Kombi Carat é nova, rara e custa uma fortuna; veja o valor da joia

Disponível na opção de luxo, nome da versão foi usado pela primeira vez na Transporter T3 alemã
Volkswagen Kombi Carat

Volkswagen Kombi Carat | Imagem: Reprodução/Reginaldo de Campinas

A Volkswagen Kombi surgiu na Alemanha em 1950 e, em 1953, começaram a vir as primeiras unidades ao Brasil, montadas em CKD. Só em 1957 o famoso modelo passou a ser nacional e, desde essa data até 2013, foram produzidas 1.551.140 unidades na fábrica de São Bernardo do Campo (SP)

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Nos últimos anos da sua longa carreira, a Volkswagen Kombi disputou a preferência do consumidor brasileiro junto à veículos como a Asia Towner, Asia Topic, Kia Besta, entre outras. No entanto, a "Velha Senhora", ainda que não trouxesse a modernidade das concorrentes, foi muito desejada graças à robustez, além da manutenção acessível, simples e barata.

A do Reginaldo de Campinas foi fabricada em 1998 e é uma das edições mais especiais de toda a sua trajetória. É uma “Carat” - termo em inglês que significa “quilate”, unidade de medida para avaliar o peso de pedras preciosas. O nome sugestivo da van mais popular do mundo não foi por acaso.

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Pintada na cor vermelha sólida, a Carat à venda está impecável e é uma edição bastante procurada, dados os poucos anos de produção, entre 1997 e 1999. Diferente da Standard, tem bancos em veludo e teto todo revestido, assoalho, bagageiro e capa de estepe forrados em carpete.

Não por menos, o preço de venda impresisona: são R$ 170 mil, preço equivalente ao do T-Cross Comfortline 200 TSI 0 km, a unidade colecionável tem uma das cores mais raras.

Além da Vermelha Clássico, na época, a Carat podia ser encomendada nas tonalidades Azul Atlanta, Verde Java e a tradicional Branca Geada.

KOMBI TEVE UMA LONGA JORNADA NO BRASIL

Primeira unidade da Kombi fabricada no Brasil, na unidade de São Bernardo do Campo (SP), em 1957
Primeira unidade da Kombi fabricada no Brasil, na unidade de São Bernardo do Campo (SP), em 1957 Imagem: Divulgação

Os primeiros registros da Volkswagen Kombi no Brasil datam do ano de 1949, quando as primeiras unidades vieram importadas. Robusta e com capacidade de transporte de nove pessoas, foi um sucesso e, assim, em 1953, a matriz alemã resolveu instalar uma filial brasileira sob o comando da Brasmotor, que na época, era representante da americana Chrysler e proprietária da Brastemp.

Em 1957, a Kombi passou a ser montada em São Bernardo do Campo, SP, com 50% das peças produzidas no Brasil. Praticamente idêntica à versão alemã, a van brasileira surgiu com motor de 1.192 cm³ e 36 cv, disponível só a partir das 3.400 rpm. A velocidade final mal ultrapassava os 100 km/h. Sem dúvida, era um transporte sem pretensões e focado só para entregas urbanas.

Veja galeria com imagens da rara Kombi Carat

Em 1961, veio a “Seis Portas”, hoje uma das versões mais disputadas por colecionadores do mundo todo. A partir do segundo semestre deste ano, a linha toda ganhou marcador de combustível no painel e câmbio 100% sincronizado. Já as setas do tipo “bananinhas” foram substituídas pelo sistema convencional. Nessa fase, a Kombi passou a ser identificada como "segunda série".

Com a popularidade da van, em 1963 veio a versão comercial Furgão, cuja diferença era a ausência das janelas laterais. Hoje, um modelo bastante raro, assim como a Pick-up, outra variante lançada em 1967, desenvolvida para pequenas entregas. Tanto ela quanto Standard e Luxo ganharam motor 1.5 (1.493 cm³) de 44 cv, além de sistema elétrico de 12 volts.

CLIPPER, A “NOVA” KOMBI BRASILEIRA

Volkswagen Kombi
Volkswagen Kombi "Clipper" com motor 1.6 de 65 cavalos e juntas homocinéticas no eixo traseiro
Imagem: Divulgação

Em 1976 ocorreria a primeira mudança estética na Kombi, mas sem as portas corrediças, visto que na Alemanha já vinha desde 1967. A ideia era reduzir tudo que fossem gastos extras para tornar a “perua” sempre competitiva. Assim, o truque foi unir a frente (com as portas dianteiras) e a traseira (apenas as lanternas) do modelo internacional com a carroceria da versão brasileira, com 12 janelas laterais. Ficou conhecida como Clipper.

Todavia, a “evolução” se concentrou no novo motor 1600 que desempenhava 58 cavalos de potência despertados nas 4.400 rpm, pouco, é verdade, mas uma dose cavalar revigorante de mais 14 cv extras. Aliado ao torque de 11,2 kgfm (a 2.600 giros) e com a ajuda da transmissão de quatro marchas, a Kombi teve um ligeiro ganho no desempenho. A prova era a velocidade final de 110 km/h e os 0-100 km/h em 35,5 segundos, 10,5 s a menos que a antecessora.

Sem alterações de estilo, a evolução seguinte da van brasileira veio em 1978, quando ganhou a dupla carburação - como opcional do velho 1.600. Graças a isso, a potência passou para 65 cv. Com este “progresso”, a Clipper melhorou desempenho: 0-100 km/h em 22,7 s. Curiosamente, a Pick-up foi a única opção que ainda manteve a carburação simples. Outra mudança foi a introdução das juntas homocinéticas no eixo traseiro.

