Fusca mexicano 0 km é um dos últimos fabricados e tem preço de Porsche; confira

Raridade é uma das apenas 15 unidades que chegaram ao Brasil com motor 1.6 e injeção de combustível
VW Fusca

VW Fusca | Imagem: Herik Alves/Agência HKCD

O Volkswagen Fusca, como sabemos, foi um fenômeno de vendas, acumulando mais de 3,3 milhões de unidades entre 1959 e 1986, volume que inclui a volta do modelo, de 1993 a 1996.

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Além do Brasil, outro país que o produziu o modelo da Volkswagen foi o México. Por lá, a  trajetória do clássico começou em 1967 e só parou em 2003, com direito a uma série de despedida. Batizada de Sedan 1600i Última Edición, a Volkswagen do México fez apenas 3 mil unidades, sendo 1.500 na cor azul-claro (LB5B Aquarius) e o restante da produção na tonalidade creme (LB1M Harvestmoon Beige).

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Pois bem, a reportagem de AUTOO encontrou um exemplar desses à venda pela GG World Premium Classic Cars pela bagatela de R$ 780 mil, o mesmo montante pedido por um Porsche Macan GTS zerinho.  Mas a  raridade só percorreu 1 mil km e faz parte de um dos 15 exemplares importados de forma independente para o Brasil.

COMO É O FUSCA MEXICANO?

VW Fusca
VW Fusca com apenas uma saída de escape mais larga para o motor 1.6, refrigerado a ar, com injeção eletrônica
Imagem: Herik Alves/Agência HKCD

Comparado ao nosso Fusca, o modelo mexicano traz algumas particularidades. A começar pelas janelas que são maiores, favorecendo nas balizas mais apertadas. Além disso, há pneus de faixa branca, para-choques cromados mais largos para abrigar as luzes de seta, além de rodas com desenho exclusivo na cor do veículo com calotas cromadas e ausência do difusor de ar lateral, próximo à janela traseira.

A cereja do bolo é a logomarca no capô com o brasão da cidade alemã de Wolfsburg. Mais atrás, a tampa do motor, ainda que se assemelhe com a do nosso Fusca, traz detalhes sutis como a disposição das aletas de ventilação mais próximas das outras. Abaixo, a ponteira do escapamento é única, mas posicionada quase que na parte central do painel traseiro inferior.

MOTOR 1.6 COM INJEÇÃO

VW Fusca
VW Fusca mexicano com motor 1.6 tem 50 cv de potência, movido a gasolina e funciona com câmbio de 4 marchas
Imagem: Herik Alves/Agência HKCD

O motor é o consagrado boxer 1.600, de quatro cilindros, refrigerado a ar, porém com algumas melhorias como a injeção eletrônica que dá ao clássico a potência de quase 50 cv, graças ao trabalho conjunto do câmbio manual de quatro marchas.

Por dentro, o carro ainda é simples, é ligeiramente superior ao do nosso "Itamar". A começar pelo tabelier com material emborrachado (soft touch) mais proeminente que percorre toda a extensão do painel. A forração dos bancos também exala melhor resistência à malharia cinza colorida aplicada no Fusca brasileiro, exceto na versão Ouro, que traz os estofamentos do Pointer GTi.

Uma particularidade do Fusca “Hecho en Mexico” é o sistema de alarme acionado por meio de uma chave no para-lama dianteiro, tipicamente usado nos carros alemães das décadas de 1980 e 1990.

VW Fusca
VW Fusca tem CD Player original, volant espumado e plaqueta no painel que identifica a última edição de fabricação
Imagem: Herik Alves/Agência HKCD

Seja VW Fusca (Brasil), VW Beetle (EUA), VW Käfer (Alemanha), VW Vocho (México)… Cada país adota o seu nome, porém a paixão e o carisma que ele exerce são unânimes. No México, grande parte dos últimos Fuscas produzidos na fábrica de Puebla ainda pode ser vista rodando como táxis, pintados na cor verde, servindo de cartão postal do país.

O PROJETO ORIGINAL

Volkswagen Fusca 2000
Volkswagen Fusca na linha de montagem. Projeto alemão é de meados dos anos 30, com ajuda da Porsche
 Imagem: Divulgação

O Volkswagen Typ 1 foi um projeto peculiar, criado pelo ditador alemão Adolph Hitler e encomendado ao professor Ferdinand Porsche, hoje um dos nomes mais aclamados quando se fala em criação de carros de alto desempenho.

A ideia do veículo, segundo as intenções do líder nazista, teria que ter propostas um tanto quanto práticas que atendessem desde pequenas famílias até serviços bélicos. Seu motor inicialmente era um VW refrigerado a ar de 1,2 litro (1.131cc) de apenas 24,5 cv, que atingia a velocidade máxima de 100 km/h, suficiente para enfrentar as subidas com até 30% de elevação. Seu consumo médio ficava na casa dos 12,5 km/l.

Ainda assim, o carro teria câmbio de quatro marchas, sendo a primeira não sincronizada, e um sistema elétrico de 6 V, características que atendiam todas as exigências de Hitler. O espaço para quatro pessoas era suficiente. Assim, o projeto KDF – Kraft Durch Freude – ou, traduzindo para o português, força por meio da alegria, estava para nascer.

Mas, somente em 1936 vieram os primeiros protótipos, já prontos para serem comercializados. Os primeiros modelos vinham desprovidos de para-choques e vigia traseiro e possuíam uma estranha e curiosa entrada de ar. As portas possuíam uma abertura em sentido anti-horário e eram desprovidas de lanternas e quebra-ventos.

Volkswagen Fusca 2000
Volkswagen Fusca passou por várias modificações ao longo do tempo nos países em que foi fabricado
 Imagem: Divulgação

Em 1937, outros novos 30 projetos foram testados com o apoio da indústria automotiva alemã. No ano seguinte, era construída uma nova fábrica em Hanover, onde seriam produzidas algumas unidades do carro. Na época chamado de KdF-Wagen, o carro passou por muitas revisões e refinamentos porque não obteve a resposta de mercado necessária.

Depois de se tornar o Tipo 1 em 1945, o KdF-Wagen finalmente encontrou uma resposta positiva do mercado de massa e um número crescente de vendas. Em 1955, o Tipo 1 vendeu sua milionésima unidade, o que significava que era o carro ideal para as massas. A palavra alemã Volkswagen significa literalmente "carro do povo", e o que logo seria chamado de "Fusca" seria exatamente isso. Assim estava pronto um produto que viraria uma lenda no mercado automobilístico.

Graças às linhas elegantemente ovaladas, o desenho clássico se perpetuou por décadas, transformando-o em um ‘movimento cult’. Um exemplo é o detalhe da janela traseira oval introduzida em 1953 e que se tornou uma marca registrada dos Fusquinhas alemães até 1957, quando foi substituída por uma janela traseira retangular maior.

Com poucas mudanças estilísticas ao longo de sua carreira, o último Fusca fabricado na Alemanha saiu da linha de montagem em Emden em 1978, sendo que o conversível, lançado em 1949, foi construído pela Karmann em Osnabrück até 1980. 

Fernando Garcia

Especialista em análises do mercado de veículos usados, Fernando Garcia tem passagens por revistas automobilísticas e no AUTOO traz vários artigos especiais com curiosidades, serviços e dicas.