VW Fusca e mais 9 carros antigos brasileiros mais buscados para restauração

Valorização destes clássicos tem atraído mais a atenção de restauradores, mas é preciso cuidado ao avaliar um modelo
VW Fusca

VW Fusca | Imagem: Divulgação

Carros clássicos são mais do que um mero meio de transporte, e isso graças ao valor histórico e financeiro. A prova é que o antigomobilismo já movimenta cerca de R$ 32 bilhões por ano no país, de acordo com a Federação Internacional de Veículos Antigos.

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O Volkswagen Fusca, Karmann Ghia, Ford F-100 e Jeep Willys são alguns dos modelos mais desejados ao longo dos últimos 12 meses. O reflexo desse cenário positivo para o mercado de restauração de carros clássicos é que a própria Chevrolet introduziu neste ano o programa Chevrolet Vintage, que tem por objetivo o resgate de modelos históricos como o Omega, a S10, o Opala e o Monza.

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De olho nesse mercado cada vez mais promissor, veja os 10 modelos mais desejados para serem restaurados.

1 - VOLKSWAGEN FUSCA

Volkswagen Fusca 1985
Volkswagen Fusca
 Imagem: Divulgação

O ‘Fusca’ foi lançado em 1935 e idealizado pelo alemão Ferdinand Porsche com o nome de Typ I a pedido do líder nazista Adolf Hitler para ser um veículo popular e econômico. 

Graças à sua versatilidade, o Fusca passou a ser utilizado com várias finalidades, como uso pelo correio e até veículo militar durante a guerra, em 1939.

No Brasil, começou a ser produzido em 1959 com peças 100% nacionais. A produção do Fusca foi até 1986, mas retomada, em grande estilo, pelo ex-presidente Itamar Franco, em 1993, em São Bernardo do Campo (SP), mas três anos depois, saía de linha definitivamente.

É sem dúvida um dos carros mais populares para aqueles que estão começando no ramo da restauração.

2 - CHEVROLET CHEVETTE

Chevrolet Chevette
Chevrolet Chevette
Imagem: Divulgação

O Chevrolet Chevette chegou em 1973 e trouxe inovações para a época, como a tração traseira, algo incomum para veículos deste segmento. 

O Chevette foi vendido como um sedã de duas portas e, mais tarde, veio o de quatro portas, além das carrocerias hatch e perua (Marajó) — ambos oferecidos só com duas portas e picape (Chevy 500). Aliás, coube ao utilitário — lançado em 1983 — ser o último carro da família Chevette a deixar a linha de produção no Brasil, no ano de 1995. Porém, a Sedan com quatro portas ainda era fabricada em outros países, como Equador e Colômbia.

Com mais de 1,6 milhão de vendas, o Chevette se tornou um dos veículos brasileiros mais populares da General Motors.

3 - CHEVROLET OPALA

Chevrolet Opala SS
Chevrolet Opala
 Imagem: Divulgação

Outra paixão nacional, o Opala foi o primeiro carro de passeio desenvolvido e fabricado pela General Motors do Brasil e sua produção se deu entre 1968 e 1992. Dele surgiu a Caravan, que foi um dos sonhos da família brasileira nos anos 1970, 1980 e 1990. Ambos tiveram as opções mais luxuosas, como Comodoro e Diplomata, além da esportiva SS.

Graças à sua robustez mecânica e de fácil manutenção, o Opala foi “adotado” por várias frotas nacionais, servindo de viatura de Polícia Civil e Militar até carro oficial da Presidência da República. Aliás, o modelo foi estrela nos cinemas e novelas como “A Próxima Vítima”.

4 - VOLKSWAGEN GOL 

Volkswagen Gol 1.000
Volkswagen Gol
 Imagem: Divulgação

O Volkswagen Gol da geração ‘quadrada’, que trouxe o GTi, o primeiro carro com injeção eletrônica de combustível vendido no Brasil, tem atraído cada vez mais a atenção dos colecionadores. Prova disso é que existem empresas especializadas em restaurá-lo do zero e, com isso, triplicar o seu valor de mercado.

O Gol teve origem em 1980 e as versões mais procuradas são as esportivas, que tiveram menor tiragem, a exemplo da GT, GTS e GTi. No entanto, as versões básicas ou até mesmo a comercial Furgão também têm atraído a atenção de oficinas especializadas, dada a sua raridade no mercado de antigos.

O próprio GTi acabou levantando a moral dos Gols quadrados por ser a grande estrela no Salão do Automóvel de 1988, não só por introduzir a injeção eletrônica, mas por ser o carro mais rápido à venda no país na época. Máxima de 185 km/h e zero a 100 km/h feito em 8,8 segundos, graças aos seus 120 cv extraídos do AP-2000 originado na linha Santana/Quantum.

5 - JEEP WILLYS

Ford Jeep Willys
Ford Jeep Willys
Imagem: Divulgação

O Jeep ganhou produção nacional a partir de 1954 por meio da Willys. Era o clássico CJ3-B, que estreou no Brasil com motor de quatro cilindros F-134 de 75 cv e câmbio de três marchas. No ano seguinte, o modelo trocou de nome, passando a se chamar CJ-5, mas o estilo básico era mantido, assim como a motorização, que durou até 1958. Nesse período, trocou para o BF-161 de seis cilindros e 2,6 litros de 90 cv, o mesmo do Maverick.