Em 1981, veio a Kombi Diesel com motor 1.5, refrigerado a água, que garantia 50 cv e torque de 9,5 kgfm a 3.000 rpm. Esteticamente falando, só havia o radiador adaptado na dianteira totalmente exposto.

Assim, era comum ver estas versões com quebra-mato instalado justamente para proteger o sistema de refrigeração de colisões. A versão Diesel foi oferecida nas versões Pick-up Cabine Simples, Pick-up Cabine Dupla e Furgão.

A van da VW seguiu firme como líder de vendas, mesmo com a presença das novas rivais asiáticas Kia Besta e a dupla Asia Towner e Topic. Até a chegada da nova carroceria, em 1997, a Kombi já havia ganhado catalisador, para-brisa laminado, servofreio a vácuo, esguichador elétrico do lavador do para-brisa. Já os vidros verdes com para-brisa degradê, desembaçador traseiro e janelas laterais corrediças, eram oferecidos num só pacote opcional.

EDIÇÃO LAST EDITON

Volkswagen Kombi 2014
Volkswagen Kombi Last Edtion marcou a últma leva do utilitário que ainda faz parte da paisagem do Brasil
Imagem: Divulgação

A mudança mais profunda só chegaria em 1997, quando o modelo finalmente recebia a porta corrediça e carroceria semelhante àquela conhecida no resto do mundo, embora o teto elevado em 11 cm seja único do modelo brasileiro.
 Aliado a essa nova fase, vieram também os vidros laterais e traseiros maiores e inteiriços, além de novas tomadas de ar para o motor, tampas do porta-malas e do motor maiores.

O salão, onde ficam as fileiras de bancos, foi ampliado por conta da eliminação da parede entre os bancos dianteiros e centrais e, com isso, o estepe foi realocado para o porta-malas.

Apesar disso, a nova Kombi (Standard) passou a comportar oito lugares (ao invés de nove da antiga Standard), com a remoção dos bancos inteiriços dianteiros, que deram lugar a dois individuais. Na segunda fileira, havia três individuais e na terceira, mantinha os três. De carona nessa reestilização, estreou a versão luxuosa Carat com bancos e painéis laterais dianteiros revestidos em veludo. O teto também ganhava uma atenção especial com 100% de forração, diminuindo o calor do ambiente e melhorando a acústica interna.

Nessa opção de luxo, a capacidade de transporte caía para sete pessoas devido à segunda fileira reservada para dois. Assim, o espaço total era de sete contra oito passageiros da Standard.

Na parte externa, a distinção da Carat se reservava às calotas totais plásticas, lentes dos piscas dianteiros na cor cristal, lanternas traseiras fumê, janela traseira esquerda corrediça e vidros verdes com o para-brisa sendo degradê.

Entre as cores exclusivas, a edição de luxo podia ser comprada nos tons vermelho Clássico, azul Atlanta e verde Java. O branco Geada também estava disponível no catálogo.

Em 2005, a VW marcava a chegada da Kombi Série Prata, edição limitada de apenas 200 exemplares - todas pintadas na cor prata Light - que marcava o último modelo com propulsor boxer refrigerado a ar.

Entre as exclusividades dessa série, havia parachoques, aros de faróis, maçanetas de porta pintados de cinza, vidros verdes e parabrisa degradê, desembaçador traseiro, piscas dianteiros brancos e lanternas traseiras fumê, forração de bancos diferenciada e janela traseira esquerda corrediça.

Volkswagen Kombi 2014
Volkswagen Kombi vem com itens exclusivos, com a pintura de dois tons e os adesivos na carroceria
 Imagem: Divulgação

Em 2006, a Kombi trocou o antigo motor 1.6 de quatro cilindros opostos (boxer) arrefecido a ar pelo 1.4 de quatro cilindros em linha refrigerado a água da família EA111. Era o mesmo da dupla Fox e Polo para exportação, mas adaptado para a nossa tecnologia flexível. 

Na Kombi, a potência conseguida foi de 80 cv no etanol e 78 cv com gasolina, enquanto que o torque ficou em 12,7 kgfm (etanol) e 12,5 kgfm (gasolina). A transmissão, por sua vez, mantinha a disposição manual de quatro marchas.

Foi em 2007 que veio a série especial Edição 50 anos, de apenas 50 unidades. Além da pintura saia e blusa vermelha e branca, ela trazia logotipos, lanternas fumê e lentes de luzes de direção translúcidas, vidros verdes com janela lateral deslizante e para-brisa degradê. 
Por dentro, bancos em tecido, desembaçador traseiro e uma plaqueta em alumínio com a numeração da unidade colada no centro do painel completavam o pacote da exclusividade.

Por fim, encerrando a jornada da Kombi no Brasil, em 2013, ela se despediu da linha de montagem da Volkswagen, em São Bernardo do Campo, SP, com a série especial Last Edition, inicialmente com 600 unidades e, mais tarde, mais 600. O utiltário deixou de ser vendido em razão da obrigatoriedade da inclusão dos freios ABS e do airbag duplo frontal para todos os veículos nacionais. O defasado projeto - atrelado ao alto custo para adaptação dos itens - impossibilitou uma vida ainda mais longa ao utilitário. 

Fernando Garcia

Especialista em análises do mercado de veículos usados, Fernando Garcia tem passagens por revistas automobilísticas e no AUTOO traz vários artigos especiais com curiosidades, serviços e dicas.