Fusca de 65 anos Vermelho Coral customizado ronca forte; veja preço da raridade

Projeto foi feito "do zero" nos mínimos detalhes e preservando detalhes originais de fábrica
VW Fusca 61

VW Fusca 61 | Imagem: Herik Alves/Agência HKCD

O Fusquinha como o conhecemos carinhosamente atravessa fronteiras e até gostos pessoais. Há quem prefira os originais de fábrica como o autor que vos escreve, mas, particularmente, confesso que fiquei apaixonado pelo projeto criado pela renomada Stanzione Kustom que há 10 anos se especializou em projetos Volkswagen.

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A partir de um  Volkswagen Fusca 1961 1200 com sistema elétrico de apenas 6 Volts, conseguiram desmontar o carro todo e fazer algumas modificações que deixaram o clássico com aspecto exclusivo e com mais segurança.

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Projeto detalhado

VW Fusca 61
VW Fusca 61 na cor Vermelho Coral, lanternas originais dos anos 60, mas com lâmpadas de LED
Imagem: Herik Alves/Agência HKCD

“Trocamos o motor antigo para um 1300 e toda a parte elétrica passou a ser 12V que melhorou sobretudo nas partidas em dias de muito frio, além da iluminação, garantindo mais segurança ao dirigir à noite”, diz Junior Stanzione, fundador da empresa customizadora que leva seu nome.

Ele revela que apesar da potência e torque serem os mesmos do 1300 original (46 cv a 4.600 rpm e 9 kgfm a 2.800 rpm), a parte visual foi bem trabalhada, incluindo detalhes como os parafusos allen em aço inox. Detalhe das polias do alternador e do virabrequim, fabricada pela famosa marca EMPI, especializada em acessórios de alta performance para motores Volkswagen a ar (Fusca, Kombi, Brasília, Variant, entre outros.).

Da EMPI também vieram as belas rodas cromadas de 15 polegadas na furação 5x205mm, conhecida como a furação de ‘5 furos larga’ típico dos Fusca fabricados até 1969 e Kombi antigas. Para completar o visual esportivo retrô da joaninha, a suspensão foi encurtada em 5 cm de cada lado, com duas catracas e manga deslocada importada da EMPI no eixo dianteiro e no traseiro o facão deslocado regulável.

VW Fusca 61
VW Fusca 61 em perfeito estado no interior repleto de detalhes como o volante com aro cromado e o símbolo de Wolfsburg
Imagem: Herik Alves/Agência HKCD

Por dentro, o revestimento do assoalho do tipo ‘carrapatinho’ original deu a chance a outro carpete Bouclé - igual dos modelos alemães - que deu um ar mais aconchegante à cabine. Os bancos em vinil são originais mas teve a capa trocada na cor Cinza Gelo com as costas avermelhadas/vinho que combinaram perfeitamente com as laterais da porta.

Ainda na parte interna, o clássico volante ‘Cálice’ (também conhecido popularmente por alguns entusiastas como volante ‘de osso’ devido à sua cor marfim tradicional) se manteve fiel ao projeto harmonizando com os demais comandos, incluindo o do clássico rádio Motoradio que ganhou uma moldura cromada para uma harmonia perfeita no acabamento.

Por fim, a bela cor do Fusca 1961, Vermelha Coral, tonalidade predominante na linha de 1956 a 1958, deu o ar da graça no lugar da original azul Real.

“Fizemos esse carro inteiro, desmontando ele todo e deixando ele na lata para receber a nova pintura, fora os detalhes como para-choques, farois e lanternas e vidros, tudo novo”, resume Juninho da Stanzione Kustom.

Se você curtiu, saiba que este belo Volkswagen Fusca 1961 está à venda através da GG World . O preço pedido é R$ 275 mil, um projeto único e exclusivo de muito bom gosto e com direito à placa preta de coleção, já que cumpre com pelo menos 80% de originalidade.

Carro do povo

Volkswagen Fusca 2000
Volkswagen Fusca da primeira leva que sai da fábrica alemã foi feito para ser simples e robusto
 Imagem: Divulgação

O Fusca foi um projeto peculiar, criado pelo ditador alemão Adolph Hitler e encomendado ao professor Ferdinand Porsche, hoje um dos nomes mais aclamados quando se fala em criação de carros de alto desempenho.