Em 1967, a Willys Overland do Brasil foi comprada pela Ford e, apesar das mudanças no comando, o CJ-5 era mantido com o mesmo conceito visual clássico. 

A maior mudança ocorrida na então Ford-Willys ocorreu com a chegada do propulsor 2.3 OHC de 4 cilindros, com 91 cv, em 1975. Outra grande evolução surgiu no final de 1982. Era o raro propulsor 2.3 a álcool que resultava em pouco mais dos 91 cv da versão a gasolina. 

Apesar de o Jeep ter deixado de ser produzido em 1983, ainda hoje é lembrado com muito carinho e visto como um veículo robusto e bastante almejado por entusiastas e restauradores. 

6 - KARMANN GHIA

Acima o Karmann Ghia TC 145 que participa do rali somente com clássicos na Alemanha
Acima o Karmann Ghia
Imagem: Divulgação

Inicialmente, o Karmann Ghia foi fabricado na Alemanha entre 1955 e 1975, mas o Brasil foi o país privilegiado a construí-lo. Em solo tupiniquim, a produção ocorreu de 1962 a 1972, com pouco mais de 23 mil unidades na versão original cupê — lembrando que o modelo também teve a raríssima opção conversível, a partir de 1968. 

Em 1970, veio o Karmann Ghia TC e, junto a ele, a nova motorização 1.600. No entanto, a 1500 com a primeira geração do esportivo continuou em produção até 1972. O TC ainda sobreviveria até 1975.

Seja qual for o modelo, estes clássicos da Volkswagen sempre encantaram por seu estilo inconfundível, presença marcante e um legado que só tem chamado a atenção de novos antigomobilistas. 

7 - VOLKSWAGEN SP2

Volkswagen SP2
Volkswagen SP2
Imagem: Divulgação

O Volkswagen SP2, um projeto 100% brasileiro, foi fabricado no Brasil de 1972 a 1976 e, apesar dos poucos anos de produção, tornou-se um sucesso de vendas, com mais de 10,2 mil unidades. 

O Volkswagen SP2 surgiu como opção de esportivo nacional em um mercado que já tinha Willys Interlagos, VW Karmann Ghia, Puma GT e Brasinca Uirapuru 4.200 GT.

Raro até mesmo no Brasil, o fato é que o SP2 vem atraindo a atenção dos amantes de aircooled do mundo todo, principalmente fora do país, como é o caso do mercado norte-americano, que vem enxergando com bons olhos. 

Por aqui, este reflexo só vem atraindo ainda mais o fascínio de novos interessados em restaurar modelos como o VW SP2.

8 - FORD F-100

Ford F100
Ford F100
Imagem: Divulgação

A Ford F-100 foi a primeira picape nacional no Brasil. Lançada em 1957, a caminhonete trouxe o poderoso motor V8 de 4,5 litros e 167 cv de potência. 

Com a crise do petróleo de 1973, a marca deu início à produção na fábrica de Taubaté do motor mais econômico de 2,3 litros de quatro cilindros de 120 cv. No entanto, o V8 continuava sendo ofertado até o fim de sua produção, em 1985.

Bastante cultuada, a Ford F-100 vem tendo uma atenção especial entre colecionadores, por conta de sua história que revolucionou o segmento hoje. Além disso, qualidades como robustez e apelo emocional na cultura do antigomobilismo fazem dela uma peça de coleção altamente desejada.

9 - PUMA

Puma GTE
Puma GTE
Imagem: Divulgação

A Puma Automóveis fabricou vários esportivos fora de série confeccionados em fibra de vidro e usando chassi de modelos da Volkswagen, como Karmann Ghia e Brasilia, e Chevrolet, caso dos GTB.

No entanto, os mais icônicos e populares esportivos da Puma no Brasil são os da linha GT, como o GTS (conversível) e o GTE (cupê), que, no início da década de 1980, passaram a ser conhecidos como GTC e GTI, nessa ordem. 

Com mecânica clássica boxer a ar, estes esportivos levaram a fama por serem leves, ágeis e fáceis de serem mantidos e com o prazer de ter um esportivo exclusivo. 

Por tudo isso, estes clássicos da Puma tornaram-se objetos de desejo por quem quer começar um projeto de restauração sem gastar muito.

10 – VOLKSWAGEN KOMBI

VW Kombi Série Prata
VW Kombi
Imagem: Divulgação

Em 1957, a Volkswagen do Brasil se instalava na cidade de São Bernardo do Campo, inaugurando a fabricação da primeira Kombi brasileira, que nesta época já contava com 100% de índice de nacionalização. Praticamente idêntica à versão alemã, a nossa Kombi contava inicialmente com motor de 1.192 cm³ e 36 cv a 3.400 rpm, contando com a velocidade máxima de 100 km/h.

A Kombi no Brasil teve diversas versões ao longo de sua história, evoluindo das clássicas T1 "Corujinha" para a T2 "Clipper". Na motorização, a maior evolução ocorreu com motor 1.4 de quatro cilindros em linha (80/78 cv) e tecnologia flex a partir de 2006, que se estendeu até o fim da produção da van, em 2013.

Robusta, de fácil manutenção e com várias histórias acumuladas entre seus donos, fica fácil entrar em um projeto de restauração dela, só para sentir o gosto de ‘voltar no tempo’.

Fernando Garcia

Especialista em análises do mercado de veículos usados, Fernando Garcia tem passagens por revistas automobilísticas e no AUTOO traz vários artigos especiais com curiosidades, serviços e dicas.