Fusca de 40 anos, da Última Série, vale uma fortuna; confira o preço
Edição encerra o primeiro fim de produção em 1986 com apenas 850 unidades
O Volkswagen Fusca ‘Última Série’ é uma das edições especiais que não pode faltar em uma coleção de carros icônicos e clássicos. Foi a que encerrou, em 1986 a produção do modelo no Brasil com tiragem de 850 unidades, disponibilizadas somente nas cores metálicas Bege Flash, Cinza Atlas e Azul Stratos.
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É dessa última tonalidade o exemplar de número 405° do Volkswagen Fusca Última Série, vendido há alguns anos. Este exemplar é mais do que especial, pois pode ser considerado um das unidades do Fusca da Última Série mais novas do Brasil, ainda que tenha rodado 2.300 km, conforme a descrição do anúncio no perfil do Instagram do Alex Fabiano, o GG.
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“Os Fuscas dos modelos de edições especiais, como este ‘Última Série, sempre foram um dos modelos mais valiosos e cobiçados por colecionadores e entusiastas de todo o mundo”, revela GG.
Ainda de acordo com o empresário, o clássico da Volkswagen, quando foi vendido, estava impecável, sem nenhum detalhe e com pintura original de fábrica. “São objetos de coleção que todo colecionador mais exigente deseja ter e que dificilmente verá outros nessas mesmas condições”, explica Fabiano.

Imagem: Herik Alves/Agência HKCD
O Fusca vendido pelo GG ainda mantinha os pneus Pirelli Tornado Alfa 5.60-15 e as rodas datadas originais. Internamente, detalhes como o pomo da alavanca de câmbio e o volante de dois raios ainda mantêm o aspecto fosco. Outro detalhe curioso é que nem mesmo um rádio foi instalado, preservando o nicho do painel encapado em courvin, totalmente lacrado.
Diferentemente dos Fuscas normais do mesmo ano, quem comprasse o Última Série em 1986 recebia junto um chaveiro com a menção: “Última Série xxx/850”, além de chave-reserva dourada, certificado de menção honrosa com o número da unidade, uma fita VHS, par de placas mencionando: “Última Série – VW- xxx” e manual com o número do US.
Já o motor era o mesmo das outras configurações, o famoso e consagrado boxer 1600 de quatro cilindros arrefecido a ar, que garantia 57 cavalos de potência e torque de 11,8 kgfm a partir das 2.600 rpm, no etanol.

Imagem: Herik Alves/Agência HKCD
Segundo o empresário João Siciliano, proprietário da Siciliano Company, empresa especializada na compra e venda de veículos antigos nos EUA, unidades como estas têm atraído mais a atenção de colecionadores do mundo todo. Por este motivo, os valores costumam sair na faixa de R$ 150 a R$ 200 mil.
“Cheguei a vender um na mesma cor, Azul Stratos, e com quilometragem baixa para um colecionador e entusiasta de aircooleds”, comenta o empresário brasileiro, que também mantém outra loja aqui no Brasil, a JS Autos Antigos.
PROJETO FUSCA

Imagem: Divulgação
O Fusca foi um interessante projeto, criado pelo ditador alemão Adolf Hitler e encomendado ao professor Ferdinand Porsche, hoje um dos nomes mais aclamados quando se fala em criador de carros de alto desempenho.
A ideia do veículo, segundo as intenções do líder nazista, teria que ter propostas um tanto quanto práticas que atendessem desde pequenas famílias até serviços bélicos. Seu motor inicialmente era um VW refrigerado a ar de 1,2 litro (1.131 cc) de apenas 25 cv, que atingia a velocidade máxima de 100 km/h, suficiente para enfrentar as subidas com até 30% de elevação.
Fora isso, o carro ainda teria câmbio de quatro marchas, sendo a primeira não sincronizada, e um sistema elétrico de 6 V, características que atendiam todas as exigências de Hitler. O espaço para quatro pessoas era suficiente para 4 pessoas. Assim, o projeto KDF – Kraft Durch Freude – ou, traduzindo para o português, força através da alegria, estava para nascer.
Assim, somente em 1936 vieram os primeiros protótipos, já prontos para serem comercializados. Os primeiros modelos vinham ausentes de para-choques e vigia traseiro e havia uma estranha e curiosa entrada de ar. As portas possuíam uma abertura em sentido anti-horário e eram desprovidas de lanternas e quebra-ventos.
Em 1937, outros 30 novos projetos foram testados com o apoio da indústria automotiva alemã. No ano seguinte, era construída uma nova fábrica em Hanover, onde seriam produzidas algumas unidades do carro. Logo depois, Hitler havia definido o nome, Volkswagen, ou Carro do Povo. Assim estava pronto um produto que viraria uma lenda no mercado automobilístico.
PRIMEIRAS UNIDADES NO BRASIL

Imagem: Divulgação
Em 1950 vieram as primeiras versões importadas para cá, sendo o primeiro exemplar vendido ao empresário paulistano Eduardo Andrea Matarazzo. Nos primeiros três anos, o carro foi um sucesso de imediato. Em 1953, a Volkswagen alugou um pequeno galpão no bairro do Ipiranga, em São Paulo.
Quatro anos depois, era inaugurada a fábrica Anchieta, localizada às margens da rodovia de mesmo nome, na cidade de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Logo depois, em 1959, o primeiro Fusca nacional chegava para ser comercializado, durando até o ano de 1986 sem praticamente nenhuma reestilização marcante ao longo deste período.
Neste intervalo de tempo, o então VW Sedan — o nome oficial passou a ser reconhecido a partir de 1983 no Brasil — foi o carro mais vendido no mundo, superando o Ford Modelo T, em 1972.
A VOLTA DO FUSCA EM 1993

Imagem: Divulgação
Numa tentativa de reaver o conceito dos carros populares de mais cilindrada, no ano de 1993, o então presidente da República Itamar Franco fez uma sugestão à fábrica da Volkswagen para que voltasse um dos carrinhos mais queridos do brasileiro, o famoso Fusca.
Produzido entre os anos de 1993 e meados de 1996, o Fusquinha — como era chamado carinhosamente — recebeu o apelido de “Itamar” em homenagem ao executivo. No geral, a carroceria era a mesma que fez sucesso entre os anos 80.
Entre as sutis diferenças estavam: novas cores, adoção de ignição eletrônica, catalisador, retrovisor do lado direito, pneus radiais, para-brisa laminado, cano de escape com única saída em vez de duas na antiga série, bancos com novos desenhos, painel das portas na cor cinza, volante acolchoado em espuma, entre outros itens.
Esta série, infelizmente, acabou não vingando devido aos novos populares com projetos mais promissores que entravam no mercado. Com um investimento de 30 milhões pela volta do Fusca, o projeto rendeu apenas 47.700 veículos comercializados.
Desde a época de seu lançamento no Brasil até o final de sua produção em 1996, o Fusca praticamente manteve as mesmas linhas clássicas que fizeram dele um sucesso pelos quatro cantos do mundo, somando a incrível marca de 3.372.000 unidades vendidas no Brasil.
Só por curiosidade, no Brasil, o último Fusca foi fabricado em 1996 com uma série exclusiva denominada “Série Ouro”, que vinha a mais com faróis de neblina, adesivo comemorativo da edição e nova grafia “Fusca” em alto relevo colada na tampa traseira, entre outros itens.
Um sucesso como este que permanece até hoje não só na mente de muitos entusiastas, mas também de muitos proprietários que um dia já sonharam em tê-lo e só hoje puderam realizar o sonho.
