VW Parati 1.8 GL 0 km entra para venda com preço do SUV Taos novo

Perua de 1994 ainda mantém os pneus datados originais como se estivesse acabado de sair da fábrica
VW Parati GL

VW Parati GL | Imagem: Reprodução/Reginaldo de Campinas

A Volkswagen Parati foi produzida entre 1982 e 2012, com mais de 920 mil unidades produzidas, tornando-se um sucesso absoluto de vendas. Passados mais de 10 anos de sua aposentadoria no Brasil, a perua ‘jovem’ ainda coleciona fãs, inclusive lá fora, onde também foi vendida como Fox Wagon.

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O segredo do sucesso é a robustez mecânica do Gol, com a vantagem do espaço a mais no porta-malas. Por isso, tornou-se o carro preferido dos surfistas e, hoje, tem atraído cada vez mais a atenção de colecionadores de Volks ‘quadrados’

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A Parati 1.8 GL 1994 azul Nobre das fotos é talvez a mais nova do Brasil, porque é 0 km. Para não dizer que é literalmente zero, a unidade encontra-se com pouco menos de 950 km. A perua da Volkswagen foi adquirida pela autorizada de Campinas Cacic e, inclusive, traz toda a documentação e adesivos da loja colados no veículo.

Por fora, a pintura se manteve original, sem retoques ou marcas do tempo, apesar de ser um carro que não foi usado. Um detalhe interessante são os pneus datados de época, o Firestone F-560 na medida 175/70 R13. A grade, os para-choques e frisos, sem pintura, estão em perfeito estado, sem manchas.

VW Parati GL
VW Parati GL absolutamente nova com todos os detalhes originais, com manual e chave reserva
Imagem: Reprodução/Reginaldo de Campinas

Na parte interna, o acabamento é impecável, com bancos e forrações de porta mesclando vinil e tecido cinza que dão a sensação de um ambiente mais amplo e sofisticado. Nessa GL básica, os comandos da regulagem dos espelhos e da abertura dos vidros são manuais.

 O tabelier traz acabamento soft touch e concentra um painel de instrumentos do tipo satélite sem tacômetro (conta-giros), porém com um enorme relógio analógico no lugar, junto ao ponteiro do nível de combustível. À esquerda, tem o velocímetro com escala até 200 km/h e, bem ao centro, o ponteiro medidor da temperatura da água do motor, junto às demais luzes indicadoras.

O motor é o famoso AP (Alta Potência) 1.8 carburado e movido a gasolina com 99 cv de potência e 14,9 kgfm de torque. A transmissão é manual de cinco marchas. Com essa dupla, dados de fichas técnicas de época apontavam o 0-100 km/h em 10,4 segundos, enquanto que a velocidade máxima, 171 km.

Um exemplar como este é único e, talvez, impossível de achar outro igual e, por isso, seu preço justificado é de R$ 230 mil, quantia suficiente para comprar um VW Taos zerinho! 

PERUA DOS SURFISTAS


VW Parati
Parati da 1ª geração chegou a ser um dos carros preferidos das famílias e dos surfistas para levarem suas pranchas
Imagem: Divulgação

Com o fim da produção da Variant II, em 1980, a VW precisava de uma perua para representar o segmento das “Station Wagons”. Baseado no Gol, a empresa aproveitou para lançar em 1982 a versão perua batizada de Parati — nome de uma cidade histórica no estado do Rio de Janeiro, porém com Y.

A Parati, apesar de ser uma “Station Wagon”, agradava a todo o tipo de público, desde os mais conservadores: pais de família, esposas e até os jovens, sobretudo os surfistas, que gostavam muito da praticidade do rack (opcional) embutido no teto para carregarem suas pranchas.

Até a coluna da porta dianteira, tudo era igual ao resto dos outros membros da família BX, ficando o destaque para o recorte da tampa traseira bem inclinada, conferindo um ar mais jovial à perua da VW. O segmento de peruas naquela época era vasto e contava com concorrentes como Fiat Panorama, Chevrolet Marajó e Ford Belina.

Com a mesma plataforma do hatch, a perua da Volks passou por algumas mudanças no conjunto da suspensão traseira, como reforços nos pontos de fixação e o amortecedor recalibrado.

