Jeep Avenger estreia por R$ 114.990 para brigar com Tera, Kardian e Pulse
Menor modelo da Jeep chega em três versões, usa motor 1.0 turbo com sistema híbrido leve e fica abaixo do Renegade
Cinco anos depois do Commander, a Jeep volta a lançar um modelo totalmente novo no Brasil. O 'SUV baixinho' Avenger chega às lojas em três versões e assume a posição de carro mais barato da marca, abaixo do Renegade. Os preços partem de R$ 114.990 na campanha de lançamento e chegam a R$ 145.990 na configuração Limited.
A Jeep entra assim em uma das disputas mais recentes do mercado brasileiro. Com 4,09 metros de comprimento e motor 1.0 turbo, o Avenger fica no grupo de SUVs menores e mais baratos que ganhou Volkswagen Tera, Renault Kardian e Chevrolet Sonic nos últimos anos. O Fiat Pulse, produzido pelo mesmo grupo, também concorre nessa faixa.
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O preço de R$ 114.990 do Avenger Altitude vale como condição de lançamento. Depois da campanha, a versão passa a custar R$ 119.990. Longitude e Limited custam R$ 132.990 e R$ 145.990, respectivamente.
Os preços são estes:
* Avenger Altitude: R$ 114.990 na campanha de lançamento; R$ 119.990 posteriormente
* Avenger Longitude: R$ 132.990
* Avenger Limited: R$ 145.990
A chegada do Avenger também explica uma mudança recente no Renegade. A Jeep retirou a antiga configuração de entrada do SUV maior, deixando espaço para o novo modelo sem uma sobreposição tão grande de preços.

Pequeno até para os padrões da categoria
O Avenger nasceu como um projeto europeu e é o menor Jeep já produzido. São 4,09 metros de comprimento, 1,78 m de largura, 1,60 m de altura e 2,56 m entre os eixos. Para o Brasil, a suspensão deixou a carroceria mais alta, com 22,1 cm de distância livre do solo.
É um carro sensivelmente menor que o Renegade e também curto diante de alguns concorrentes diretos. O porta-malas tem 321 litros pelo padrão VDA, contra 350 litros do Volkswagen Tera, 358 litros do Renault Kardian e 392 litros do Chevrolet Sonic. Curiosamente, o próprio Renegade também não é referência nesse quesito, com cerca de 320 litros.
A Jeep preservou alguns números normalmente associados aos seus SUVs. O Avenger tem ângulo de entrada de 22 graus e saída de 33,6 graus, além de um modo All Terrain que altera a atuação do acelerador, direção, câmbio e controle de tração.

Isso não significa, porém, que exista tração integral escondida no pacote. O Avenger tem tração dianteira em todas as versões e passa a ser o único Jeep vendido no Brasil sem opção 4x4.
Motor 1.0 estreia com potência menor
Debaixo do capô está o conhecido motor Turbo 200 da Stellantis. É o três-cilindros 1.0 turbo flex com injeção direta usado por Fiat Pulse e Fastback e pelos Peugeot 208 e 2008.
No Avenger, entretanto, a calibração é diferente. O motor entrega 116 cv tanto com gasolina quanto com etanol e 20,4 kgfm de torque. Nos demais modelos que usam o Turbo 200, a potência chega a 130 cv com etanol.
A redução não é casual. A potência menor ajuda o Avenger a se enquadrar de maneira mais favorável na tributação do IPI.

O conjunto inclui um sistema híbrido leve de 12 volts. Um pequeno motor elétrico de 4 cv e 1 kgfm substitui alternador e motor de partida convencionais e auxilia o propulsor a combustão em determinadas situações. A bateria de íons de lítio tem apenas 256 Wh.
Portanto, apesar da classificação MHEV e do título de híbrido mais barato do Brasil, não se trata de um híbrido capaz de rodar apenas com eletricidade. O pequeno sistema elétrico serve principalmente para aliviar o trabalho do motor a combustão e permitir funcionamento mais eficiente do sistema start-stop.
O câmbio é automático CVT, com sete marchas simuladas. Segundo a Jeep, o Avenger vai de 0 a 100 km/h em 10,3 segundos e chega a 185 km/h.
O Inmetro registra consumo de 8,8 km/l na cidade e 9,4 km/l na estrada com etanol. Com gasolina, são 12,7 km/l e 13,5 km/l, respectivamente. O tanque comporta 54 litros.

