Por que quase todos os motoristas de aplicativo estão no Uber X?
Estudo aponta concentração nas categorias mais acessíveis e revela os custos e desafios de quem trabalha com carro próprio
Quem observa o trânsito das grandes cidades talvez já tenha percebido que o transporte por aplicativo no Brasil é, majoritariamente, movido pelo carro próprio e quase sempre nas categorias mais populares. Um levantamento do GigU, em parceria com a Jangada Consultoria de Comunicação, ajuda a explicar esse cenário ao traçar um retrato detalhado de quem está por trás do volante nas principais plataformas do país.
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O estudo, que ouviu motoristas de apps como Uber, 99 e inDrive, mostra que 88,7% dos profissionais utilizam veículo particular para trabalhar.
As motos, embora mais baratas de manter e ágeis no trânsito, ainda ocupam um espaço bem menor, apenas 5,5% dos condutores atuam sobre duas rodas. Outras alternativas, como carros alugados, seguem sem ganhar escala relevante no setor.
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82% dos motoristas atuam no Uber X

Imagem: Divulgação
Na Uber, 82% dos motoristas atuam no Uber X, o serviço mais acessível e com maior volume de chamadas. O Uber Comfort aparece logo atrás, com 41,2%, enquanto as modalidades premium seguem restritas a uma parcela pequena: 9% no Uber Black e apenas 2,7% no Black SUV.
Por lá, 58,6% dos condutores trabalham no 99 Pop, e 16,1% no 99 Comfort. Já táxis e serviços de luxo somam menos de 2% da base. No inDrive, a atuação também é tímida fora do carro tradicional: 14,6% dirigem automóveis, enquanto só 0,8% usam motos.
Comportamento do motorista de aplicativo brasileiro

Imagem: Divulgação
Em vez de apostar em categorias premium, que pagam melhor por viagem, mas têm demanda limitada, a maioria prefere serviços com maior volume de chamadas e renda mais previsível ao longo do dia. É uma equação que prioriza estabilidade, mesmo com ganhos unitários menores.
Esse modelo, porém, tem um custo alto. Ao usar o próprio carro, o motorista assume despesas como manutenção, combustível, seguro e a depreciação natural do veículo, fatores que pesam diretamente no bolso. Ainda assim, as alternativas existentes não parecem, ao menos por enquanto, oferecer o equilíbrio ideal entre demanda, custo e segurança.
Para Luiz Gustavo Neves, CEO e cofundador da fintech GigU, o levantamento funciona como uma radiografia do setor. Segundo ele, mesmo com um mercado cada vez mais competitivo, os motoristas seguem priorizando categorias de alta demanda e o uso do veículo próprio em busca de previsibilidade financeira.
“Isso mostra não só a importância econômica do transporte por aplicativo, mas também os desafios diários de quem precisa equilibrar custos, riscos e oportunidades de ganho”, afirma.
