Corsa Wind à venda tem quase 30 anos, mas brilha como novo ; veja preço
Rival do Uno Mille e Gol 1000 e companhia, hatch 1.0 tem menos de 35 mil km
A década de 1990 foi marcada pela grande oferta de carros com motores de 1000 cm³ de cilindrada, os chamados populares. No entanto, o Chevrolet Corsa parecia pertencer a um segmento superior. Com linhas modernas e bom acabamento, Volkswagen Gol 1000, Ford Escort Hobby e o Fiat Uno Mille pareciam estarem em um passo atrás.
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Por essas e outras é que a chegada do Corsa representou um bom avanço da GM, que antes tinha o já ultrapassado Chevette. Outra primazia do hatch da GM foi o uso da injeção eletrônica para o motor 1.0, algo que surpreendeu o mercado na época.
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Em 1996, veio o sistema injetor multiválvulas, ou M.P.F.I. (Multi-Point Fuel Injection), ao Corsa. Isso deu 60 cv (um ganho de 20% ao antigo 1.0 E.F.I.) ou 0,1 cv a menos que o Fiat Palio 1.0, o primeiro a oferecer injeção multiponto (MPI) em um motor 1.0 no mercado brasileiro.
Este Chevrolet Corsa Wind 1.0 M.P.F.I. 1998, que esteve à venda pelo Reginaldo de Campinas é um dos poucos remanescentes da gloriosa era popular. Pintado na cor básica branca Mahler, o hatch aponta no odômetro pouco mais de 33 mil km.

Imagem: Reprodução/Reginaldo de Campinas
Seu estado geral é impressionante, com todas as etiquetas de controle de qualidade e lembrete da correta manutenção coladas no para-brisa preservadas. Os bancos, ainda que simples, são de um tecido resistente.
Os plásticos dos acabamentos têm boa qualidade. Uma característica marcante dos populares dos anos 1990, como este Wind, é a presença de forrações de portas de tecido, que também se encontram no revestimento interno da tampa do porta-malas.
A parte externa do hatch também impressiona pelo alto nível de preservação. Os para-choques pretos (sem pintura) estão como novos, bem como as capas dos retrovisores. O cofre do motor também esbanja vitalidade pelo estado inigualável.

Imagem: Reprodução/Reginaldo de Campinas
Entramos em contato com o Reginaldo Ricardo para saber o preço pelo qual o raro exemplar foi vendido. Para a nossa surpresa, os R$ 30 mil não pareceram tão absurdos em se tratando de carros com o selo ‘Reginaldo de Campinas’. Quase sempre sem restaurações, estes carros que foram muito tempo guardados são oferecidos com preços bem acima disso.
Seja como for, o Chevrolet Corsa teve um papel importante não só para a economia do Brasil, mas por inovar em muitos aspectos, como veremos a seguir.
CORSA, O 1.° CARRO 1.0 COM INJEÇÃO DO BRASIL

Imagem: Divulgação
O Chevrolet Corsa Wind entrou para a história no Brasil como sendo um dos carros populares mais modernos de sua época. Ele chegou em 1994 na versão Wind e tinha como propósito roubar as vendas do Fiat Uno Mille, Volkswagen Gol 1000 e Ford Escort Hobby, todos de projetos já defasados.
À época, além das linhas arredondadas, algo incomum para os anos 1990, o Corsa foi o primeiro 1.0 do Brasil com injeção eletrônica de combustível monoponto (E.F.I.). Com apenas 50 cv de potência e 7,8 kgfm de torque despejados a partir das 3.200 rpm, o seu foco era o baixo consumo de combustível. Junto ao câmbio manual de cinco marchas, o popular fazia na cidade a média de 13 km/l, enquanto que na estrada, 14 km/l.
Além da Wind, o Corsa Hatch também teve a Wind Super, lançada em 1995 - também 1.0 - que trazia calotas totais, frisos laterais, limpador e desembaçador traseiro, ar quente, entre outros itens.
SÉRIES ESPECIAIS BASEADAS NA WIND 1.0

Imagem: Divulgação
A primeira série especial do Corsa surgiu em 1997 por meio do tricampeão de Fórmula 1, Nelson Piquet. Para homenagear o ex-piloto e, na época, garoto-propaganda da Arisco, a Chevrolet resolveu lançar a série Piquet, limitada a 120 unidades, todas só com duas portas.
Além da cor Amarela Gris e das rodas esportivas de 14 polegadas, adotadas no então extinto GSi, o Corsa Piquet se diferenciava dos demais modelos pelos para-choques, retrovisores e maçanetas pintados no mesmo tom. Na motorização, seguia o 1.0 da versão Wind.
Além dessa série, a Wind de duas portas também serviu de base para homenagear a Copa do Mundo de Futebol, com o país-sede França, disputada no ano de 1998. Com 1.820 exemplares, o Corsa ‘Champ’ podia ser adquirido nas cores azul Riviera ou verde West.
Além disso, recebia de série para-choques na cor da carroceria, rodas de liga-leve de 14 polegadas do modelo GL, adesivos decorativos e só. Por dentro, assim como o Piquet, mantinha o mesmo padrão da Wind.
Com o surgimento dos motores multiválvulas para o concorrente Volkswagen Gol 1000, a GM resolveu lançar a sua versão para o Corsa em 1999. Batizada de Super, o motor 1.0 16V desempenhava 68 cv de potência (8 cv a mais que a 1.0 8V) e torque de 9,2 kgfm (um acréscimo de 0,9 kgfm).
Para 2000, o hatch popular da Chevrolet receberia a sua primeira mudança, compreendendo novos para-choques, grade, capô, faróis e lanternas e, na parte interna, forração dos revestimentos e painel diferenciados.
O Corsa Hatch da primeira geração foi um sucesso de vendas e sua participação no mercado durou até 2001, pois, no ano seguinte, o modelo daria lugar à segunda geração. Apesar de sua despedida, ele deixou um embrião que geraria bons frutos à Chevrolet: o bem-sucedido Celta, fabricado entre 2000 e 2015.
