Chevrolet Opala Comodoro de 42 anos congelou no tempo; veja quanto vale a raridade
Sedã da GM nunca foi restaurado, tem apenas 40 mil km e mantém tudo funcionando
O Chevrolet Opala, apresentado ao público em 1968 durante o Salão do Automóvel, era originado do Rekord da Opel, braço direito alemão da matriz General Motors Corporation. Considerado o primeiro carro de passeio da Chevrolet no Brasil, de 1969 a 1992 foram nada menos do que 1 milhão de unidades vendidas.
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Sucesso absoluto em parte pelas linhas inconfundíveis, confiabilidade e robustez mecânica, o clássico da GM é bastante valorizado por colecionadores, igual a esse Chevrolet Comodoro 1984 das imagens. Com apenas 40 mil km originais, o sedã está à venda pela Garagem Brasil Antigos.
Segundo Sizenando Braga Coutinho, a unidade é 100% original, incluindo a pintura, “uma verdadeira cápsula do tempo na história automotiva brasileira”, como ele mesmo se refere ao modelo à venda por R$ 185 mil.
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“Este exemplar de Opala é uma raridade, mantendo-se 100% original de fábrica, com motor Azul 151-S, rádio AM/FM Bosch San Francisco e documentação completa”, revela Sizenando.
O motor azul 151-S de quatro cilindros, junto ao câmbio mecânico de cinco marchas, foi cuidadosamente revisado e está apto a rodar para qualquer canto do país com a mesma confiabilidade de quando foi tirado zero-quilômetro da extinta Casa Arthur Haas, tradicional concessionária Chevrolet de Belo Horizonte, MG.

Imagem: Reprodução/Garagem Brasil
Na cabine aconchegante, revelam-se os confortáveis bancos em tecido tipo veludo que combinaram perfeitamente com a proposta do Comodoro. No elegante tom monocromático cinza, tudo foi pensado no luxo e na incansável busca pelos melhores materiais em carros sofisticados como este.
“Este Opala é uma obra de arte sobre rodas, reconhecida com a placa preta no padrão Mercosul. Uma peça única, mantendo viva a nostalgia e encantando entusiastas por carros clássicos, resume Coutinho.
A ORIGEM DO OPALA NO BRASIL

Imagem: Divulgação
O Opala, apresentado ao público em 1968 durante o Salão do Automóvel, era originado do Opel Rekord, cuja marca de origem alemã era o braço direito da matriz General Motors Corporation. Seu nome vinha da junção entre as palavras Opel e Impala, daí o nome Opala. Mecânica de Impala e carroceria baseada nos Opel. Essa era a receita de um nome mágico tal como o seu projeto, que durante sua produção conseguiu a marca de nada menos do que 1 milhão de unidades comercializadas entre 1969 e 1992, tornando-se um líder de vendas no segmento.
Sua carroceria compreendia uma linha sóbria e marcante ao mesmo tempo. Os cromados que eram o charme de vários veículos daquela época eram abusivos no carro da GM e eram notados em quase todos os detalhes, como frisos da moldura do para-brisa, maçanetas, grade, para-choques, calotas, espelhos retrovisores etc. Era disponível com duas opções de acabamento, a Standard e a de Luxo, ambas na versão de quatro portas.
No conjunto mecânico, o Opala recebia duas opções de motor, ambos refrigerados a água, com válvulas no cabeçote e comando no bloco. O 2.500 (153 pol³) ou o topo de linha 3.800 (230 pol³). A primeira recebia um 4 cilindros de 2.509cm³ com potência máxima de 80 cv a partir das 3.800 rpm; a outra contava com um propulsor de 3.764cm³ e 125 cv a 4.000 rpm.
Sua velocidade final era de 165 km/h e acelerava de 0 a 100 km/h em 13 segundos. Já a versão de entrada era 5 segundos mais lenta na aceleração de zero a 100 km/h, cumprindo a velocidade máxima de 145 km/h em relação ao topo de linha 3.800. Internamente, o conforto era um dos truques deste GM.
Basicamente o que diferenciava o 3.800 do 2.500, além do motor, eram as luzes de ré, tampa do bocal do combustível com trava e filetes cromados que na versão Luxo eram de série.
O VENERADO SS

