Honda WR-V acumula queixas de donos por defeitos recorrentes; veja os principais

Ar-condicionado, suspensão e falhas elétricas lideram as queixas registradas em plataformas de defesa do consumidor
Honda WR-V 2021

Honda WR-V 2021 | Imagem: Divulgação

Lançado no Brasil em março de 2017, o Honda WR-V chegou ao mercado carregando uma tarefa nada fácil, a de convencer o brasileiro de que um crossover baseado no Fit poderia ser tão desejável quanto um SUV de verdade. E, em boa parte, o carro conseguiu. Com motor 1.5 e câmbio automático CVT de série em todas as versões, o modelo encontrou seu espaço entre quem queria algo mais alto, prático e com a credibilidade da marca japonesa estampada na grade.

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Durante os cinco anos em que ficou no catálogo, a produção foi encerrada em 2022, o modelo fez sucesso o suficiente para manter uma boa liquidez no mercado de seminovos ainda hoje. Mas nem tudo foi tranquilo, ao vasculhar plataformas de defesa do consumidor, como o Reclame aqui, é possível encontrar um quantidade considerável de queixas que se repetem entre diferentes proprietários, em diferentes anos e versões do carro.

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Reunimos os três problemas que mais aparecem nos relatos dos donos do WR-V, com três reclamações reais de cada um e o posicionamento oficial da Honda para cada situação, mas antes do modelo se tornar um SUV de verdade na nova geração lançada em outubro de 2025.

Reclamações dos donos de WR-V

  • Ar-condicionado 
    Honda WR-V 2021
    Honda WR-V tem algus relatos de donos sobre falhas no sistema de ar-condicionado, mas resolvido no prazo de garantia 
     Imagem: Divulgação

Este é, de longe, o campeão de reclamações. Os motoristas relatam que ar simplesmente para de gelar e até casos de recarga de gás que precisam ser feitas repetidas vezes. 

Tudo bem que agora o frio chegou com força e o inverno já está batendo na porta, mas dono de WR-V não quer depender de frente fria para não derreter dentro do carro.  O problema é que, quando o calor brasileiro resolve aparecer, ele não perdoa e o sistema parece pedir férias junto.

Uma proprietária relatou que, só no ano passado, o ar-condicionado do seu WR-V parou de funcionar quatro vezes. Em uma das visitas, a concessionária detectou vazamento e a encaminhou para outra unidade. Lá, o técnico afirmou que o veículo não apresentava nenhum problema. "Como pode um ar parar de gelar pela quarta vez e o técnico simplesmente não identificar? Em quem confiar se a própria montadora não resolve o problema?", desabafou.

Outro consumidor relatou ter enviado o carro à assistência técnica pelo menos cinco vezes para resolver a mesma falha no sistema de ar-condicionado, sem sucesso. Em uma das visitas, chegou a encontrar o carro completamente desmontado. Os técnicos chegaram a cogitar trocar a caixa vaporizadora e o ventilador, mas depois recuaram e disseram que uma simples limpeza resolveria. "Vou na oficina, dizem que resolvem o problema e quando vou buscar, ando dois, três dias e o ar volta a dar defeito."

Um terceiro caso envolve um WR-V adquirido em nome da mãe do consumidor. Desde a compra, o ar apresentava falhas e cada visita à concessionária resultava apenas em recarga de gás, com retorno temporário do funcionamento. Em determinado momento, decidiram trocar a serpentina do sistema, mas o problema voltou. 

O que a Honda diz: Em resposta às reclamações sobre o ar-condicionado, a Honda afirma que agradece a preferência pelos produtos da marca e informa que, nos casos em que o problema foi confirmado em contato telefônico, o defeito foi devidamente solucionado. 

A empresa ainda diz que os veículos Honda possuem garantia de três anos a partir da data de retirada na concessionária ou até seis anos em alguns casos, sem limite de quilometragem, desde que as revisões programadas sejam realizadas na rede autorizada.

"Durante o período de garantia, os problemas decorrentes de defeitos de peças, fabricação e montagem serão cobertos conforme as condições estabelecidas no manual de manutenção", diz a resposta padrão enviada pela montadora na plataforma.