A ideia do veículo, segundo as intenções do líder nazista, teria que ter propostas um tanto quanto práticas que atendessem desde pequenas famílias até serviços bélicos. Seu motor inicialmente era um VW refrigerado a ar de 1,2 litro (1.131cc) de apenas 24,5 cv, que atingia a velocidade máxima de 100 km/h, suficiente para enfrentar as subidas com até 30% de elevação.

Seu consumo médio ficava na casa dos 12,5 km/l. Ainda assim, o carro teria câmbio de quatro marchas, sendo a primeira não sincronizada, e um sistema elétrico de 6 V, características que atendiam todas as exigências de Hitler. O espaço para quatro pessoas era suficiente.

Assim, o projeto KDF – Kraft Durch Freude – ou, traduzindo para o português, força por meio da alegria, estava para nascer.
Mas, somente em 1936 vieram os primeiros protótipos, já prontos para serem comercializados. Os primeiros modelos vinham desprovidos de para-choques e vigia traseiro e possuíam uma estranha e curiosa entrada de ar. As portas possuíam uma abertura em sentido anti-horário e eram desprovidas de lanternas e quebra-ventos.

Em 1937, outros novos 30 projetos foram testados com o apoio da indústria automotiva alemã. No ano seguinte, era construída uma nova fábrica em Hanover, onde seriam produzidas algumas unidades do carro. Na época chamado de KdF-Wagen, o carro passou por muitas revisões e refinamentos porque não obteve a resposta de mercado necessária. Depois de se tornar o Tipo 1 em 1945, o KdF-Wagen finalmente encontrou uma resposta positiva do mercado de massa e um número crescente de vendas. 

Em 1955, o Tipo 1 vendeu sua milionésima unidade, o que significava que era o carro ideal para as massas. A palavra alemã Volkswagen significa literalmente "carro do povo", e o que logo seria chamado de "Fusca" seria exatamente isso. Assim estava pronto um produto que viraria uma lenda no mercado automobilístico.

Graças às linhas elegantemente ovaladas, o desenho clássico se perpetuou por décadas, transformando-o em um ‘movimento cult’. Um exemplo é o detalhe da janela traseira oval introduzida em 1953 e que se tornou uma marca registrada dos Fusquinhas alemães até 1957, quando foi substituída por uma janela traseira retangular maior.

Com poucas mudanças estilísticas ao longo de sua carreira, o último Fusca fabricado na Alemanha saiu da linha de montagem em Emden em 1978, sendo que o conversível, lançado em 1949, foi construído pela Karmann em Osnabrück até 1980. 

No Brasil

Participação do Fusca no primeiro Salão do Automóvel de São Paulo, em 1960
Participação do Fusca no primeiro Salão do Automóvel de São Paulo, em 1960
Imagem: Divulgação

Em 1950 vieram as primeiras versões importadas para cá, sendo que o primeiro exemplar foi vendido ao empresário paulistano Eduardo Andrea Matarazzo. Nos primeiros três anos, o carro foi um sucesso de imediato. Em 1953, a Volkswagen alugou um pequeno galpão no bairro do Ipiranga, em São Paulo, para começar a produzir as primeiras unidades do Fusca.

Quatro anos depois, era inaugurada a fábrica Anchieta, localizada nas margens da rodovia de mesmo nome na cidade de São Bernardo do Campo (SP), e logo depois, em 1959, o primeiro Fusca nacional chegava para ser comercializado, durando até o ano de 1986, sem praticamente nenhuma reestilização marcante ao longo deste período.

O Fusca ainda ressuscitaria no ano de 1993 pelas ‘mãos’ do presidente da república Itamar Franco mas diante de modelos mais promissores e modernos, em 1996, o veterano se despedia acumulando a incrível marca de 3.372.000 unidades vendidas no Brasil. 

 

Fernando Garcia

Especialista em análises do mercado de veículos usados, Fernando Garcia tem passagens por revistas automobilísticas e no AUTOO traz vários artigos especiais com curiosidades, serviços e dicas.