O ano de 2019 será marcado pela renovação dos principais automóveis de volume do mercado brasileiro. Estamos falando, em especial, da estreia das novas gerações do Chevrolet Onix e do Hyundai HB20, bem como de seus sedans derivados Onix Plus e HB20S. Já abordamos aqui no Autoo a evolução que esses modelos trouxeram para o segmento, em especial no quesito equipamentos, com o Chevrolet apostando em recursos como o assistente de estacionamento e o alerta de pontos cegos na versão Premier e a Hyundai investindo nos alertas de colisão com frenagem autônoma e saída da faixa de rodagem para a dupla HB20 e HB20S na opção topo de linha Diamond Plus.

Chamaram a atenção tanto da imprensa quanto do público em geral os preços extremamente competitivos com que a GM colocou seus compactos no mercado, em especial considerando a melhoria significativa em termos de projeto que eles entregam. Claro que a fabricante vai valorizar esse atributo ao máximo, tanto que o mote da sua campanha de lançamento será “menos nunca mais”, uma clara referência aos carros mais caros e geralmente menos equipados que encontramos no mercado.

Ao conservar os preços da versão LT do Onix anterior para a nova geração, a GM cria as condições para que o hatch siga firme no posto de carro mais vendido do Brasil, assim como o Onix Plus deverá herdar do Prisma o título de sedan mais emplacado em nosso mercado.

De fato, quando comparado com os concorrentes, o preço do Onix deverá fazer a concorrência se mexer a partir de novembro, quando o modelo chega efetivamente à rede. Tabelado em R$ 48.490, o novo Onix em sua versão 1.0 de entrada já conta com 6 airbags e os controles de tração e estabilidade, além de rádio. Seu rival direto, o recém-lançado Hyundai HB20 em sua segunda geração, pode ser mais barato na versão Sense 1.0 de R$ 46.490, mas a Hyundai peca ao não disponibilizar a dupla de segurança ativa, bem como o modelo traz apenas o airbag duplo frontal obrigatório por força da lei. Um VW Polo 1.0 de entrada conta com os controles de tração e estabilidade, além de 4 airbags e rádio, mas custa R$ 53.590. Com isso, o Onix é R$ 5.100 mais barato que o VW, uma diferença enorme nessa faixa do segmento.

O Onix e o Onix Plus também chamam a atenção em seu pacote mais completo, no caso, a versão Premier. Colocando todos os opcionais no caso do hatch, o Onix Premier será tabelado em R$ 72.990 e traz como diferenciais os já citados assistente de estacionamento e alerta de pontos cegos nos retrovisores, além do revestimento interno de couro, carregador por indução para smartphones, chave presencial, entre outros recursos. Se compararmos o Onix Premier completo com outro hatch de projeto tão moderno quanto, no caso o VW Polo, o rival alemão parte de R$ 76.990 na versão topo de linha Highline e supera os R$ 83.000 se acrescido de todos os opcionais. Estamos falando de uma diferença na casa de R$ 10.000 entre os dois.

O Polo Highline completo até oferece alguns recursos ausentes no Onix Premier, como o painel de instrumentos digital, rodas de liga leve aro 17” e sensor de chuva, mas, mesmo considerando que o Polo ainda traz motor dotado de injeção direta, não é nada que justifique tamanha diferença de preço.

Mas, então, como a GM fez a “conta fechar” no caso do Onix?

“Durante o desenvolvimento do projeto dos novos Onix e Onix Plus, nós partimos da premissa de que o modelo deveria custar a mesma coisa que o carro atual. Isso, desde o início, foi uma condição estabelecida no projeto”, explicou Hermann Mahnke, diretor de marketing da GM para a América do Sul, durante uma breve conversa com o Autoo no lançamento do compacto.

Com uma estratégia ousada, a GM também pretende alterar um comportamento muito comum por parte da indústria automotiva em que, apenas por realizar um salto de geração, um modelo recém-lançado sofre um forte reajuste de preço na comparação com o seu antecessor, sem entregar mudanças tão profundas que justifiquem esse aumento.

Mas como explicar o fato de que, mesmo mais equipado, o Onix chega a custar bem menos que seus rivais? “É interessante a gente olhar para o passado, para a evolução da tecnologia, e trazermos isso para o presente. Uma TV bem antiga, equipada com transistor, por exemplo, certamente custava muito mais naquela época do que uma TV de tela plana custa hoje em dia. O mesmo a gente pode trazer para os automóveis. As tecnologias estão se difundindo e ficando mais acessíveis”, nos explicou Carlos Zarlenga, presidente da GM América do Sul.

