Novo Hyundai Tucson é revelado após SUV fazer história no Brasil
Quinta geração cresce, muda radicalmente de visual e resgata um nome que já teve mais de 300 mil unidades comercializadas pela CAOA no país
A Hyundai apresentou nesta quarta-feira (19), na Coreia do Sul, a quinta geração do Tucson, seu SUV médio que já teve uma presença importante no Brasil. Com visual completamente renovado e dimensões maiores, o modelo surge seis anos após a estreia da geração atual, mas ainda sem informações sobre motorização ou previsão de chegada aos mercados internacionais.
Por enquanto, a fabricante revelou apenas o design externo e interno por meio de imagens geradas por computador, além de antecipar alguns dados do novo Tucson. O SUV agora mede 4,70 metros de comprimento, 1,905 m de largura e 1,685 m de altura, com distância entre-eixos de 2,785 m.
Na comparação com a geração anterior, são 6 cm adicionais no comprimento, 4 cm na largura e 3 cm no entre-eixos. O aumento também foi aproveitado para ampliar o espaço interno. Segundo a Hyundai, a distância disponível para a cabeça dos passageiros traseiros cresceu 29 mm, chegando a 1.031 mm.
Outra mudança curiosa está nas portas traseiras, cujo ângulo máximo de abertura passou de 73 para 83 graus, facilitando o acesso ao banco posterior.

Visual mais quadrado
A transformação mais evidente, porém, está no desenho. O novo Tucson abandona a aparência bastante recortada da quarta geração, incluindo a solução que integrava parte das luzes diurnas à grade dianteira.
A quinta geração adota linhas mais retas e uma carroceria visualmente mais robusta. O conceito faz parte da linguagem de design chamada pela Hyundai de "Art of Steel", que explora superfícies e formas que procuram ressaltar o aspecto metálico da carroceria. O resultado não é tão polêmico quanto modelos como o Santa Fé, mas causa algum incômodo.
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Na dianteira, as luzes diurnas agora aparecem verticalmente nas extremidades, em uma solução batizada de "H-edge Lighting", conectadas visualmente por uma estreita faixa horizontal. Os faróis principais são formados por um longo filete de LED que corta toda a parte frontal.
Os para-lamas ganharam formas pronunciadas e praticamente retangulares, reforçando a aparência mais convencional de SUV.

A traseira segue a mesma proposta, com formas mais verticais e lanternas de desenho tridimensional. A Hyundai também mostrou o Tucson XRT, configuração com elementos específicos de carroceria e aparência mais voltada ao uso fora de estrada.
A cabine igualmente mudou por completo. O painel adota desenho horizontal e concentra boa parte das funções em uma grande tela central. O volante tem formato achatado nas partes superior e inferior, enquanto o console oferece dois carregadores sem fio para smartphones. Há um painel com velocímetro digital e outras informações que lembram o New Civic, enquanto a ausência de alavanca de seletor de marchas pode indicar uma versão elétrica a bateria.
A Hyundai ainda não detalhou quais motores serão oferecidos no novo Tucson. A apresentação realizada na Coreia do Sul foi dedicada essencialmente ao desenho da quinta geração, deixando especificações mecânicas, versões e datas de lançamento para uma etapa posterior.

Uma longa história no Brasil
Embora atualmente não seja mais vendido no mercado brasileiro, o nome Tucson já teve um peso muito maior no país.
O SUV chegou ao Brasil importado em 2004, quando a CAOA era responsável pela operação comercial da Hyundai. Em uma época na qual o mercado de utilitários esportivos era consideravelmente menor, o Tucson ganhou espaço principalmente pela combinação de porte, equipamentos e preço.
O desempenho ajudou a transformar o modelo em um dos principais produtos da Hyundai no Brasil e acabou levando à sua produção nacional. A primeira geração começou a sair da fábrica da CAOA em Anápolis (GO) em 2010.

Segundo dados divulgados pela própria empresa, 106.142 exemplares dessa geração foram produzidos na unidade goiana. Considerando as diferentes gerações, a família Tucson ultrapassou 300 mil unidades comercializadas pela CAOA no país.
A trajetória brasileira também criou uma situação incomum. A segunda geração mundial do Tucson chegou por aqui com outro nome, ix35. O modelo começou a ser produzido em Anápolis em 2013 sem substituir imediatamente seu antecessor.
Três gerações vendidas ao mesmo tempo
Em 2016 foi a vez da terceira geração entrar em produção, novamente com uma denominação diferente: New Tucson. Durante um período, portanto, a CAOA comercializou simultaneamente três gerações do mesmo SUV no Brasil: Tucson, ix35 e New Tucson.
A estratégia prolongou bastante a vida comercial dos modelos anteriores, mas também fez com que o Tucson brasileiro gradualmente se distanciasse do produto oferecido pela Hyundai em outros grandes mercados.
O primeiro Tucson encontrou um cenário bastante favorável, antes da explosão de SUVs que transformaria o mercado brasileiro na década seguinte. Já seus sucessores passaram a enfrentar uma quantidade crescente de concorrentes e preços mais elevados.

O New Tucson, apesar do motor 1.6 turbo e de uma proposta mais sofisticada, nunca repetiu o protagonismo comercial das duas gerações anteriores. Ao mesmo tempo, SUVs compactos ganharam enorme participação no Brasil e passaram a oferecer dimensões e equipamentos suficientes para disputar consumidores com modelos médios mais caros.
A própria Hyundai entrou nesse segmento com o Creta, produzido em Piracicaba (SP), enquanto marcas como Jeep, Volkswagen, Toyota e posteriormente fabricantes chinesas multiplicaram a oferta de SUVs no país.
Caminho para o Brasil agora é diferente
A chegada da quinta geração ocorre em um momento bastante diferente também na relação entre Hyundai e CAOA.
Durante décadas, a empresa brasileira teve papel fundamental na expansão da marca sul-coreana no país, inicialmente como importadora e distribuidora e posteriormente como fabricante de modelos Hyundai em Anápolis. Foi essa estrutura que sustentou toda a trajetória brasileira do Tucson, ix35 e New Tucson.
Nos últimos anos, porém, Hyundai e CAOA reorganizaram suas operações. A fabricante sul-coreana, que já possuía sua própria fábrica em Piracicaba e comercializava diretamente modelos como HB20 e Creta, passou a concentrar também a representação de sua marca no país.

Com isso, a estrutura responsável por trazer e produzir as gerações anteriores do Tucson deixou de ser a porta de entrada natural para uma eventual nova geração.
Por enquanto, não se sabe se a Hyundai planeja reintroduzir o Tucson no Brasil. Caso isso aconteça, portanto, a quinta geração encontrará não apenas um mercado de SUVs muito mais disputado do que aquele conhecido por seu antecessor há duas décadas, mas também uma estrutura completamente diferente daquela que transformou o Tucson em um dos Hyundai mais populares do país.
