Podemos dizer que a Renault vive uma situação bem interessante no segmento mais aquecido do mercado nacional. Ela conta com dois representantes na categoria, enquanto algumas marcas, como é o caso de Volkswagen e Fiat, sequer oferecem um modelo para atender os interessados em um SUV compacto. Somados, Captur e Duster registram no acumulado do ano 28.658 emplacamentos, volume que colocaria a dupla em 5º lugar no segmento se fossem um modelo só. O líder Honda HR-V registra no mesmo período 31.614 unidades vendidas.

De qualquer forma, o Captur hoje já figura como o 3º modelo mais vendido pela Renault no Brasil, ficando logo atrás dos mais acessíveis Kwid e Sandero, mas já superando o Logan. O Duster, que no mês passado registrou 2.701 unidades emplacadas, ainda denota um certo fôlego.

É natural, a partir do momento em que você olha para Captur e Duster em um showroom, que você fique em dúvida sobre qual deles entrega mais pelo seu dinheiro. Afinal, ambos não só compartilham os conjuntos mecânicos como também a plataforma e diversos outros elementos. Ao contrário do Captur europeu, que usa a arquitetura e grande parte da mecânica do Clio vendido por lá, a Renault optou por baratear o “nosso” Captur tornando-o menos sofisticado.

De qualquer forma, é inegável que ao preservar a “casca” do europeu, o Captur mostra claramente que está uma geração a frente do Duster em relação ao visual. Não é por acaso que a Renault bate tanto nessa tecla nos comerciais do Captur, com mensagens sempre remetendo ao design do SUV. Um ponto conflitante, contudo, é que todo esse cuidado nas linhas externas do Captur não é notado no interior. Falta um acabamento mais refinado ao SUV, algo que faça jus a todo esse apelo emocional que a Renault quer transparecer com ele. Os plásticos usados na cabine são simples e não agradam. O modelo ainda tem alguns problemas de ergonomia que são difícieis de aceitar em um projeto recente, como o acionamento do regulador e limitador de velocidade que acabam escondidos atrás do freio de estacionamento.

O bom e velho Duster, por sua vez, já foi tão mexido ao longo dos anos, em especial na parte interna para corrigir falhas no posicionamento de comandos e acabamento, que depois de tantas plásticas se tornou mais aceitável. A cabine já se mostra acanhada, bem como o visual externo mostra-se cansado ao longo de tantos anos de mercado. A bem-vinda atualização revelada na Europa – prevista para estrear em 2019 no Brasil – tornará o Duster um veículo bem mais interessante, sobretudo para quem gosta de um SUV mais robusto e não liga muito para as formas mais elegantes e urbanas do Captur. O novo Duster manterá a plataforma, porém vai dar um salto considerável no visual, no acabamento e até no nível de equipamentos.

E hoje o Duster nem faz muita questão de custar muito menos em relação ao Captur. Se compararmos o conjunto mecânico mais racional – e desejado por parte dos consumidores – para os dois modelos, é interessante levarmos em consideração o motor 1.6 16V em conjunto com a transmissão automática, tipo de câmbio que já domina a preferência dos brasileiros não só entre os SUVs compactos, como em boa parte dos automóveis acima de R$ 70.000. Em suas configurações mais equipadas com esse conjunto mecânico, o Renault Captur Intense é tabelado em R$ 92.990, enquanto o Duster Dynamique 1.6 CVT custa R$ 85.990. Nas duas configurações você encontra como opcionais os bancos de couro (R$ 1.700), item muito desejado no segmento.

Ponto elogiável é que tanto o Captur Intense sai de fábrica com os controles de tração e estabilidade de fábrica, porém a dupla está ausente no Duster Dynamique citado aqui. Os dois contam com a mesma central multimídia de série, sendo que o aparelho até que pode ser aceitável no veterano Duster, mas destoa na cabine do Captur. Ela até agradava há alguns anos, é fácil de operar e conta com câmera de ré e navegador integrado, mas falta suporte ao CarPlay e o Android Auto, bem como uma integração melhor com o painel e o console central. A entrada USB, por exemplo, fica bem destacada na moldura do aparelho. Carros mais modernos posicionam a entrada USB dentro de algum porta-objeto mais recuado para que você consiga apenas conectar o smartphone e evitar que alguns fios ou até mesmo um pendrive fiquem aparentes.