Mas além da popularização de componentes tecnológicos, impactou consideravelmente no custo de desenvolvimento dos novos Onix e Onix Plus o amplo esforço global que a GM empreendeu na construção de sua nova arquitetura destinada aos mercados emergentes, chamada pela sigla em inglês GEM. Ela dá origem não só aos projetos do Onix e Onix Plus, como também ao novo Tracker, que estreia no Brasil em 2020, bem como ganhará uma destacada relevância na linha de produtos globais da GM.

O Autoo aproveitou o lançamento do Onix Plus para entrar em detalhes sobre isso com Fabiola Rogano, vice-presidente de engenharia da fabricante para a América do Sul. Segundo a executiva, o desenvolvimento da arquitetura GEM começou nos EUA, na sede da empresa, mas contou com a participação dos times da fabricante na China e no Brasil, país que conta com grande experiência para o desenvolvimento de carros compactos até mesmo pela relevância do segmento por aqui. Com isso, foi feito um trabalho global para buscar as melhores soluções de engenharia, sempre de olho na otimização dos custos e resultados.

“Durante o projeto dos novos Onix e Onix Plus, nos deparamos com uma série de soluções para reduzir o preço final dos modelos e potencializar aspectos em que era possível construir os carros de maneira mais inteligente. Um bom exemplo reside na arquitetura elétrica. Hoje em dia temos módulos muitos mais potentes e, com isso, conseguimos usar um número bem menor deles para realizar as mesmas funções. Se uso menos módulos, o custo com isso diminui, e por aí vai”, enfatiza Rogano. A fala da engenheira, portanto, realça os mesmos benefícios que a tecnologia mais avançada proporciona, em linha com o que Zarlenga nos explicou.

Ainda de olho na eficiência, Rogano acrescenta que os times de engenharia buscaram soluções como o amplo uso de aços de alta resistência, a aplicação de materiais diferenciados para reduzir o peso da suspensão, entre outras soluções que permitissem deixar o carro mais leve e, consequentemente, com menor consumo e melhor desempenho, bem como colaborar para a segurança dos ocupantes.

Para afastar de vez o estigma de carro inseguro, a GM foi sagaz e já realizou antes mesmo do lançamento do Onix Plus um teste junto ao Latin NCAP para atestar a integridade estrutural de sua cabine, obtendo 5 estrelas na proteção de adultos e crianças.

É fato que, ao olharmos a ficha técnica de Onix e Onix Plus notamos que a GM foi extremamente racional na construção dos dois modelos. Mesmo na configuração topo de linha Premier não há opção de freio a disco nas quatro rodas, por exemplo, recurso oferecido no VW Polo com motorização turbo.

A opção da GM por usar injeção indireta multiponto no motor 1.0 também foi tomada sob o mesmo ponto de vista, uma vez que esse sistema entrega maior eficiência com o motor trabalhando em baixas rotações, como ocorre no uso urbano, cenário que responde pela maior parte da utilização dos automóveis. Além disso, o custo de manutenção desse sistema é bem inferior ao de um motor com injeção direta. De qualquer forma, como você pode conferir em nossa avaliação, o Onix Plus não fica devendo em desempenho em relação ao Virtus, por exemplo, com a vantagem do consumo extremamente baixo.

Aproveitar o melhor da tecnologia, combinada com um amplo esforço de engenharia global e com uma atitude ousada para os padrões brasileiros na hora de precificar suas novidades, podemos dizer que esses três fatores nos fornecem um bom resumo de como a GM conseguiu colocar os novos Onix e Onix Plus no mercado de uma forma tão competitiva. Questionado pelo Autoo se a fabricante terá condições de manter esse patamar de valores, o principal executivo da GM para a América do Sul foi taxativo: “não faria o menor sentido a gente chegar no mercado dessa forma e depois aumentar os preços. Vamos manter nesse patamar, sim”, finaliza Carlos Zarlenga. Se tudo isso se confirmar, vamos torcer para que a dupla Onix e Onix Plus inicie uma salutar concorrência mais acirrada entre os modelos da categoria. O mercado, sem dúvida, agradece.

 
 
Chevrolet Onix 2020
 
Chevrolet Onix 2020
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Chevrolet Onix 2020
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Chevrolet Onix Plus 2020
 
Chevrolet Onix Plus 2020
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Chevrolet Onix Plus 2020
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Chevrolet Onix Plus 2020
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Chevrolet Onix Plus 2020
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Chevrolet Onix Plus 2020
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César Tizo

O "Guru dos Carros", César Tizo se juntou ao time este ano e está à frente dos portais AUTOO e MOTOO. É o expert em aconselhar a compra de automóveis

César Tizo |