Leapmotor B10 híbrido chega mais barato que elétrico para tentar acelerar vendas do SUV
Versão REEV custa R$ 179.990 e estreia nas lojas após elétrico vender pouco; marca chinesa da dona da Fiat aos poucos ganha espaço no Brasil
Apresentado há poucas semanas no Brasil, o Leapmotor B10 Ultra-Híbrido começa a chegar nesta quinta-feira (15) às concessionárias da marca em todo o país. A versão com extensor de autonomia custa R$ 179.990 e desembarca com uma missão importante: ampliar o alcance comercial de um SUV que, até agora, teve desempenho discreto em sua configuração totalmente elétrica.
O momento é importante também para a Leapmotor. A marca completou um ano de operação no Brasil e registrou em setembro seu melhor resultado mensal, com 1.183 emplacamentos. Não é um volume desprezível considerando uma linha formada até agora apenas pelos SUVs B10 e C10, mas ainda coloca a fabricante chinesa distante da escala alcançada por algumas compatriotas.
O B10 elétrico somava 1.601 unidades emplacadas em 2026 até outubro. Em setembro foram 126 exemplares e, neste mês, o modelo acumulava 168 registros no levantamento mais recente. Seu melhor desempenho mensal ocorreu em maio, quando chegou a 295 unidades.
São números modestos diante das expectativas em torno de um SUV que chegou ao Brasil com o suporte da Stellantis e preço semelhante ao de versões mais caras de modelos a combustão como Volkswagen T-Cross e Chevrolet Tracker.

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Agora, a Leapmotor aposta em uma configuração que elimina uma das principais limitações do elétrico puro e, curiosamente, custa menos. Enquanto o B10 Elétrico parte de R$ 182.990, o novo B10 Ultra-Híbrido está sendo lançado por R$ 179.990.
Elétrico que também pode ser abastecido
O nome Ultra-Híbrido utilizado pela Leapmotor identifica sua tecnologia REEV (Range Extended Electric Vehicle), que funciona de maneira diferente dos sistemas híbridos encontrados na maioria dos concorrentes.
O B10 é movimentado exclusivamente por um motor elétrico instalado no eixo traseiro, que possui 218 cv e 24,5 kgfm de torque. Sob o capô existe também um motor 1.5 a gasolina, mas ele não possui ligação mecânica com as rodas e trabalha apenas como gerador de eletricidade.

Isso significa que a experiência ao volante permanece semelhante à de um veículo elétrico mesmo quando a bateria está com pouca carga. O motorista pode conectar o B10 a uma tomada ou simplesmente abastecer o tanque e utilizar o motor a combustão para gerar energia.
A bateria de 18,8 kWh proporciona autonomia elétrica de 68 km segundo o Inmetro. Considerando também o combustível disponível no tanque, a Leapmotor informa autonomia total próxima de 900 km pelo ciclo europeu WLTP.
Na prática, o proprietário que dispõe de carregador pode realizar boa parte dos deslocamentos cotidianos utilizando somente eletricidade, deixando o motor a gasolina para percursos maiores. A bateria também aceita carregamento rápido em corrente contínua.

C10 mostra força do extensor de autonomia
A estratégia já foi experimentada pela Leapmotor com o C10, modelo maior e mais caro que o B10. O SUV chegou ao Brasil nas configurações elétrica e Ultra-Híbrida, e a versão com extensor de autonomia passou a responder pela maior parcela de suas vendas.
O desempenho do C10 também ajudou a marca a alcançar seu melhor mês de vendas, apesar de seu posicionamento superior ao do B10. O resultado sugere que a possibilidade de abastecer o veículo pode ser um argumento relevante para consumidores que ainda não estão dispostos a depender exclusivamente da infraestrutura de recarga.
Essa diferença ajuda a explicar a importância do B10 Ultra-Híbrido. O modelo mantém as dimensões e boa parte dos equipamentos do elétrico, mas adiciona a possibilidade de utilizar gasolina em viagens e ainda chega por um preço R$ 3 mil inferior.

Com 4,52 metros de comprimento e 2,74 metros de distância entre os eixos, o B10 também é maior que boa parte dos SUVs a combustão vendidos nessa faixa de preço.
A lista de equipamentos inclui central multimídia de 14,6 polegadas, Android Auto e Apple CarPlay sem fio, sistema de áudio com 12 alto-falantes e subwoofer, câmeras com visão de 360 graus e bancos dianteiros com ajustes elétricos.
O pacote Leap Pilot reúne controle de cruzeiro adaptativo, frenagem automática de emergência com reconhecimento de pedestres e ciclistas, assistente de permanência em faixa, monitoramento de ponto cego e alerta de tráfego cruzado. São sete airbags de série.
Leapmotor ainda busca ganhar escala
O crescimento da Leapmotor no primeiro ano mostra que a marca começa a encontrar espaço no mercado brasileiro, uma estratégia do grupo Stellantis para responder na mesma moeda da invasão chinesa.
Ainda assim, a comparação com outras fabricantes orientais relativamente novas no país mostra o tamanho do desafio. SUVs de marcas como GAC e Jetour já conseguem individualmente volumes próximos aos acumulados pelo B10, apesar de essas empresas terem iniciado suas operações brasileiras sem a mesma estrutura industrial disponível à Leapmotor.

A diferença é que a marca tem por trás a Stellantis, responsável por sua operação comercial no país e dona de 51% da Leapmotor International. O grupo também já decidiu transformar o Brasil em uma base industrial para seus veículos.
Os modelos B10 e C10 já tiveram a produção confirmada no Polo Automotivo de Goiana, em Pernambuco. A engenharia da Stellantis também trabalha no desenvolvimento de uma versão flex do sistema REEV para os futuros modelos nacionais, enquanto os veículos importados vendidos atualmente utilizam gasolina no motor que funciona como gerador.