A Renault sabe que precisa atualizar a central multimídia hoje oferecida em sua linha nacional e certamente prepara novidades.

Outro ponto que ao rodar com o Captur e o Duster torna-se latente é a necessidade da Renault em contar com propulsores mais eficientes para seus modelos mais caros.

Hoje em dia não vale nem a pena considerar a compra do Duster ou do Captur com motor 2.0 16V, em especial pelo câmbio automático de 4 marchas. A dupla não se mostra muito eficiente, como se vê pelo alto consumo e o desempenho aquém das expectativas. Logo, o que resta mesmo hoje como opção automática para os SUVs é o já citado conjunto formado pelo motor 1.6 e a caixa CVT.

Pensado bem mais para um modelo leve como o Nissan Kicks (lembre-se que as marcas formam a aliança Renault-Nissan e compartilham muitos componentes) a união do motor 1.6 SCe com a transmissão CVT é apenas aceitável no Duster e no Captur. Você não terá um desempenho brilhante em nenhum dos dois e também não adianta esperar um consumo de combustível muito bom. Segundo o padrão brasileiro de aferição, o Captur Intense 1.6 CVT registra parciais de até 10,5 km/l na cidade e 11,7 km/l na estrada com gasolina, o que lhe rende uma preocupante nota D dentro de sua categoria no Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular.

Se os propulsores SCe cumprem muito bem seu papel no Logan e no Duster, é urgente para a Renault nacionalizar uma opção de motor mais eficiente para aplicação em modelos maiores como é o caso dos SUVs avaliados aqui. A resposta, como apuramos, deverá chegar em grande estilo com a produção no Brasil de um avançado propulsor 1.3 turbo muito provavelmente a partir da próxima década para figurar em modelos como o Arkana, outra grata surpresa que a Renault oferecerá em solo nacional. O “SUV-cupê”, porém, deverá ter preço na casa dos R$ 100.000 e disputar mercado com modelos de médio porte.

Enquanto a atualização não vem, a grande conclusão a que podemos chegar é que o Renault Duster é hoje uma escolha mais interessante para o público PCD que vai realizar a compra com isenção. Em sua versão Authentique 1.6 CVT, o Duster pode ser adquirido por R$ 46.393 após os abatimentos do IPI, ICMS e somando um desconto extra da marca. Com esse valor extremamente competitivo e somando o fato do “Duster PCD” já contar com os controles de tração e estabilidade, rodas de liga leve aro 16”, dentre outros equipamentos, temos aqui uma compra muito vantajosa para esse público.

O Captur, até por corrigir algumas falhas do Duster e trazer um aspecto mais moderno, é uma compra mais interessante considerando o cenário de compra para o público em geral. Se receber um motor mais eficiente e um tapinha na cabine, ele conseguirá até mesmo se projetar dentro de um segmento que vai ficar ainda mais concorrido após a estreia do Volkswagen T-Cross no início de 2019. Em resumo, o peso da novidade e o projeto melhor resolvido ainda favorece o Captur nessa escolha em família.

 
 
Renault Captur 2018
 
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Renault Duster CVT
 
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Renault Duster CVT
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Renault Duster CVT
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Renault Duster CVT
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Renault Duster CVT
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Renault Duster e Renault Captur
 
Renault Duster e Renault Captur
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Renault Duster e Renault Captur
Renault Duster e Renault Captur
 
 

Ficha técnica

Renault Captur 2018 Intense 1.6 16V flex automático 4p
Preço R$ 89.950 (03/2018)
Categoria SUV compacto
Vendas em 2017 13.742 unidades
Motor 4 cilindros, 1597 cm³
Potência 118 cv a 5500 rpm (gasolina)
Torque 16,2 kgfm a 4000 rpm
Dimensões Comprimento 4,329 m, largura 1,813 m, altura 1,619 m, entreeixos 2,673 m
Peso em ordem de marcha 1286 kg
Tanque de combustível 50 litros
Porta-malas 437 litros
Veja ficha completa

O "Guru dos Carros", César Tizo se juntou ao time este ano e está à frente dos portais AUTOO e MOTOO. É o expert em aconselhar a compra de automóveis

César Tizo |