Altitude já traz seis airbags e frenagem automática
Mesmo na versão Altitude, o Avenger não chega pelado para alcançar o preço inicial. São seis airbags, ar-condicionado digital, freio de estacionamento eletrônico, chave presencial para partida, sensor de chuva, sensores traseiros de estacionamento, controle de estabilidade, assistente de descida e monitoramento da pressão dos pneus.
Há ainda alerta de colisão frontal com frenagem automática de emergência, alerta e assistente de permanência em faixa, detector de fadiga, reconhecimento de placas e piloto automático convencional.
A central multimídia tem 10 polegadas em toda a linha, com Android Auto e Apple CarPlay sem fio. Na Altitude, o quadro de instrumentos digital tem 7 polegadas e as rodas são de liga leve de 16 polegadas.
Por R$ 6.000, o Pack Style acrescenta câmera de ré, barras no teto e pintura do teto em outra cor.

Longitude traz ACC; Limited tem faróis Matrix
A Longitude acrescenta controle de cruzeiro adaptativo, câmera de ré, carregador de celular por indução, ar-condicionado automático, aletas atrás do volante, alto-falantes traseiros, faróis de neblina, barras no teto e rodas de 17 polegadas.
Há dois pacotes opcionais. O Convenience Pack custa R$ 3.500 e inclui monitoramento de ponto cego, sensores dianteiros e laterais, retrovisores com rebatimento elétrico e retrovisor interno sem moldura. Outro pacote, de R$ 8.500, traz teto solar, painel digital de 10,25 polegadas e serviços conectados.
É na Limited que aparecem os equipamentos menos comuns entre os SUVs dessa faixa de preço. Ela tem faróis LED Matrix, câmera 360 graus, monitoramento de ponto cego, sensores dianteiros de estacionamento, painel de 10,25 polegadas, navegação integrada, iluminação interna com oito cores e rodas de 18 polegadas.
A versão também traz uma grade com iluminação nas tradicionais sete fendas da Jeep. O teto solar panorâmico com abertura elétrica não é de série nem na Limited: custa outros R$ 7.500.
O sistema conectado Jeep Adventure Intelligence permite controlar algumas funções pelo celular e inclui acesso à internet. A versão mais cara também oferece comandos por voz com integração ao ChatGPT para funções do carro e consultas mais abertas.
Avenger entra onde a briga está ficando apertada
A faixa escolhida pela Jeep coloca o Avenger diretamente no caminho de SUVs que não existiam ou tinham pouca relevância há poucos anos. Volkswagen Tera, Renault Kardian, Chevrolet Sonic e Fiat Pulse são os adversários mais próximos por tamanho e preço. Nissan Kait e Honda WR-V também entram na conta, dependendo da versão.
Há ainda uma segunda pressão que não pode ser ignorada. Os R$ 120 mil a R$ 150 mil passaram a abrigar carros elétricos e híbridos de marcas chinesas, incluindo modelos que oferecem mais potência e uma lista extensa de equipamentos. Isso ajuda a explicar a necessidade de colocar o Avenger abaixo do Renegade e começar a tabela perto dos R$ 120 mil.

O Avenger tem uma carta que os rivais chineses não possuem: a Jeep já construiu uma presença forte entre os SUVs no Brasil e conta com uma rede de concessionárias bastante maior. Por outro lado, o novo modelo chega sem algumas características historicamente associadas à marca. Não há motor de grande cilindrada, tração integral ou pretensão de encarar trilhas mais difíceis.
Na prática, sua disputa será travada no asfalto. O Avenger tenta usar o nome Jeep em um carro de dimensões próximas às de um hatch compacto, motor 1.0 e preço de entrada agressivo. É justamente nessa região do mercado que Tera, Kardian, Pulse e os novos modelos chineses passaram a disputar compradores.
