Kombi e outros 4 carros com maior tempo de produção no Brasil; veja lista

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Volkswagen Kombi Série Prata

Volkswagen Kombi Série Prata | Imagem: Divulgação

A Volkswagen Kombi durou décadas sem mudar e isso não foi um empecilho para se tornar um dos veículos mais vendidos do Brasil, com mais de 1,5 milhão de unidades. Sua história por aqui começou bem antes do Fusca e deixou muitas lembranças.

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Assim como a "Velha Senhora" da Volkswagen, outros carros seguiram a mesma estrada e percorreram longos caminhos sem ‘grandes desvios’. É o caso também do incrível Jeep, que durou por anos sem ter passado por grandes transformações estéticas.

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Sem dar mais spoilers, acompanhe a seguir quais foram os cinco carros que tiveram o maior tempo de produção no Brasil.


1 - VOLKSWAGEM KOMBI - 56 ANOS

Volkswagen Kombi 2014
Volkswagen Kombi bateu recorde em tempo de produção no Brasil ficando 56 anos na linha de montagem
 Imagem: Divulgação

A Kombi é o veículo com o maior tempo de produção no Brasil. Ela inaugurou a linha de produção da Fábrica da Anchieta da Volkswagen do Brasil, em São Bernardo do Campo (SP), em 1957 e só parou no final de 2013.

Nestes 56 anos de fabricação, a enxutona Velha Senhora evoluiu pouco, é verdade. O maior feito ocorreu em 2006 com a migração do motor boxer a ar para o quatro em linha refrigerado a água. A transição, inclusive, deu origem à Kombi Série Prata, com tiragem de 200 exemplares, para a despedida do propulsor a ar.

Mantendo as mesmas linhas básicas, a usina de força vinha do 1.4 litro da família EA111 do Polo e Fox ‘exportação’, mas adaptada para cá com a tecnologia flexível. Regido pelo mesmo câmbio de quatro marchas, a potência era de até 80 cv e torque de 12,7 kgfm, o que melhorou não só no desempenho (34% mais potente), mas também no consumo (cerca de 30% mais econômica).

Em 2013, a Kombi nos deixou e a série de despedida Last Edition, limitada a 1.200 unidades, é uma das mais cobiçadas. 

2 - TOYOTA BANDEIRANTE - 39 ANOS

Toyota Bandeirante foi produzido até 2001 em São Bernardo do Campo
Toyota Bandeirante foi produzido até 2001 em São Bernardo do Campo
Imagem: Divulgação

O Toyota Bandeirante foi fabricado em São Bernardo do Campo (SP) a partir de 1962, mas sua origem remonta a 1958. Batizado como Land Cruiser FJ-251, ele vinha importado em regime CKD (completely knocked-down, completamente desmontado) em São Paulo para só então ser montado e vendido, isso até 1961.

Seu estilo único e inconfundível ajudou a se popularizar em terras brasileiras, com a melhor das intenções do trocadilho. Vendido com tração 4x4, teve carrocerias de jipe com teto rígido e capota de lona, picape cabine simples e dupla, entre outras configurações, sempre com as mesmas linhas clássicas que perduraram até 2001. 

Entre os motores do jipe da Toyota, inicialmente veio o 4.0 de seis cilindros (Toyota 2F) a gasolina de 105 cavalos de potência. Em 1962, foi trocado pelo OM-324 a diesel de 3,4 litros e 78 cv, fornecido pela Mercedes-Benz. Já na linha 1973, a motorização era novamente substituída por outra da mesma fabricante alemã (OM-314), porém com 7 cv a mais (85 cv). A evolução não parava e, em 1990, surgiu o 4.0 de origem Mercedes-Benz (OM-364) de 90 cv. Mais tarde, em 1994, veio o Toyota 14-B 3.7 de 102 cv que, dois anos após, teve a potência estrangulada para 96 cv.

Foram mais de 104.600 unidades produzidas (incluindo os CKD) e um legado que deixou marcas nos principais terrenos onde só um desbravador 4x4 raiz poderia ter chegado.  

3 - CHEVROLET CHEVETTE - 20 ANOS

Chevrolet Chevette
Chevrolet Chevette ficou de 1973 até 1993 em produção no Brasil. No ano seguinte foi substituído pelo Corsa
Imagem: Divulgação

O Chevrolet Chevette surgiu em 1973, tendo como base a terceira geração do Opel Kadett. A configuração sedã de duas portas foi a mais popular, pois havia ainda a rara de quatro portas, além do hatch de duas portas.

Apesar de ter evoluído, o estilo básico dos três volumes bem definidos era o mesmo. Da frente do primeiro Chevette, apelidado de Tubarão, em 1978, ela passou a vir com a grade dividida, inspirada nos Pontiacs.