  • Barulhos na suspensão dianteira
    Honda WR-V 2018
    Honda WR-V também tem relatos de proprietários sobre estalos na suspensão dianteira 
     Imagem: Divulgação

O segundo problema mais frequente no WR-V é um conjunto de ruídos e estalos na suspensão dianteira aquele "toc toc" irritante ao passar por lombadas ou pisos irregulares. O modelo compartilha plataforma com o Fit e herdou alguns componentes de suspensão do HR-V, mas isso não impediu que donos de diferentes anos relatassem o mesmo tipo de queixa. 

Um proprietário relatou que seu WR-V começou a apresentar ruídos que não eram normais na suspensão. Ao levar o veículo à concessionária, foi informado de que havia uma "anormalidade relevante, vício de fabricação", e que seriam substituídos seis componentes da suspensão. 

Apesar disso, nenhum diagnóstico formal foi entregue por escrito. Para piorar, a montadora prometeu carro reserva, mas a locadora exigiu uma caução de R$ 2.500 do consumidor custo que, segundo ele, deveria ser arcado pela garantia. O caso chegou ao ponto de o consumidor enviar notificação extrajudicial exigindo o reembolso integral do veículo.

A Honda informou que tentou contato com o consumidor, mas não obteve sucesso. A montadora também afirmou que permanece à disposição pelo telefone 0800 017 12 13, de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h.

Enquanto isso, a orientação é para que o proprietário não encerre a solicitação por enquanto, até que o caso seja acompanhado e uma solução seja apresentada.

Um segundo dono comprou seu WR-V e logo depois percebeu estalos na suspensão. Levou o carro duas vezes à mesma concessionária. Segundo ele, além do mau atendimento, o problema não foi solucionado. "Mexeram no meu carro e continua fazendo o barulho na suspensão", registrou o consumidor na plataforma.

A Honda informou que, nesse caso relatado, acionou as concessionárias para orientação sobre o atendimento.

Um terceiro caso registrado, descreve problemas nas duas suspensões dianteiras, além de vazamento na transmissão. A concessionária reconheceu o defeito no retentor e realizou o reparo, mas se recusou a trocar os amortecedores, alegando desgaste natura.

Em resposta, a Honda declarou que os veículos foram analisados pela rede autorizada e que os problemas identificados não apresentam "defeitos decorrentes de fabricação e/ou montagem", sendo os danos "ocasionados por desgaste natural e/ou agente externo" e que, nesses casos, o custo do reparo deve ser provido pelo proprietário.

  • Falhas elétricas e na central multimídia
    Honda WR-V 2018
    Honda WR-V com central multimídia pode ter o sistema travado ou perdendo configurações, dizem alguns donos
     Imagem: Divulgação

O terceiro problema mais citado pelos proprietários do WR-V envolve diferentes panes elétricas, desde a central multimídia que trava ou perde configurações até falhas mais sérias, como o veículo simplesmente parar de funcionar com as luzes de alerta acesas no painel.

Um caso mais série é o de um proprietário que seu WR-V, simplesmente parou no meio da Rodovia Anchieta, à noite, colocando a família em risco. "O veículo simplesmente parou em plena rodovia, colocando minha família em situação de grande perigo e risco de morte", descreveu o proprietário.

Outro relato diz respeito a um outro WR-V 2021 que começou a falhar ao sair da garagem, com luzes de injeção eletrônica, pneus e estabilidade acesas no painel. O carro foi levado de guincho à concessionária para revisão. Os técnicos realizaram todos os serviços de manutenção programada, mas liberaram o veículo sem identificar a causa das falhas. "Ainda questionei as falhas, mas a princípio não era nada", escreveu o consumidor..

Para as falhas elétricas e de multimídia, a Honda informou que acompanha os casos junto às concessionárias e que orienta os proprietários a encaminhar o veículo para avaliação em uma unidade autorizada. A montadora reitera que defeitos de fabricação e montagem são cobertos durante o período de garantia, e que problemas identificados como características do projeto não se enquadram nessa cobertura.

 

Stephanie Gomes

Estudante do 2º ano de comunicação, Stephanie escolheu a profissão por acreditar no poder transformador do jornalismo.