O motor vinha do Passat, o 1.5 a gasolina, arrefecido a água de 78 cv de potência. Depois de dois meses após o lançamento oficial do modelo, chegou o novo motor 1.6 MD 270, também ‘emprestado’ do Passat, disponível tanto na versão a gasolina quanto a álcool (etanol).

Graças às alterações na taxa de compressão, comando de válvulas e pistões, além, é claro, da adoção da ignição eletrônica e de um carburador de corpo duplo, o resultado chegou em respeitáveis 81 cv, sempre com a ajuda do câmbio de quatro marchas. 

VW Parati
VW Parati recebeu atualizações no desenho em 1987 e no ano seguinte, quando os retrovisores saíram da lataria
Imagem: Divulgação

Além das versões de série S, LS e GLS, em 1984 chegava a série especial Plus, equipada com o mesmo propulsor 1.6 MD 270, câmbio de quatro marchas, limpador e desembaçador traseiro, vidros verdes, ar quente, para-choques e calotas da cor do carro, tudo de série. No mesmo ano, surgia o câmbio de cinco marchas, disponível para as variações LS e GLS. 

Foi no ano de 1987 que a Parati ganhou nova frente com para-choques envolventes de plástico, além de faróis, grade, capô e para-lamas, também renovados. Nessa fase, as versões passaram a ser identificadas como CL, GL e GLS, esta última equipada com o motor AP 1800S (o mesmo usado no GTS) e com bagageiro no teto de série. Na básica CL, o câmbio de cinco marchas era opcional. No ano seguinte, novos painéis e retrovisores incorporariam a linha 1988.

A perua da Volkswagen também ficou famosa lá fora. Entre 1987 e 1991, a perua — batizada de Fox Wagon — foi exportada para os EUA, porém, diferente da versão brasileira, a americana passou por mais de 2.000 modificações para adaptá-la à legislação de lá, como a adoção de injeção eletrônica e o catalisador, item surgido por aqui somente em 1992. No mesmo período, o modelo também ganhou o mercado canadense como uma opção de entrada.

 NOVO VISUAL

VW Parati
VW Parati G2, da geração em que recebeu a maior mudança, com nova estrutura, entre uma série de ouros itens
Imagem: Divulgação

Em 1991, a Parati passa pela sua segunda reformulação, ganhando nova frente com faróis, lanternas, capô, grades e paralamas. Na traseira, o destaque ficou por conta da tampa traseira mais lisa, ornada por um friso e nova grafia. Além disso, essa safra ficou marcada pela incorporação do para-brisa laminado. As versões permaneciam as mesmas, ou seja, CL, GL e GLS.

Para 1992, passava a ser equipada de série com catalisador e a inclusão do banco traseiro bipartido para as versões mais simples. Na topo de linha foi oferecido como opcional um novo toca-fitas (ETR-TII). 

Aliás, no ano seguinte, os modelos ficaram mais equipados, ganhando novo banco Recaro (opcional na GL e de série na GLS), ar-condicionado (opcional na GL), carburador eletrônico para as versões com motor 1.8 a gasolina e propulsor AP-1600 que substituiu o AE-1600.

Em 1994, vieram novos rádios e toca-fitas para a linha, além de carburador eletrônico para as unidades dotadas do AP-1800 a álcool e direção hidráulica, sendo opcional para a GL e de série para a GLS.

No último ano — 1995 — da fase quadrada da Parati, a mudança só ficou para a nova padronagem dos tecidos e, claro, a chegada da versão Surf, o foco principal desta reportagem.

Baseada na CL com motor AP 1.8, a Surf vinha com rodas da linha Santana e Quantum GLSi, faróis de milha, rack de teto, adesivos decorativos com a temática litorânea e, sempre na sugestiva cor azul Havaí, inaugurada no Gol G2 ‘bolinha’. Por dentro, painel com conta-giros, volante de quatro raios da família Santana, bancos com nova padronagem eram os diferenciais da série especial. 

VW Parati
VW Parati G4 foi a última leva da perua fabricada pela marca alemã, quando as peruas compactas estavam sumindo do mercado
Imagem: Divulgação

Fernando Garcia

Especialista em análises do mercado de veículos usados, Fernando Garcia tem passagens por revistas automobilísticas e no AUTOO traz vários artigos especiais com curiosidades, serviços e dicas.