Imagem: Divulgação
Em 1970, a “família” Opala ganhava mais um integrante com a chegada do almejado SS. Além deste, a GM lançou o Opala Gran Luxo, que também recebia um motor de alta performance. Mas o SS foi o mais cobiçado na época. A imponência do motor 250 pol³ de 4,1 litros e 140 cv a 4.000 rpm, capaz de atingir a velocidade máxima de 170 km/h em apenas 12 segundos, graças à receita do aumento dos pistões para 89,7 mm, ante os 82,5 mm.
Por fora, o que mais chamava a atenção eram os adereços pretos e rodas esportivas de aro 14 calçando pneus 7,35 S. Em 1974, o carro recebe uma nova mudança em sua mecânica. O motor 4 cilindros, chamado de 151, com 90 cv. Foi neste ano que a GM acumulava em seu currículo mais de 300.000 Opalas fabricados. A essa altura, o sedan tinha rivais de peso como o Alfa Romeo 2.300, lançado em 1974, o Ford Maverick Sedan, lançado em 1973 e o Dodge Dart Sedan, que chegou em 1969. No entanto, o carisma e a popularidade da família Opala acabaram falando mais alto.
A linha 1975 recebia uma nova frente e traseira, de estilo mais atualizado, capô com vincos acentuados, setas localizadas agora nas extremidades dos para-lamas dianteiros, nova grade e lanternas redondas duplas, de estilo semelhante às do Corvette.
A versão Station Wagon do Opala também estreava a linha 1975. Denominada Caravan, a perua só tinha a opção de três portas, além dos motores de 4 e 6 cilindros do sedã e do cupê.
Em 1976, a GM do Brasil lançava o Cupê 250S, um verdadeiro esportivo que satisfazia grande parte dos clientes exigentes e de personalidade forte. Motor de 6 cilindros alimentado por um carburador de corpo duplo e comando de válvulas trabalhado passava a contar com 153 cv. O tempo de aceleração de zero a 100 baixava para 10 segundos.
Dois anos depois, a perua Caravan ganhava a versão SS, contando com o mesmo motor de 6 cilindros da versão cupê. Fora isso, apenas alguns detalhes fizeram as diferenças da linha. Em 1980 é lançado o Diplomata com motor 250 S do Opala 4.1/S, topo de linha, que ganhava um novo desenho, um melhor acabamento, além de outros equipamentos de série com direção servoassistida e ar-condicionado.
Um ano depois, o Opala recebe algumas mudanças em seu interior. Entre eles: novo volante e painel remodelado. Em seguida, lança-se a série Silver Star. No ano de 1983, o câmbio de 5 marchas era disponibilizado para o carro da GM, porém a grande mudança viria em 1985, quando o Opala perdia o estilo “comportado”, passando a ter mais personalidade. Por dentro, novos grafismos no painel de instrumentos e botões de acionamento dos retrovisores e vidros.
1988: NOVA FRENTE ERA O DESTAQUE DA LINHA

Imagem: Divulgação
Em 1988, o Opala ganhava novas atualizações com novos faróis em formato trapezoidal acompanhando o desenho da grade, que agora ficava menor, volante de três raios com regulagem em altura de sete posições, aviso sonoro dos faróis ligados, vidros e luzes com temporizador, itens de série nos Diplomatas e opcionais nas versões mais simples. As versões eram agora: Opala e Caravan SL, Comodoro SL/E e Diplomata SE, além do Opala L, restrito a frotas de órgãos públicos.
Neste ano, o motor 250S de seis cilindros a gasolina era disponibilizado apenas sob encomenda, sendo substituído por um modelo alemão, além do câmbio automático de quatro marchas e bloqueio do conversor de torque. Ainda em 1988, o modelo cupê era descontinuado da linha de produção.
Em 1990, último ano com esta carroceria, a linha recebia o mesmo motor de 4.1 litros, porém com potência e menores emissões, graças aos pistões de mais leveza que usavam bielas mais compridas, as mesmas dos 4 cilindros, resultando em forças laterais menores, agindo sobre os pistões. Consequentemente, carburador e coletores de admissão passavam por mudanças para adequar a nova “receita” de preparação. Assim, a potência alterava de 135 cv para 141 cv nos motores a álcool, e de 118 cv para 121 cv nos a gasolina.
1991: A ÚLTIMA SÉRIE

Imagem: Divulgação
Um ano após, o Opala recebia uma roupagem nova, talvez a melhor de todos os tempos de produção. Pára-choques envolventes e janelas sem quebra-vento, rodas de aro 15, pneus calçando pneus 195/65. No conjunto mecânico, freios a disco nas quatro rodas e direção hidráulica Servotronic, de controle eletrônico, faziam parte da nova edição.
Com um milhão de unidades acumuladas em seus 13 anos de existência, o mito Opala se despedia da sua linha de montagem em São José dos Campos em 1992, mais precisamente no dia 16 de abril de 1992, sendo que os últimos deles foram um Opala Diplomata com transmissão automática e uma Caravan ambulância.
Para encerrar a linhagem, a GM lançou a série especial Collector ou Colecionador com apenas 200 unidades fabricadas, segundo estimativas. Junto da novidade, o comprador recebia uma fita de vídeo com a trajetória do veículo, mais um certificado e uma chave banhada a ouro.
