Honda ZR-V é um bom SUV médio, mas o seu principal concorrente está em casa
Com vendas tímidas desde o seu lançamento, modelo entrega menos conteúdo e performance que o irmão menor HR-V Touring
O Honda ZR-V Touring estreou no mercado brasileiro no final de 2023 para competir com Jeep Compass, Toyota Corolla Cross e Volkswagen Taos. Importado do México em versão única, o SUV médio ainda não conseguiu deslanchar no segmento apesar dos atributos técnicos proporcionados pela plataforma compartilhada com a última geração do Civic e da boa reputação da Honda no país.
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O SUV vendeu menos de 6 mil unidades em todo o ano de 2024 enquanto no primeiro trimestre de 2025 foram apenas 541 emplacamentos.
Nem mesmo a manutenção do preço de lançamento (R$ 214.500) e os descontos, que chegam a R$ 40 mil em algumas concessionárias, foram capazes de fazer o ZR-V aumentar a sua presença nas ruas brasileiras. Jogam contra o SUV as ausências de equipamentos exclusivos e de motorizações flex, turbo ou híbrida – ou seja, o ZR-V não possui nada que a concorrência já não ofereça há algum tempo.
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Para complicar ainda mais a situação do ZR-V Touring, ainda há a concorrência interna do HR-V Touring (R$ 204.200) que, embora seja um pouco menor, é fabricado no Brasil, possui mais equipamentos e, de quebra, é movido por um motor turboflex mais moderno e potente.
Comparando com o “irmão” menor, o ZR-V leva vantagem no tamanho por ser construído sobre a mesma plataforma do Civic de 11ª geração. Medindo 4,56 metros de comprimento (18 cm maior que o HR-V), 1,84 m de largura (+ 5 cm) e 1,61 m de altura (+ 2 cm), o SUV médio aproveita bem entre-eixos de 2,65 m (+ 4 cm) para acomodar confortavelmente cinco ocupantes.
O porta-malas de 389 litros, entretanto, é menor que o dos rivais da categoria (todos com mais de 400 litros), mas supera o bagageiro de 363 litros do HR-V. Para facilitar o transporte de bagagens maiores, a cobertura interna do compartimento pode ser dobrada para ocupar menos espaço quando não está sendo utilizada.
Motor turbo faz falta

Imagem: Guilherme Silva
O “calcanhar de Aquiles” do ZR-V está justamente sob o capô, uma vez que o seu motor 2.0 aspirado a gasolina com injeção multiponto de 161 cv de potência a 6.500 rpm e 19,1 kgfm de torque a 4.200 rpm entrega desempenho apenas satisfatório em uso urbano, mas fica devendo força em situações de estrada, obrigando o motorista a calcular bem o momento de fazer retomadas e ultrapassagens com o carro carregado.
A Honda não divulga os dados de desempenho de seus carros, mas em nossas medições levamos cerca de 12 segundos para atingir os 100 km/h. O câmbio automático CVT com sete marchas simuladas tem funcionamento suave e privilegia a economia de combustível, por isso as reações do SUV podem parecer um tanto letárgicas para quem está acostumado a dirigir um carro com motor turbo como o HR-V Touring, que é equipado com um 1.5 turboflex com injeção direta e entrega até 177 cv a 6.000 rpm e 24,5 kgfm a 1.700 rpm.
O HR-V Touring também utiliza a caixa automática CVT com simulação de sete marchas. Mais leve e potente, o SUV compacto da Honda atinge os 100 km/h em aproximadamente 8 segundos, enquanto as respostas do acelerador são consideravelmente mais ágeis, graças ao torque pleno disponível abaixo de 2.000 rotações por minuto.
De acordo com o Inmetro, o Honda ZR-V faz 10,2 km/l na cidade e 12,1 km/l na estrada, sempre abastecido com gasolina. Durante a nossa avaliação, as médias foram de 6 km/l, nos congestionamentos da cidade de São Paulo, e de 13 km/l, em rodovias.
Suspensões do Civic são o ponto forte do ZR-V
O ZR-V tem uma pegada mais focada em motoristas que privilegiam o conforto, graças à boa altura em relação ao solo para superar buracos e lombadas sem a preocupação de raspar o assoalho do carro nesses obstáculos.
Ainda assim, as suspensões independentes nas quatro rodas (McPherson na dianteira e multilink na traseira) transmitem bastante segurança nas curvas mais rápidas, justificando o slogan “altura de SUV com estabilidade de sedã”, divulgado pela Honda.
O HR-V Touring também entrega bom nível de conforto, mas a sua dinâmica é um pouco mais acertada quando é preciso aplicar uma tocada mais esportiva. A direção é mais precisa e as suspensões (de eixo de torção na traseira) são mais firmes que as do ZR-V.
Deveria ser mais equipado

Imagem: Guilherme Silva
Em termos de equipamentos de série, ZR-V e HR-V Touring saem de fábrica com itens triviais para carros que custam acima de R$ 200 mil: airbags frontais, laterais e de cortina, ar-condicionado digital de duas zonas, central multimídia, faróis de LED com acendimento automático do facho alto, sensor de chuva, bancos de couro, freio de estacionamento eletrônico, carregador de celular por indução, banco do motorista com regulagem elétrica, entre outros.
Os SUVs da Honda ainda contam com o pacote de assistências de condução, que adiciona frenagem autônoma de emergência, controle de cruzeiro adaptativo (ACC), assistente de direção e de permanência em faixa, além da câmera que mostra na tela da multimídia o ponto cego do carro ao acionar a seta para o lado direito.
Ainda no quesito segurança, o Honda ZR-V Touring leva vantagem em relação ao HR-V Touring ao oferecer airbags para os joelhos do motorista e do passageiro do banco da frente. O SUV médio ainda traz teto solar elétrico e sistema de som com oito alto-falantes (no HR-V Touring são apenas quatro, mas com um par de tweeters).
A sua central multimídia, multimídia de 9 polegadas, entretanto, não permite conexão sem fio com Android Auto e Apple CarPlay. Isso sem falar na falta de rebatimento elétricos dos retrovisores e de iluminação no porta-luvas, uma economia injustificável para um carro de sua faixa de preço.
O HR-V Touring possui multimídia de 8”, mas o equipamento se conecta com celulares Android e Apple por meio do Bluetooth. O seu banco traseiro permite rebater o assento para levar objetos maiores, como no consagrado Fit, e quem viaja na parte de trás do SUV ainda conta com saídas do ar-condicionado (no ZR-V o ar vem de uma tubulação sob os bancos dianteiros).
Outro recurso que o ZR-V fica devendo frente ao HR-V Touring é o porta-malas com abertura e fechamento elétricos por meio do botão na tampa, por gestos ou pela chave.
Veredicto
O Honda ZR-V é um produto de qualidade, mas deveria ter chegado ao mercado brasileiro com um preço mais agressivo para conquistar mais clientes e ganhar espaço no segmento de SUVs médios, dominado por rivais já consolidados.
Além de não oferecer um conteúdo diferenciado ou motorização turbo, o ZR-V ainda sofre a concorrência de um modelo da mesma marca, que oferece mais equipamentos e motor mais eficiente por R$ 10.300 a menos (considerando os preços praticados em abril de 2025).

Imagem: Guilherme Silva
