Gol GTS brilha como novo, com tudo original e vale o mesmo que SUV 0 km
Versão esportiva do hatch foi um dos sonhos de consumo dos anos 80 e 90
O Volkswagen Gol GTS surgiu em 1987 e seu último suspiro se deu em 1994, quando ocorreu a transição para a popular geração ‘bolinha’. Como a GTi, que estreou a injeção eletrônica, a GTS também teve um papel importante entre os esportivos nacionais.
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Mas voltando ao Gol GTS, este que você vê na foto acima é um genuíno representante dos gloriosos anos 1990 e que se encontra à venda pela conceituada Padrão Misa. Trata-se de uma unidade de 1993 que teve a pintura meticulosamente restaurada.
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“Quando adquirimos este GTS vermelho colorado, já pegamos prontinho e sem saber a real quilometragem, pois foi zerada depois da restauração”, comenta Misael Domingos.
De acordo com o famoso comerciante, o clássico esportivo da Volkswagen traz 90% da parte interna original, prevalecendo os forros de portas e tampão do bagageiro, sem furos ou adaptações.
“O nosso GTS tem detalhes importantes e difíceis de serem substituídos, como faróis, lanternas e setas da marca Arteb e os de milha da Lucas; tem ainda os cobiçados frisos de alumínio nos para-choques”, detalha Misa.
Por todo este cuidado e carinho ao longo desses mais de 30 anos de história, o Volkswagen Gol GTS 1.8s de 1993 está sendo vendido por R$ 140 mil, valor equivalente ao de um SUV compacto T-Cross 0 km.
GOL GT: O HATCH ESPORTIVO DA VW

Imagem: Divulgação
Desde 1980, o Gol veio com a missão, em partes pelo menos, de suceder o Fusca e a Brasília. Custando mais caro que o Fusca, por exemplo, o Gol só conseguiu liderar em 1987, já com a frente reestilizada, fato que o levou e leva até hoje a ser o carro brasileiro mais vendido.
Mas desde 1984 já estava no mercado o Gol GT, um ícone de esportividade que era muito cobiçado pelos jovens da época. Sua missão: desbancar o Escort XR-3, lançado no mesmo ano.
A carroceria do Gol tinha sido baseada no desenho do Scirocco, formato hatchback. A intenção esportiva desta carroceria tinha como consequência um teto muito baixo para os passageiros de trás.
Além disso, tinha o problema do estepe que, logo depois da adoção da refrigeração líquida, passou a ser alojado no porta-malas, roubando o espaço para possíveis valises ou malas. Mas como o GT era um carro cujo público-alvo eram solteiros, muitos nem ligavam para esta deficiência.
Para eles, o que importava era o que se escondia debaixo do capô. Este sim era um motivo de orgulho para muitos proprietários destes esportivos. A VW resolveu adotar o motor AP-800 (Alta Performance) movido a álcool, vindo do Santana que, graças à cilindrada de 1781 cc, tinha resultados fantásticos no desempenho.
Em relação ao concorrente direto, o Escort XR-3, o GT da Volkswagen era mais ágil. Rendendo excelentes 99 cv a 5400 rpm, o Golzinho de alma endiabrada cumpria muito bem a tarefa de zero a 100 km/h, em 11,88 s.
Em velocidade também não fazia feio e cravava a marca final de 180 km/h. Para se ter uma ideia, o representante da Ford, utilizando o velho motor CHT, despejava apenas 81,7 cv a 5600 rpm com aceleração de zero a 100 km/h em 13,45 s.
No Gol GT, o ronco encorpado que saía da dupla saída do escapamento era motivo de orgulho para os ouvidos mais apurados. No painel, o provocativo ponteiro do conta-giros denunciava que se tratava de um autêntico esportivo. Era um carro de personalidade, como convinha a um esportivo dos anos 80.
As rodas de aro 14 calçando pneus nas medidas 185/60 R14 H, por exemplo, combinavam muito bem com o carro, que contrastava com as cores vibrantes da carroceria, como a vermelha.
Além deste item, ganhava a mais spoiler abaixo do para-choque, persianas nas colunas das portas, inscrição “GT” atrás das portas, faróis de milha, grade personalizada na cor do veículo. Internamente os bancos Recaro, painel de instrumentos com grafia vermelha e volante esportivo completavam o visual agressivo do GT.
A CHEGADA DO VW GOL GTS

