Ford Maverick GT passou dos 50 anos e vale mais que picape Ranger Raptor
Cupê esportivo restaurado ostenta o poderoso motor 5.0 302 V8 do Mustang entre os destaques
Lançado em 1969 como uma opção ao Ford Mustang nos EUA, o Ford Maverick só chegaria ao Brasil em 1973 como um concorrente ao Chevrolet Opala e Dodge Charger. Durante sua trajetória em solo nacional, chegou a ter algumas versões que ficaram eternizadas. A GT é uma delas e, sem dúvida, é a mais cobiçada entre potenciais colecionadores e cada vez mais valorizada.
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A reporttagem de AUTOO encontrou um Maverick GT 1974 na clássica cor branca Nevasca, uma das mais populares. Segundo nos contou Alex Fabiano, da GG World Premium Classic Cars, o esportivo foi todo restaurado.
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“O nosso Maverick é um GT de plaqueta, ou seja, é um LB5E, e é um dos mais desejados dos anos 1970; tido como muscle car brasileiro, ele revolucionou também nas pistas como a Divisão 3”, conta GG.
Assim que adquiriu o raro exemplar, GG conta que optou por uma restauração completa que durou dois anos e meio. O maior desafio foi a troca do capô, para-lamas e portas, pois os originais não tinham condições de serem recuperados.
“Fizemos um trabalho minucioso, uma restauração de concurso, como chamamos, tudo supervisionado por um parceiro que se atentou para deixar no mais altíssimo nível e nos padrões originais de fábrica”, comemora.
Este espetacular Maverick GT 1974 exibe as lindas e cobiçadas rodas Magnum 500 cromadas e com fundo preto com as talas originais, calçadas em pneus com letras brancas ‘Hankook Dynamic Ra03” que deram mais esportividade ao conjunto.
Por dentro, o tecido “pijaminha” Dixie que estampa os bancos é um convite à parte. Para realçar a esportividade, por gosto pessoal, GG incluiu um kit de relógios vintage de época.
O ‘coração’ do cupê é um 302 V8 4.9 de mais de 200 cv que foi refeito do zero também e funcionando perfeitamente. Para uma melhor performance, foi instalado um filtro esportivo e um distribuidor eletrônico. Com isso, melhorou consideravelmente a partida, o desempenho, além de outros ganhos.
Segundo Alex Fabiano, este Ford Maverick foi vendido a um colecionador apaixonado por V8 pela bagatela de R$ 500 mil. Só para se ter uma ideia, com essa grana é possível levar para a garagem uma Ford Ranger Raptor 2025 0 km - considerada uma das picapes mais rápidas à venda do Brasil. E você? Teria coragem de adquirir um carro clássico por esta quantia? Comente aí!
MAVERICK: O MUSCLE CAR BRASILEIRO

Imagem: Agência HKCD
O Ford Maverick surgiu nos Estados Unidos, em 1969, e teve como missão se enquadrar numa faixa de ‘carros econômicos’ daquele país. Sua vida por aqui foi um pouco mais curta, mas nem isso deixou de ser considerado um clássico entre os brasileiros.
Chegou por aqui em 1973 com a missão de substituir a arcaica linha de veículos da Willys, já que a Ford havia adquirido a Willys-Overland do Brasil em 1968 e, nesta época, precisava de um novo produto que se encaixasse na categoria do Opala da Chevrolet.
O muscle car brasileiro foi comercializado inicialmente nas versões Super (3.0 L6), Super Luxo (3.0 L6 ou 4.9 V8) e a esportiva GT (4.9 V8), que é o foco deste artigo. Equipado com motor 4.9 V8 de 197 cv e torque de 39,5 kgfm a 2.400 rpm, emprestado do ‘primo rico’ Mustang.
Em termos de desempenho, o esportivo fazia de zero a 100 km/h em 10,8 segundos e 182 km/h de velocidade máxima, graças ao câmbio manual de quatro marchas. No consumo na cidade, o GT fazia 4,5 km/l na cidade e 6 km/l na estrada.

Imagem: Agência HKCD
Nas versões mais ‘mansas’, o propulsor era o de seis cilindros em linha, 3.0, reaproveitado do Rural Willys, de 112 cv e 22,6 kgfm a 2.000 rpm. Isso dava a ele uma aceleração de 0 a 100 km/h em longos 20,8 segundos e a máxima de 156 km/h. Podia não ser rápido como o V8 da GT, mas era mais econômico. Fazia 5 km/l no perímetro urbano e 6,5 km/l no rodoviário.
As versões Super e Super Luxo estavam disponibilizadas tanto na carroceria sedã de quatro portas quanto na cupê de duas, todas com opção de transmissão manual de quatro marchas no assoalho ou automática com três posições, instalada na coluna de direção.
MAVERICK DE QUATRO CILINDROS

Imagem: Divulgação
Com a perda do poder aquisitivo da população e a crise do petróleo mundial, a Ford lançou em 1975 o propulsor 2.3 OHC de quatro cilindros para as versões Super e Super Luxo. Mais modesto, rendia 99 cv de potência com um torque de 16,9 kgfm a 3.200 rpm. Chegava aos 100 km/h em 15,3 segundos e atingia a velocidade final de 153 km/h.
Em 1977, a Ford lança uma versão mais luxuosa do Maverick, o LDO (Luxuosa Decoração Opcional), com acabamento mais refinado e opções de interior monocromático nas cores marrom ou azul. A então nova versão topo de linha também receberia como opcional o câmbio automático de três marchas instalado no assoalho, para as unidades com motor 2.3 - a 302 V8 era oferecida na LDO também.
Já as versões Super e Super Luxo continuaram a ser produzidas, todas com o motor 2.3 OHC de série, unidade que passou a ser disponibilizada também na GT.
Após 108 mil unidades produzidas, o Ford Maverick teve sua fabricação encerrada em 1979, concluindo mais um capítulo importante para a história da indústria automobilística nacional.

Imagem: Divulgação
