Kombi Série Prata: última série com motor refrigerado a ar vale ouro; veja preço

Edição teve apenas 200 unidades produzidas e está cada vez mais valorizada no mercado
VW Kombi Série Prata

VW Kombi Série Prata | Imagem: Reprodução/Salvajoli Clássicos Especiais

A Volkswagen Kombi surgiu na Alemanha em 1950 e, em 1953, começaram a vir as primeiras unidades ao Brasil, montadas em CKD. Só em 1957, a popular van da Volkswagen passou a ser nacional. Desde essa data até 2013, mais de 1.550 unidades saíram da fábrica de São Bernardo do Campo (SP), tornando-se um sucesso absoluto de vendas.

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Essa Volkswagen Kombi Série Prata 2005/2006 é a homenageada da vez e está à venda por R$ 290 mil. Só para relembrar, trata-se de uma das vans de séries especiais mais cobiçadas por colecionadores e entusiastas, e esta marca o fim dos longevos motores boxer a ar.

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 Deste exemplar, ele trabalhou por apenas 33 mil km e depois se aposentou em uma garagem de um colecionador, ficando ali parada por décadas.

VW Kombi Série Prata
VW Kombi Série Prata com volante e manopla de câmbio espumados e desembaçador do vidro traseiro entre os destaques
Imagem: Reprodução/Salvajoli Veículos Antigos

Segundo Evandro Salvajoli, o dono da loja que leva seu sobrenome, a clássica perua da Volks é um veículo em raro estado de conservação, mantendo todo seu conjunto de faróis, lanternas e vidros originais, com mecânica toda revisada. 

O propulsor, como sabemos, é o velho boxer 1.6 (1584 cm³) a ar, movido a gasolina, com injeção eletrônica multiponto que despeja, com a ajuda do câmbio de quatro marchas, suficientes 58 cavalos de potência.

“A nossa Série Prata conseguiu manter os pneus originais intactos, sem trincas ou ressecamentos; no entanto, quem for usar, obviamente, terá de trocá-los, por conta da validade”, reforça. 

VW Kombi Série Prata
VW Kombi Série Prata com logotipo exclusivo e lanternas fumês para se despedir nas versões refrigeradas a ar
Imagem: Reprodução/ Salvajoli Clássicos e Especiais

A pintura sugestiva Prata Light é nova, sem nenhum retoque, bem como as rodas de aço, sem ferrugem ou qualquer avaria que o tempo não perdoaria nessas duas décadas.

A PIONEIRA

Primeira unidade da Volkswagen Kombi produzida no Brasil
Primeira unidade da Volkswagen Kombi produzida no Brasil Imagem: Divulgação

O nome de batismo do Tipo 2, Kombi, vem de Kombinationsfahrzeug, que no idioma germânico significa veículo combinado ou combinação do espaço para carga e passeio, e foi assim que o público brasileiro conheceu um dos veículos mais populares da história da indústria automobilística.

 Por aqui, as primeiras unidades vieram importadas no ano de 1949. Graças ao sucesso de vendas, quatro anos mais tarde, a matriz alemã resolveu instalar uma filial no Brasil, inicialmente sendo produzida pela Brasmotor, representante da americana Chrysler e proprietária da Brastemp na época. Ainda em 1953, nascia a Volkswagen do Brasil num reduzido galpão que contava inicialmente com apenas 12 funcionários.

Em 1957, a Volkswagen do Brasil se instalava na cidade de São Bernardo do Campo, inaugurando a fabricação da van da VW, que nesta época já contava com 100% de índice de nacionalização.

 Praticamente idêntica à versão alemã, a nossa Kombi contava inicialmente com motor de 1.192 cm³ e 36 cv a 3.400 rpm, contando com a velocidade máxima de 100 km/h.

As opções Luxo e Standard, além da Lotação, lançada em 1967, eram as versões mais populares. No mesmo ano eram introduzidas a versão picape e um motor de 1,5 litro mais potente, para toda a linha, com (1.493 cm³), que rendia 44 cv, além de sistema elétrico de 12 volts.

Curiosamente, foram lançadas com seis portas, sendo duas para cada fileira de bancos. Este modelo ficou popularmente conhecido como Corujinha devido à sua frente estilizada que se assemelha ao animal. Hoje um raro modelo, disputado por colecionadores.

MUDANÇAS

Em 1976, a Volkswagen Kombi é reestilizada
Em 1976, a Volkswagen Kombi é reestilizada marcou época e ficou quase igual até o final da produção, em 2013
Imagem: Divulgação

Em 1975 ocorreria a primeira mudança: motor 1600 cc. Inicialmente, a Volkswagen pretendia fazer a reestilização completa, deixando a Kombi nacional com a porta corrediça e as três janelas grandes de cada lado, mas, aparentemente para cortar custos, a fábrica escolheu combinar a frente (com as portas dianteiras) e a traseira (apenas as lanternas) do modelo internacional com a carroceria do modelo nacional, de 12 janelas laterais. Essa nova carroceria ficou conhecida como ‘Clipper’.

Em 1981, a Volkswagen iniciava as vendas da Kombi com motor de 1,5 litro movido a diesel, refrigerado a água e um exclusivo radiador dianteiro. Este motor era o mesmo que equipava o Passat exportação e foi oferecido nas versões picape, com cabine simples ou dupla, e o furgão.

A mudança mais profunda só chegaria em 1997, quando o modelo finalmente recebia a porta corrediça e carroceria semelhante àquela conhecida no resto do mundo, embora o teto elevado em 11 cm seja único do modelo brasileiro.

Em 2005, a VW marcava a chegada da Kombi Série Prata, edição limitada que marcava o último modelo refrigerado a ar. Em 2006, a Volkswagen iniciava a comercialização da veterana Kombi com nova motorização, desta vez refrigerada a água, a qual permaneceu até o fim de sua produção, em 2013.

Nos quatro cantos do mundo, são notórias a popularidade e a paixão de todos que, direta ou indiretamente, tiveram uma história com o automóvel.

 

Fernando Garcia

Especialista em análises do mercado de veículos usados, Fernando Garcia tem passagens por revistas automobilísticas e no AUTOO traz vários artigos especiais com curiosidades, serviços e dicas.