Imagem: Divulgação
Em 1987, a linha recebeu modificações na carroceria e, acompanhando a mudança na linha, o Gol GT acrescentou a adição do “S” às outras siglas. Para começar, tudo era novo em termos de estilo.
A frente era mais baixa e ganhou novo capô, grade e faróis que harmonizavam com o para-choque, o qual agora era de plástico injetado. Os faróis de milha continuavam integrados no esportivo da VW. Atrás, novas lanternas e o aplique de um aerofólio faziam a diferença em relação às CL e GL.
O GTS contava com alterações no motor 1.8, que passou a ter somente o álcool como opção, pois a potência era ligeiramente maior com este combustível. Interessante o fato de a Volkswagen insistir que o Gol GTS tinha apenas 99 cv de potência, apesar de estimativas indicarem que ele tinha entre 105 cv e 110 cv. Se a Volkswagen admitisse a maior potência, o carro seria taxado com maior imposto, daí o fato de o motor ter a potência nominal tão baixa.
O Gol estreou a era da injeção eletrônica com o Gol GTi em 1989, considerado o primeiro automóvel nacional a ter esta tecnologia. Ao contrário do GTS, a versão injetada ganhava o motor 2.0 (AP-2000), somente a gasolina.
Foi considerado também o carro brasileiro mais rápido. Com 120 cv de potência e torque de 18,4 kgfm (a 3.200 rpm), a versão a gasolina ia de zero a 100 km/h em 8,8 s e velocidade final de 185 km/h.
No ano de 1991, o Gol recebeu nova frente, agora mais arredondada e, no ano seguinte, a Volkswagen adotou o conversor catalítico para atender às normas do PROCONVE. Com o uso do catalisador, a potência foi capada para 112 cv e o torque foi ligeiramente reduzido para 17,5 kgfm, a partir das 3.400 rpm.
SEGUNDA GERAÇÃO DO GOL

Imagem: Divulgação
Em 1995, entrava em ação o Gol GTI geração 2, o conhecido Gol Bolinha, apelido dado pelas formas arredondadas do modelo. O GTS não estava mais presente neste ano. A novidade eram os faróis de duplo refletor.
No GTI, o 2.0 8V rendia respeitosos 109 cv, enquanto que o torque de 17 kgfm era percebido nas 3 mil rpm. Na prática, isso conferia um zero a 100 km/h em 11,2 segundos, enquanto que a velocidade final era de 185 km/h.
Já em 1996, o GTI passou a vir com propulsor 2.0 16V, que deu ao esportivo mais fôlego. Com 141 cv e torque de 17,8 kgfm (a partir dos 4.500 giros), o tempo de aceleração caiu para 8,8 s, enquanto que a velocidade máxima subiu para 206 km/h.
Em 1998, como linha 1999, o GTI passou a contar somente com quatro portas, destoando assim um pouco do visual esportivo que compunha o modelo de duas portas.
Com a chegada da terceira geração, ou G3, em 1999, o Gol GTI ainda deu seu último suspiro, durando até 2001, o que deixou muitos fãs indignados. Nessa última fase, a unidade 2.0 16V teve a chance de superar a anterior, pelo menos no desempenho.
Com 145 cv e torque de 18,4 kgfm (nas 4.750 rpm), o último GTI cumpria o 0-100 km/h em 8,7 s, mantendo a máxima de 206 km/h. Apesar disso, o visual esportivo parece que havia se esvaído diante dos primeiros esportivos da marca.
No entanto, o Gol durou até o final de 2022, com direito à versão de despedida Last Edition, mas aí já é uma outra história.
