Compass e Onix puxam maior queda na desvalorização dos usados desde março de 2025
Assim como o mercado de novos, setor de seminovos também mostra redução nos preços
O mercado de carros usados tem a maior queda nos preços desde março de 2025, de acordo com o IBV Auto, índice do banco BV que acompanha mensalmente a evolução dos preços dos automóveis leves no Brasil. O resultado representa forte desaceleração em relação aos 0,57% de junho e reforça os sinais de acomodação do mercado de usados após um longo período de valorização.
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Em 12 meses, a alta desacelerou de 6,87% para 6,10%, refletindo um ambiente de demanda mais moderada e preços mais alinhados às condições macroeconômicas. Para o economista-chefe do banco BV, Roberto Padovani, o resultado mostra que o mercado começa a responder de forma mais clara ao cenário econômico.
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"A inflação dos automóveis usados praticamente estacionou em julho, com alta de apenas 0,07%, a menor variação mensal desde março de 2025. O movimento reflete um ambiente mais desafiador, marcado pela maior concorrência das montadoras chinesas, queda dos preços dos veículos novos, crédito ainda restritivo, desaceleração do mercado de trabalho, aumento da inadimplência e elevado comprometimento da renda das famílias", explica Padovani.
Entre os veículos que mais contribuíram para a alta do índice em julho estão Chevrolet Celta (+2,62%), Fiat Palio (+2,20%) e Nissan Kicks (+1,92%). Na outra ponta, VW Fox (-2,01%), Jeep Compass (-1,74%) e Chevrolet Onix (-1,11%) exerceram a maior pressão de baixa, indicando que a desaceleração já atinge modelos de diferentes categorias, inclusive os de maior volume de negociação.
Desaceleração por todo o país

Imagem: Divulgação
Em julho, o Nordeste apresentou a maior retração nos preços (-0,19%). Ao todo, 16 das 27 unidades da Federação registraram queda nos preços dos usados, ante um cenário de alta generalizada observado em junho. Apenas duas regiões registraram alta na comparação mensal: Centro-Oeste (+0,29%) e Sul (+0,22%).
O Piauí (-1,08%) registrou a maior queda do mês, enquanto o Amapá (+0,71%) teve a maior alta. No acumulado de 12 meses, Pará (+4,14%), Mato Grosso (+4,37%) e São Paulo (+4,46%) apresentam os menores avanços, enquanto Minas Gerais (+7,66%), Rio de Janeiro (+7,65%) e Rio Grande do Sul (+6,51%) lideram a valorização.
Segundo o vice-presidente de Varejo do banco BV, Jamil Ganan, os dados mostram que o mercado entra em uma nova fase de ajuste.
"Em julho, 16 estados registraram queda nos preços dos automóveis usados, diferentemente de junho, quando houve alta em todo o país. Modelos populares mais antigos ainda sustentam parte da valorização, mas veículos de maior volume de negociação, como Onix, Gol, Uno e Kwid, já mostram perda de fôlego. A tendência é que o mercado reflita cada vez mais o cenário econômico, as condições de financiamento e o ajuste dos preços dos veículos novos", conforme Ganan.
Elétricos seguem mais depreciados

Imagem: Divulgação
Os veículos elétricos continuam registrando as maiores perdas de valor no mercado, embora apresentem sinais de estabilização nos últimos meses. Entre os modelos 2023, a desvalorização acumulada chega a 46,2%, frente a 26,9% dos híbridos e 21,4% dos veículos a combustão comparáveis.
O comportamento reflete a maior concorrência entre montadoras, especialmente com o avanço das marcas chinesas, a redução dos preços dos veículos novos e a rápida evolução tecnológica dos modelos eletrificados, fatores que continuam pressionando o valor de revenda dos primeiros elétricos comercializados no país.
