Meriva com motor 1.8 tem reclamações de donos sobre ruídos incômodos
Imagem: Divulgação
O dono de uma Meriva 1.8 contou que trocou a embreagem por causa de um barulho ao pisar no pedal, mas o ruído continuou. A oficina então identificou uma folga axial do virabrequim, que ele descreveu como característica dos motores 1.8 da Meriva.
Em resposta, a Chevrolet agradeceu por registar o relato e deixou o contato da Central de Relacionamento.
Já esse caso é de um consumidor que comprou o modelo usado em loja independente. Em setembro de 2025, ele contou que comprou uma Meriva 2007 e, quatro meses depois, o motor fundiu, com conserto de cerca de R$ 11 mil. Ele alega defeito oculto, diz que a loja não responde e que não recebeu nota fiscal do veículo.
- Acelerador eletrônico e perda de aceleração

Chevrolet Meriva pode apresentar falhas no sistema de aceleração, de acordo com relatos de donos
Imagem: Divulgação
As versões 1.8 da Meriva não têm cabo ligando o pedal ao motor. O sistema é eletrônico, um motorzinho elétrico abre e fecha a borboleta, a “válvula” que controla a entrada de ar no motor, e sensores informam a posição dela ao módulo de injeção.
O acelerador eletrônico usado no modelo tem engrenagens internas de baixa durabilidade. Quando elas quebram, o carro perde aceleração.
Os motoristas relatam sentir o carro perder força de repente, enquanto uma luz acende no painel. O sistema tem um modo de segurança, que deixa a borboleta parcialmente aberta e permite seguir viagem, mas com desempenho bem reduzido.
Um proprietário, por exemplo, contou que tinha comprado uma Meriva 2006 e o carro perdeu potência bruscamente, e ele quase levou uma batida na traseira. O motor falhava e funcionava de forma irregular. Ele precisou parar no acostamento, desligar o carro, esperar alguns minutos e dar nova partida para conseguir chegar em casa.
Depois, a oficina trocou o conjunto completo do corpo de borboleta e do sensor de posição. Mesmo assim, segundo o relato, a falha voltou após algum tempo rodando, com o motor chegando a apresentar pequenas explosões.
Resposta da Chevrolet: "Esclarecemos, que o veículo em questão não está mais coberto pela garantia, visto que o período de cobertura expirou há mais de 18 anos, conforme página do manual informações sobre garantia."
Um outro dono descreveu a mesma situação, de uma hora para outra, o carro desabilitava o acelerador e acendia no painel a luz de um carrinho amarelo com uma chave. Para a aceleração voltar, era preciso desligar e religar a ignição. Ele levou a Meriva a uma concessionária que trocou o sensor de posição do acelerador.
A Chevrolet também respondeu que o carro estava fora do período de garantia e completou: "Esclarecemos que nossos produtos são comercializados com garantia por um período determinado conforme manual, exceto nos casos em que os termos de garantia não se aplicam, como ações de agente externo, sinistro e peças de desgaste natural, conforme descrito no manual do proprietário a partir da página informações sobre garantia."