Em 1983, o conjunto frontal passou a ter influência dos então modernos Monza, fase em que a traseira também foi toda remodelada. Por dentro, o visual também trazia muitos elementos que lembravam o sedã médio lançado recentemente. De 1987 até o fim da produção do Chevette, em 1993, as mudanças na frente e traseira foram mais sutis.

As primeiras unidades do Chevette vinham com motor de 1.4 de 68 cv, mas, a partir da segunda geração (1978), a potência subiu para 73 cv por conta do 1.6 com carburador único. Depois de 1988, foi lançada uma versão 1.6 de dupla carburação que resultou em 81 cv.

O Chevette chegou a ter até a versão 1.0 com tração traseira, algo inusitado para o segmento. Era a versão popular Júnior de 1992. Para compensar os parcos 50 cv, a GM instalou vidros mais finos para aliviar o peso, mas não vingou. Só durou um ano, sendo substituída pela versão 1.6 L (81 cv), até a chegada do sucessor Corsa no final de 1993.

4 - FIAT UNO/MILLE - 29 ANOS

Fiat Uno Mille
Fiat Uno Mille veio da versão original de 1984 com motor de 1.050 cc de cilindrada. Foi oferecido até 2013
Imagem: Divulgação

O Fiat Uno surgiu em 1984, nas versões S com motor 1.0 de 50 cv e CS, com 1.3 de 59 cv com apenas um carburador, mas não demorou para ganhar mais um com a chegada da esportiva SX, resultando em respeitosos 70 cv. Com o fim desta em 1986, no ano seguinte viria a substituta 1.5R, vendida exclusivamente com motor a álcool (85 cv). A variante a gasolina veio só em 1989. Outras variações interessantes foram a CS Export, em comemoração a um milhão de carros exportados, e a CS Top, uma edição comemorativa de um milhão de automóveis vendidos. Ambas traziam o motor 1.5 de 70,5 cv.

O Uno Mille surgiu no final de 1990 e inaugurou a volta do conceito do carro popular com motor 1.0. O sucesso fez com que a Fiat criasse outras variações atraentes, tais como a série especial Brio, com carburador de corpo duplo, que rendeu ao propulsor 1.0 a potência de 54 cv, ou 5,5 cv a mais comparado ao antigo com um carburador. A novidade fazia parte da linha de 1991.

Além dessa, no ano seguinte, o Mille ganhou a versão Electronic, com ignição digital substituindo o sistema arcaico do platinado, mas, em 1994, a Fiat, mais uma vez, inovou com a luxuosa ELX. Considerado o primeiro nacional 1.0 a oferecer ar-condicionado, o novo popular ficou mais moderno com a nova frente, adotada na linha 1991 do Uno.

Na linha 1996, foi apresentada a versão EP, responsável por inaugurar o sistema de injeção eletrônica monoponto de combustível — em substituição ao carburador da ELX, que era descontinuada. Com o advento deste recurso de alimentação, o Mille passou a render 58 cv, tendo uma melhora significativa no seu desempenho. Por este motivo, foi tratado pela imprensa especializada como o mais potente entre os 1.0 do Brasil.

Com a chegada do Palio, as versões mais caras do Uno foram exterminadas, mantendo apenas o Mille em continuidade como modelo de entrada. Assim, até 2013, ele foi mantido com alguns aperfeiçoamentos, sempre mantendo o estilo botinha ortopédica que o consagrou.

5 - WILLYS FORD JEEP CJ3-B/CJ5 - 28 ANOS

Ford Jeep Willys
Ford Jeep Willys Imagem: Divulgação

O Jeep ganhou produção nacional a partir de 1954 através da Willys. Era o clássico CJ3-B, que estreou no Brasil com motor de quatro cilindros F-134 de 75 cv e câmbio de três marchas. No ano seguinte, o modelo trocou de nome, passando a se chamar CJ-5, mas o estilo básico era mantido, assim como a motorização, que durou até 1958. Nesse período, trocou para o BF-161 de seis cilindros e 2,6 litros de 90 cv, o mesmo do Maverick.

Em 1967, a Willys Overland do Brasil foi comprada pela Ford, e, apesar das mudanças no comando, o CJ-5 era mantido com o mesmo conceito visual clássico. 

A maior mudança ocorrida na então Ford-Willys ocorreu com a chegada do propulsor 2.3 OHC de 4 cilindros, com 91 cv, em 1975. Outra grande evolução surgiu no final de 1982. Era o raro propulsor 2.3 a álcool que resultava em pouco mais dos 91 cv da versão a gasolina. No entanto, esta decisão da marca em conter a crise do petróleo não foi para a frente, pois, no mesmo ano, o Jeep se despedia da linha de produção. No entanto, seu estilo inconfundível é lembrado até hoje nos atuais Jeep Wrangler, cuja marca hoje é controlada pelo grupo Stellantis.

 

Fernando Garcia

Especialista em análises do mercado de veículos usados, Fernando Garcia tem passagens por revistas automobilísticas e no AUTOO traz vários artigos especiais com curiosidades, serviços e dicas.